RAJA YOGA 1– A Filosofia do Yoga
RAJA YOGA – A Filosofia do Yoga
SWAMI SIVANANDA
© Tradução para o Português de
Swami Krishnapriyananda Saraswati
SANATANA DHARMA BRASIL
GITA ASHRAMA
1. A Filosofia do Yoga
É dito que o proponente oiginal do Yoga clássico foi Hiranyagarbha em Si mesmo. E foi Patañjali Maharaj que formulou a sua ciência dentro de um sistema definido, sob o nome de Ashtanga Yoga ou Raja-Yoga. Esta é uma forma do Shad-Darshanas ou sistema clássico de filosofia. Vyasa explicou os aforismos originais dos Yoga-sutras de Patañjali, e isso foi favorecido pela elaboração, através do acrescentar de notas, por um hábil autor chamado Vachaspati Mishra, e pelos célebres escritos de Vijñana Bhikshu.
O Yoga, em fidelidade ao Sankhya, sustenta que há uma eterna, inerte e onipresente Prakriti, e pluralidade de uma onipresente consciência Purusha. O Yoga aceita um terceiro pincípio a saber: Ishvara. O contato do Purusha com a Prakriti faz com que esta se desenvolva em si mesma, dentro de seus vários efeitos. O Purusha, devido ao Aviveka (não-discriminação), experimenta, desse modo, como individual, por causa da sua identificação com a Prakriti, e suas modificações.
O Yoga, em si mesmo, ocupa-se com o método da liberação do Purusha do seu cativeiro, através do correto esforço. Yoga é, assim, mais uma via prática para a realização do que um passeio filosófico dentro do reino do espírito. Como um Darshana, ele é Sa-Ishvara Sankhya, isto é, confirma os vinte e cinco Tattvas do Sankhya e adiciona ainda mais Ishvara. Isso assim feito, o Yoga realiza suas características particulares do ser num sistema totalmente prático do Sadhana. Quando está encoberto pelo véu da ignorância (Aviveka), o Purusha imagina que ele é imperfeito, incompleto, e que a sua realização pode ser feita somente com a sua conjunção com a Prakriti O Purusha, então, assim dizendo, começa a contemplar a Prakriti; e na luz de sua consciência, a Prakriti inerte começa sua caleidoscópica mostra de objetos. O Purusha, devido a Prakriti-SamYoga, mostra desejo por divertir-se com esses objetos. Ele passa a atuar nas aparências. Ele parece segurar os objetos. A partir daqui, o cativeiro, apesar de não necessário para o Purusha, é completado, e o círculo vicioso continua. A transmigração do indivíduo é conseqüência do Aviveka e de seus efeitos. O Yoga, pelos seus processos científicos, corta estes três nós, um por um, e conduz ao Kaivalya Moksha, a realização do verdadeiro Purusha, independente da Prakriti e seu desenvolvimento.
Na profundidade de todos há uma fé permanente no Ser Supremo; alguém com o qual o Sadhaka pode erguer os olhos para ajuda e guia, para proteção e inspiração. Mas o ego não permite que isso aconteça; apenas o desatar do Purusha pode conduzir para sua liberação das armadilhas da Prakriti. Dificilmente o ego pode ser subjugado apenas pela análise subjetiva, mas ele é facilmente diferenciado, sendo o ego separado do Purusha, quando ele é voluntariamente oferecido como um sacrifício no altar da auto-rendição para o Ser Supremo, Ishvarapranidhana. Esta é a hipótese do Yoga, em adição a sua exortação que brota do esforço (Sadhana-Marga – caminho do Sadhana).
Om tat sat

