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BHAGAVAD GITA – CAPÍTULO 8 – Resumo
BHAGAVAD GITA – CAPÍTULO 8
O Yoga do Brahman Imperecível
Arjuna pede a Krishna para esclarecer os tempos técnicos e filosóficos. Ele faz sete perguntas: “O que é Brahman, Adhyatama, Karma, Adhibhuta, Adidaiva, Adhiyajna e como, no morte, Tu é conhecido pelo próprio controle?
Aquele que é supremo e indestrutível é chamado Brahman, o Absoluto. Brahman é imperecível, imutável, a tudo permeia, auto-existente, auto luminoso e a causa suprema de todos os efeitos.
A própria natureza essencial, ou a consciência individual, é chamada adhyatma. Ela é parte de consciência suprema, juntamente com agentes limitadores: tempo, espaço, nome e forma.
A força criativa, a causa da existência, manifestação e sustento de todos os seres humanos é chamada de karma. É a força pela qual o Deus único tem tornado muitos.
Todas as coisas perecíveis têm um começo e um fim. O intelecto, a mente, os sentidos e o corpo são chamados de adhibhuta.
A Alma Universal, ou Inteligência Divina é a energia vital ou força viva do universo. É chamada adhiyajna.
O último pensamento determinará o próximo nascimento. No momento da morte, a mente, o prana e os desejos acumulados, chamados de corpo astral, deixarão o corpo físico. Ninguém pode saber quando isso acontecerá. Portanto, deverá sempre se lembrar de Deus.
Krishna enfatiza a necessidade da prática da meditação durante a vida, fixando a mente em Deus.
Geralmente, todos esquecem a origem da própria existência e sofrem a desarmonia da própria personalidade. Assim como nas águas turbulentas de um lago não se podem ver os pedregulhos no fundo nem o reflexo do sol, assim também o Eu que é a razão da própria personalidade não é sentido nem realizado devido a essa desarmonia. Para alcançar a harmonia necessária na própria personalidade e consciência em Deus, deverá praticar pranayama com a mente concentrada no espaço entre as sobrancelhas e entoando OM.
Deverá sentar-se numa posição confortável, mantendo a espinha e o pescoço eretos. Isso cria uma harmonia no sistema físico com a regular corrente de prana em todas as partes do corpo. Quando alguém se concentra na ajna chakra, os sentidos e a mente tornam-se calmos. A repetição do OM cria uma harmonia e a personalidade inteira do praticante sentirá a consciência única, a qual, gradualmente, conduzirá para a experiência da consciência suprema. No momento da morte, tal yogi realmente alcançará o objetivo supremo, pelo qual ele nunca mais retornará para o mundo mortal.
Se alguém tem uma prática regular, é possível ter a consciência divina no momento da morte. O mundo mortal é o lugar da dor e não é eterno, ao passo que aqueles que atingirem a consciência de Deus alcançarão a perfeição mais elevada (libertação).
O Senhor, que criou o universo com a predominância de rajas, é chamado de Brahma (para ser distinguido de Brahman, o Absoluto). AquEle que sustenta o universo com a predominância de sattva é chamado de Vishnu, e aquEle que dissolve o universo pela predominância de tamas é chamado de Rudra.
4.320.000.000 de anos humanos faz um dia de Brahma. A vida de Brahma são cem anos de tais dias. Pela realização de boas ações você poderá alcançar a morada de Brahma, mas é também governado pelo tempo, espaço a causalidade. Depois de desfrutar dos frutos dessas ações, as almas outra vez nascerão neste mundo.
Aqueles que lembram e meditam no Ser supremo, como a testemunha Eterna no momento da morte, nunca mais nascerão. Sem realização em Deus, ninguém poderá escapar do nascimento e da morte.
Agora, Krishna menciona as duas rotas pelas quais as almas viajam. Os yogis que partem durante a quinzena brilhante – os seis meses do curso norte do sol (Uttarayana) – alcançarão Brahma-loka e então se fundirão ao Ser supremo. Eles nunca mais voltarão. Aqueles que se apegam aos objetos do mundo, que fazem sacrifícios com expectativas dos frutos, que partem durante a quinzena escura – os seis meses do curso sul do sol (Dakshinayana) – alcançarão Chakra-loka (o céu dos ancestrais). Depois de desfrutar das ações meritórias, eles nascerão outra vez.
“Um yogi, conhecendo esses dois caminhos, nunca executará sacrifícios, estudos das escrituras ou caridade com expectativa dos frutos. Ele entende que tudo, exceto Deus, é dor e é transitório. Portanto, ele sempre está imerso na consciência de Deus, e finalmente alcança a morada primitiva divina”.
Comentário
No capítulo 8, descreve a glória da existência humana. Depois de passar por muitas espécies sub-humanas, pela graça de Deus, nascerá como humano. Falhando na oportunidade de alcançar a Deus, passando a vida com características animalescas, tais como luxúria, ganância e inveja, nascerá novamente, talvez até numa espécie sub-humana. É por isso que deverá praticar Yoga e meditação. No momento da morte, pensamentos divinos virão no lugar de apegos mundanos.
BHAGAVAD GITA – CAPÍTULO 7 – Resumo
BHAGAVAD GITA – CAPÍTULO 7
O Yoga da Sabedoria e Realização
Para dar conhecimento integral de Deus através de Seus atributos e glórias, a fim de que alguém seja capaz de praticar os vários métodos de devoção e para ter uma mente constantemente fixa Nele, Krishna falou a Arjuna que revelaria a ele o conhecimento de Deus.
Depois de saber isso, nada mais restaria para ser conhecido. Entre milhares de pessoas, somente uma se empenha pela perfeição. Daqueles que se empenham, somente um talvez O conheça em verdade.
Deus em Si mesmo é a única causa e último suporte fundamental de toda criação. O universo é a manifestação de Deus e é impregnado Dele, como um aglomerado de jóias pendurados em um fio. Por causa do poder velador de maya, o mundo falha em reconhecer a Sua presença. Só aqueles que se refugiam Nele podem ultrapassar maya. O Senhor não é visível para aqueles que são iludidos pelos três gunas – sattva, rajas e tamas. Maya vela o entendimento das pessoas de espírito mundano. Eles sentem que só o mundo e os objetos visíveis são a realidade. Eles sofrem através de muitos nascimentos e mortes.
Quatro tipos de pessoas virtuosas adoram a Ele, a saber: a pessoa em aflição, o que busca o conhecimento, o que busca a saúde e o que busca a sabedoria.
Entre esses, o que busca a sabedoria, para quem a devoção é um espírito simples, é o mais querido para Deus. Depois de muitos nascimentos, mortes e sofrimentos, ele realiza que só o Eu Supremo é real. Tal pessoa é muito difícil de ser encontrada.
Todas as formas são as formas de Um Senhor. De acordo com o temperamento individual, a fé e o ideal de vida, cada um obtém o fruto de sua adoração. A divindade ou o objeto de adoração é somente um meio de unidirecionar a mente, mas isso não deve ser levado como um objetivo. Se, com a mente unidirecionada, continuamente medita no objeto escolhido, gradualmente os pensamentos cessarão e experimentará toda a consciência penetrante.
Pela desilusão dos pares de opostos, raga (atração), dvesha (repulsão), prazer e dor, calor e frio, felicidade e pesar, sucesso e fracasso, todos os seres caem nas garras de maya. Eles esquecem a presença do Senhor e sofrem o nascimento e a morte. Aqueles que se rendem completamente e tomam-No por refúgio conhecem o Seu ser integral.
Uma pessoa que falha em conhecer e lembrar de Deus durante sua vida não lembrará Dele nem mesmo na hora da morte.
Comentário
O Capítulo 7 ensina que Deus é a causa da função dos três gunas (qualidades da natureza), isto é, sattva, rajas e tamas. O universo inteiro existe e é governado pela interação dessas três qualidades. Por causa da ignorância, muitas pessoas são iludidas e se identificam com os produtos das gunas – mente, sentidos e corpo. Deus tem dado à humanidade o poder de discriminação com o qual é possível ir além das garras da natureza e realizar Suas causas. Devoção é o meio de união com Deus, sem se identificar com nenhum produto da natureza, ou seja, mente, sentidos e corpo. O aspirante deve harmonizar-se com a consciência suprema. Mesmo no individual, todos os membros são movidos e conectados a uma única consciência. Similarmente, o universo inteiro existe por causa da consciência toda penetrante de Deus. Essa consciência suprema pode ser invocada através de qualquer maneira, de acordo com cada temperamento; pode fundir-se e alcançar a suprema felicidade. Aqueles que entendem que o sofrimento surge do nascimento, enfermidades, velhice e morte, compreendem que só Deus é o objetivo supremo e culminação da busca da humanidade. Eles agem com fé e sabedoria, alcançam-nO e não nascem de novo.
BHAGAVAD GITA – CAPÍTULO 6 – Resumo
BHAGAVAD GITA – CAPÍTULO 6
O Yoga da meditação
Pela execução da sua tarefa, sem expectativa dos frutos, você se torna um yogi. Pela renúncia de todos os pensamentos mundanos, pela constante lembrança de Deus, através do estudo das escrituras, japa, kirtan e meditação, torna-se um sannyasi. Quando alguém controla o mais baixo eu pelo mais alto Eu, a mente, os sentidos e o corpo são controlados.
O Eu torna-se um amigo; de outra maneira, esse mesmo Eu se tornará seu inimigo. Ele, que controla seu corpo, mente e sentidos, pode permanecer calmo no prazer e na dor, no quente e no frio, na honra e na desonra. O perfeiro yogi ou santo vê Deus em tudo.
Depois de descrever o pré-requisito para dhyana yoga, Krishna explica o método da prática.
Ele deverá cobrir seu assento com grama kusha, depois com pele de carneiro e um pano em um lugar recluso e limpo. Ocupando esse assento em uma posição confortável, mantendo ereto seu corpo, cabeça e pescoço, ele precisa fazer com que a mente focalize um ponto pela concentração entre as sobrancelhas. Controlando os pensamentos e sentidos, ele precisa praticar a meditação para a purificação da alma. Assim ele alcança a paz suprema ou libertação.
O aspirante deve adotar o caminho do meio nas atividades diárias, isto é, dieta sattvica, moderação no sono e nas horas de acordar, asanas, pranayama, satsang, swadyaya, etc. A mente precisa descansar em Deus, como uma lamparina que se encontra em um lugar sem vento. Quando a mente está controlada pela prática da meditação, realiza o Eu interior. Quando a mente experimenta tal bem-aventurança, o yogi sentirá que não há nada a mais nesses três mundos que valha possuir e não será perturbado, por mais amargo que seja o pesar do mundo.
Sadhana é um processo que dura uma vida. A todo momento, deve-se pensar em Deus. Sempre que a mente, devido ao seu hábito, desgarra-se do objeto da meditação, deve se esforçar e fixar-se de novo naquele objeto. Pela prática constante, o mediador e o objeto da meditação tornam-se Um, e, então, o praticante desfrutará da bem-aventurança suprema. O yogi com a mente harmonizada verá o Eu em todos os seres e todos os seres no Eu. O yogi ou o santo perfeito agirá como um instrumento nas mãos de Deus.
Arjuna pergunta o que acontece para a pessoa que não tem êxito no Yoga. Ela será privada de ambas, realização em Deus e desfrute do paraíso? Krishna diz que o praticante que cai do caminho do Yoga nascerá em uma família piedosa e saudável, ou de yogis, e outra vez se empenhará em seguir o caminho da libertação.
Krishna diz que aquela pessoa que é devotada a Ele é o melhor entre os yogis, e pede a Arjuna para se tornar esse tipo de yogi.
Comentário
O Capítulo 6 ensina que a meditação é o meio para tingir a consciência de Deus, o propósito de todos os Yogas. Quando a mente é direcionada a Deus, com um entendimento compreensivo, nossa percepção, atitude e desejos pelo mundo mudam automaticamente. “Os objetos dos sentidos afastam-se dele que está sóbrio, mas o gosto dos objetos persiste. Mantendo-se no Supremo, mesmo esse gosto cessa”. Assim, pela experiência da consciência de Deus através da meditação contínua, percebe-se a unidade na diversidade e todos os desejos se findam.
BHAGAVAD GITA – CAPÍTULO 5 – Resumo
BHAGAVAD GITA – CAPÍTULO 5
O Yoga da Renúncia da Ação
Apesar das instruções claras de Krishna, Arjuna ainda parecia trasntornado. Ele queria saber conclusivamente o que é superior, o caminho da ação ou o caminho da renúncia da ação. Krishna explica que ambos os caminhos levam para o mais alto objetivo – a realização em Deus. Realmente não há diferença entre os dois caminhos.
Descrevendo o Yoga Sankhya, Krishna diz que a ala individual é a combinação de Purusha e Prakriti. Purusha nunca age nem pressiona ninguém para a ação. É Prakriti que faz tudo. Purusha é envolvida pela Prakriti (através das 3 Gunas).
Uma pessoa é limitada quando se identifica com Prakriti. Quando ela se identifica com Purusha, pela constância da meditação, ela será livre, sem fronteiras. Seu intelecto é absorvido em Brahman e é identificado com Brahman. Estabilizado em bons pensamentos, ela verá o bem e fará o bem para outros e, portanto, ela é livre de cicatrizes e não conhece nenhuma distinção entre o bem e o mal. Para o conhecedor da verdade, não há gostar ou desgostar. Ele é uma testemunha de cada atividade da natureza, incluindo sua própria atividade. Sua mente está fixada no seu Ser e experimenta a felicidade eterna.
Sabendo disso, a pessoa sábia nunca experimenta felicidade través de seus sentidos, pois esses contatos têm um começo e um fim, eles são, certamente, a fonte do sofrimento. Aquele que controla a luxúria, a ira, etc., que são produtos do desejo, e submeteu rajas a sattva, e gradualmente esvazia a mente, é chamado Yogi.
Krishna assegura a Arjuna que ambos, Karma Yoga e Sankhya Yoga conduzirão à realização em Deus. Em Dhyana Yoga, o caminho da meditação, a pessoa fixa o pensamento no ponto médio entre as sobrancelhas e faz rspiração rítmica. A mente se torna firme e unidirecionada; ele pode pensar continuamente em Deus. Assim, pela prática do Karma Yoga, do controle da mente através da concentração, respiração rítmica, com o conhecimento de que Deus é o último a desfrutar de todos os sacrifícios e austeridades, o mortal torna-se imortal e atinge a paz suprema.
Comentário
O capítulo 5 ensina que a renúncia e o desapego do espírito são os princípios fundamentais de todos os Yogas. Todos experimentam uma infinita alegria na renúncia. No sono profundo, todo mundo sente uma felicidade imensa; realmente ninguém possui nada ou pensa em nada. Nesse estado, o rei, o pedinte e o animal fundem-se em uma consciência sem a mínima distinção, renunciando a todas as superposições não naturais da personalidade. Quando, consciente, ele renuncia a todas as atividades dos sentidos, a mente e o intelecto seguramente fundem-se em uma essência natural da consciência suprema – a suprema felicidade. Assim, a renúncia se torna um caminho para a perfeição. Isso é a glória da sabedoria. A ação feita livremente pela individualidade espontânea une o ser com a universalidade.
BHAGAVAD GITA – CAPÍTULO 4 – Resumo
BHAGAVAD GITA – CAPÍTULO 4
O Yoga da Sabedoria
Krishna declara que está nascendo de Era em Era. Enquanto houver prevalência do incorreto, Deus usa a encarnação para elevar a humanidade pelo Seu próprio exemplo.
De acordo com os desejos da Humanidade, Ele preenche suas necessidades com imparcialidade. Cada pessoa, com seu temperamento, pode executar uma tarefa sem expectativa do resultado e atingir a realização – Deus.
Quem tem conhecimento de Brahman é chamado Brahmana. A casta não é uma tradição familiar ou direito de nascença. É muito difícil decidir a própria tarefa. Precisa saber o que fazer, o que não fazer e como. Quem contempla o Ser Supremo e executa ações com entendimento para o bem do mundo, sem motivo egoísta, sem expectativa de resultado, é chamado de conhecedor da inação na ação – um sábio. Ele nunca espera nada do mundo e é sempre feliz.
Aquele que sente a presença de Brahman em cada ação sentirá que Brahman é o ator, a ação e também o resultado da ação. Isso é chamado de sacrifício da sabedoria.
Krishna detalha várias formas de sacrifício, tais como o estudo das escrituras, controle dos sentidos, controle da respiração, caridade, etc. Todos esses sacrifícios envolvem a ação do corpo, da mente e dos sentidos.
Sacrifício através do conhecimento, sem expectativa do resultado, é superior a uma ação sem conhecimento. Se esses sacrifícios são executados com conhecimento (ou seja, sem um motivo aparente), queimarão todos os pecados, como o fogo transformando madeira em cinzas.
Esse conhecimento pode ser obtido através da sinceridade, pureza do coração, serviço com devoção a um Guru realizado em Deus (Brahmanishtha), além de prolongada prática de Karma Yoga e controle dos sentidos.
Real conhecimento é a consciência do Ser ou consciência interior pura. Isso só será experimentado depois de longo período de prática. É necessário ter imensa fé em Deus, acreditar no seu preceptor, além de paciência e devoção, com uma retração dos sentidos e dos objetos do mundo. Então, sozinho, terá a paz suprema.
Uma pessoa ignorante, devido à falta dessas características, acalenta dúvidas em si mesma e nos outros, e sofre tanto nesta vida quanto após a morte.
Aquele que medita com entendimento, renunciando toda a ação, não pode ser atado por nada no mundo. Krsihna pede para Arjuna fazer karma yoga por meio do qual todos os seus ancestrais alcançaram a felicidade suprema, que é o objetivo da vida humana.
Comentário
O capítulo 4 ensina que o Ser não deve se envolver (ou deve se envolver de modo imparcial) tanto na ação quanto na inação. No estado cósmico, o Senhor Todo-Poderoso permanece à parte, como uma testemunha durante a criação do Universo, sua preservação e destruição. No individual, o Ser permanece como uma testemunha durante os estados acordado, de sonho e de sono profundo. Até no estado acordado, todos os membros do corpo agem sem qualquer expectativa ao bem deles próprios. Por exemplo, o estômago não digere comida em seu benefício, os olhos percebem os objetos, pernas andam, mãos agarram, etc., para ajudar o corpo todo. O espírito da renúncia é um estado natural em todos os níveis. Quem sempre age e vive com sua consciência é um verdadeiro executor das ações e sábio entre os homens, não sendo limitado pelas ações.
Esse capítulo é também chamado de jñana yoga, abhyasa yoga e jñana-karma-sannyasa yoga, porque ensina a humanidade a remover todas as dúvidas sobre a Realidade Suprema pelo conhecimento da Sankhya e para agir de acordo com os ensinamentos do Karma Yoga.
BHAGAVAD GITA – CAPÍTULO 3 – Resumo
BHAGAVAD GITA – CAPÍTULO 3
O Yoga da Ação
Krishna explica o Karma Yoga e sua aplicabilidade prática na vida diária. Não se pode atingir a perfeição pela renúncia das ações. Não se pode permanecer tranquilo porque as qualidades da natureza governam o mundo, incluindo o corpo, a mente e o intelecto. Aquele que se senta, renunciando as ações externamente, mas internamente continua atuando é um hipócrita. Aquele que contempla internamente o Atman e pratica ações sem expectativa de resultado é um karma yogi. Krishna pede para Arjuna fazer o seu dever sem se identificar a si próprio como um “fazedor”.
A ação desenvolvida sem motivo egoísta é sacrifício. Purifica o coração e conduz para a realização em Deus. Quando a ação é feita como uma adoração, baseada no entendimento, torna-se Karma Yoga, Bhakti Yoga e Jñana Yoga, tudo imediatamente. Krishna cita os exemplos do Rei Janaka e outros que atingiram a perfeição pela ação.
Uma pessoa sábia não deve dissuadir outras pessoas do cumprimento dos seus deveres. Ela deveria liderá-las pelo exemplo pessoal.
Krishna nota que o corpo humano é um produto de prakriti (criação universal). Quando sattva predomina, pode-se discriminar entre as ações certas ou erradas. Se rajas predomina, identifica-se com o corpo e com as atitudes, sentindo que ele é um “fazedor”. Isso conduz para a limitação. Com predominância em tamas, é ignorante, estático e adormece.
Retirando os sentidos dos objetos externos, a pessoa sábia contempla o Eu. O apego e a aversão dos objetos do sentido são devido à ignorância; eles podem ser superados pela discriminação e a própria renúncia. Krishna pede a Arjuna lutar mais que renunciar ao dever. Mesmo que possa haver perigos e obstáculos no caminho, precisa executar o seu dever com diligência. Executar um dever é melhor do que fazer o dever do outro. Mesmo que o outro traga fama, poder e posição, ele mudará trazendo medo, intranqüilidade e sofrimento.
Arjuna levanta o porquê de as pessoas continuarem agindo de maneira que dublam suas mentes e dragam-nas para baixo. Krishna responde que é o desejo que impele uma pessoa a perder a discriminação e o entendimento, e assim cometer ações erradas. O desejo é raiz, a causa de todas as ações negativas. Se o desejo é removido, então o poder divino manifesta-se na sua glória total e se desfruta da paz, bem-aventurança e liberdade.
Comentário
O capítulo 3 ensina que é impossível viver sem ação. “Karma” é o caminho da ação e diversidade; “Yoga” é unidade com o divino, mesmo enquanto no campo da diversidade. Todo problema humano surge quando a mente se abre aos agentes imediatos, isto é, aos sentidos. A mente procura felicidade, que é sua real natureza. Devido à falta de entendimento, ela tenta extrair felicidade através dos sentidos e dos objetos. Quando a mente retorna a sua origem – Suprema Consciência – começará, então, a experimentar felicidade indescritível.
Vá além dos três gunas: sattva, rajas, tamas e seja consciente das funções do intelecto, da mente e dos sentidos. Quando o intelecto e mente se fundem com a consciência, os desejos perdem suas forças espontaneamente, como uma onda que se funde no oceano.
BHAGAVAD GITA – CAPÍTULO 2 – Resumo
BHAGAVAD GITA – CAPÍTULO 2
Samkhya Yoga
Sanjaya explica a condição para Arjuna, que está agitado e pela apego e pelo medo.
Krishna repreende Arjuna por seu abatimento e exorta-o à luta.
Quando pensamentos conflituosos aparecem na mente, poucas pessoas sabem o que fazer. Nesse estágio, o conselho de um mestre é necessário. Quando o ego recebe repetidas pancadas do mundo, dá-se conta de sua importância. Ele quer ter paz e se volta para o Poder Supremo.
Depois de fracassar na tentativa de convencer Krishna acerca de seus pensamentos aparentemente sábios, Arjuna compreende Sua ajuda e se torna discípulo de Krishna no verdadeiro sentido. Somente agora Krishna pode assumir seu papel de mestre.
Krishna, sorridente, prossegue iluminando Arjuna de várias maneiras. Ele primeiro explica a natureza imperecível do Atman, para o qual não há passado, presente ou futuro. O Atman nunca morre; portanto, Arjuna não deve se afligir.
Como transcende os 5 elementos, isto é, fogo, água, terra, ar, éter, não pode ser cortado, molhado, queimado ou secado. É eterno e imutável.
Sem desejo ou apego pelo resultado das ações, a mente fica calma durante a ação. A concentração do sábio é devida à abstinência de desejos; a natureza dispersa do ignorante se deve justamente aos desejos. Somente com um intelecto concentrado alguém pode ter esperança em alcançar a imortalidade.
Krishna louva o trabalhador desinterssado, desapegado (karma yoga), possuidor do equilíbrio da mente e pede a Arjuna para fazer o mesmo na batalha. Êle aconselha Arjuna a lutar, livre dos desejos pela aquisição ou preservação do reinado.
Desse modo, podemos ir além das qualidades (gunas) da natureza – sattva, rajas e tamas – e nos restabelecermos no Atman.
Aqueles que conhecem o Atman entendem que não existe nada de valor para se possuir nos três mundos. Por isso, as pessoas deveriam ter um equilíbrio da mente, tanto no sucesso quanto no fracasso, no prazer e na dor – cuja habilidade na ação é chamada Yoga.
Escutando isso, Arjuna levanta 4 questões sobre as características de uma pessoa para estabilizar a mente, sua descrição, como ele fala, senta, anda. Krsihna diz que uma pessoa de mente estabilizada não deverá ter nenhum desejo em absoluto. A consciência do Atman e o abandono dos desejos são experiências simultâneas.
Uma pessoa assentada na sabedoria tomará as coisas como elas vêm e não terá qualquer gostar ou desgostar.
Seus sentidos serão retraídos, como a tartaruga que retrai seus membros. Sendo consciente da presença de Deus em tudo, podem controlar os sentidos.
Krishna compara a mente descontrolada a um barco pego por uma tempestade. Em virtude do vento do desejo soprar sobre a mente, ela é revirada e induzida a cometer ações erradas.
A noite escura de uma pessoa comum é condição de vigília para o próprio controle e vice-versa. Todas as particularidades de um sábio com mente estável fundem-se no Ser Universal. O sábio, de sabedoria firme, vive uma vida de serviço desinteressado.
Comentário
O capítulo 2 ensina a aplicabilidade do Yoga na vida diária. Krsihna oferece um entendimento compreensivo de como o sofrimento humano pode ser aliviado com a consciência do Absoluto. Êle mostra à humanidade o meio de suplantar a dualidade e os conflitos. Êle pede a nós para termos espiritualidade, para ficarmos livres das três gunas, para vivermos acima da dualidade agindo sem expectativas de resultado e identificados com a Consciência Suprema.
Nota: na Bhagavad Gita, a palavra Samkhya normalmente se refere a Jñana Yoga (o Yoga da Sabedoria) e a palavra “Yoga” a Karma Yoga.
BHAGAVAD GITA – CAPÍTULO 1 – Resumo
BHAGAVAD GITA – CAPÍTULO 1
O Yoga do Desencorajamento de Arjuna
A Narrativa Mahabharata tem lugar na planície sagrada de Kurukshetra. A Bhagavad Gita começa no décimo dia da guerra. Dhitarashtra – o Rei Cego – pede a seu conselheiro Sanjaya (que tem a visão psíquica) para lhe contar tudo que estivesse acontecendo.
Dhitarashtra pergunta com uma mente egocêntrica, egóica, cegado pelo egoísmo. A terra é chamada Dharma-Kshetra (kshetra, “Puros”), porque o campo de batalha é o lugar onde seres celestiais como Agni, Indra e Brahma executraram suas austeridades (auto-controle, disciplina, rigor). É conhecido como Kurukshetra porque seu antecessor, Kuru, também executou severa austeridade nela.
Famosos guerreiros, de ambos os lados, são reunidos no campo de batalha. Chefe de família, assim como Chefe de Exército, Bhisma sopra sua concha como um sinal para iniciar a batlaha. Todos os outros, em ambos os lados, seguiem-no, produzindo um som tremendo.
Arjuna, chefe dos Pandavas, quer ver quem está lutando de ambos os lados. Ele pede a Krishna que coloque seu carro de guerra (quadriga) entre os dois exércitos. Krishna posiciona o carro diretamente na frente de Bhisma, Drona e outros grandes guerreiros.
Vendo seus mestres, amigos e parentes em ambos os lados, as desgraças como conseqüência da guerra chegam à mente de Arjuna, que é atingido pelo pesar e recusa-se a lutar. Esquecendo sua obrigação, Arjuna fica deprimido e incapaz até mesmo de segurar seu arco. Ele menciona outros maus pressentimentos em perder a batalha. Cheio de medo e ansiedade, Arjuna aparentemente fala com sabedoria sobre as conseqüências desastrosas da guerra. Ele diz não ter nenhum prazer em matar seus próprios parentes e mestres, nem deseja os três mundos para governar, como resultado da guerra.
Na sua desilusão e angústia, Arjuna esquece o poder onisciente de Krishna e argumenta com Êle. Tendo expressado sua inabilidade em lutar, carregado de culpa, senta-se em sua quadriga, abaixando as armas.
Comentário
O capítulo 1 ensina que, quando a mente está cega, com aflições e egoísmo, assim como Dhitarashtra, ninguém se importará com o bem estar dos outros. Quando a mente está encoberta com orgulho, egoísmo, ganância, ego e desejos por fama e poder, assim como Duryodhana, uma pessoa não hesitará em destruir seus próprios amigos e parentes, tampouco a nação. No final, isso resulta na própria destruição.
Qualquer um falha em realizar sua tarefa se estiver imbuído de apego e desejo, assim como Arjuna está fazendo, não podendo utilizar sua própria força e coragem. Ele também estará incapacitado de sentir a presença de Deus, mesmo quando Deus está sentado diante dele e pronto a ajudá-lo.
Uma pessoa sincera, devotada a Deus, fiel e sem desejos, que trate igualmente amigos e adversários, como Sanjaya faz, terá paz mental e verá a forma cósmica do Todo-Poderoso.
O sofrimento de Arjuna pode ser visto como resultado da desarmonia entre sua mente e coração, entre seus sentimentos e pensamentos. A mente de Arjuna insiste em desenvolver a tarefa como um Kshatriya (guerreiro), ou seja, destruir o inimigo injusto. Seu coração deseja proteger da destruição seus parentes e mestres. Essa eterna desarmonia cria um impasse em seus níveis físico, mental, intelectual, moral e espiritual.
Introdução a Bhagavad Gita
INTRODUÇÃO A BHAGAVAD GITA
A Bhagavad Gita, usualmente chamada de Quinto Veda, é uma das mais importantes escrituras no Yoga. Ensina o significado para se viver uma vida espiritual no meio do estresse diário, dos conflitos e problemas. O cenário é um campo de batalha.
Literalmente, a expressão Bhagavad Gita significa “Canção de Deus”. É um texto em forma de diálogo entre Krishna – a divina encarnação e mestre – e o guerreiro Arjuna, o discípulo.
Contém 18 capítulos do épico Mahabharata, escrito por Vyasa (também conhecido como Veda Vyasa). Os capítulos 1 a 6 tratam principalmente de Karma Yoga; do 7 ao 12 de Bhakti Yoga e do 13 ao 8 de Jñana Yoga.
A HISTORIA DO MAHABHARATA
Dhitarashtra e Pandu eram irmãos. Nascido cego, Dhitarashtra, o irmão mais velho, foi impedido de se tornar rei. Casou-se com Gandhari e teve 101 filhos, chamados Kauravas, tendo como primogênito o malvado Duryodhana.
Pandu, o irmão mais novo, assumiu o trono. Suas duas esposas, Kunti e Madri, tiveram 5 virtuosas crianças, conhecidas como os Pandavas: Yudhishthira, Bhima, Arjuna, Nakula e Sahadeva.
Pandu morreu jovem e seus filhos foram criados por Dhitarashtra com os Kauravas. Os jovens primos foram todos treinados na arte da conduta real e da guerra pelos grandes gurus Bhisma e Drona. Os Pandavas se destacaram e foram amados pelo povo. Isso inspirou grande inimizade entre os Kauravas, que eram invejosos e tramaram contra eles.
Quando eles eram adultos o suficiente, Dhitarashtra deu a cada grupo parte do reino. Por causa de suas virtudes, o reino dos Pandavas floresceu e Yudhishthira foi declarado o imperador supremo. Duryodhana, chefe dos Kauravas, teve sua inveja aumentada.
Conhecendo a única fraqueza de Yudhishthira, tramou um jogo de dados contra ele. Por meio de trapaça, Duryodhana ganhou. Os Pandavas tiveram que ir para o exílio por um período de 12 anos e ainda passaram mais um ano incógnitos. Durante esse período, o reino foi dirigido por Duryodhana.
Os Pandavas, depois de completar esse período de 13 anos com sucesso, lidando com muitos obstáculos e perigos causados pelos Kauravas, reaproximaram-se de seus primos para recuperar a possessão de sua parte do reino. Duryodhana recusou categoricamente a devolução de nem sequer um punhado de terra que pudesse cobrir a ponta de uma agulha. Os Pandavas foram empurrados justificadamente para a guerra, para restabelecer o Dharma. A totalidade do Bharata Varsha (Índia Antiga) foi dividida nesta guerra Mahabharata.
Krishna, primo dos Pandavas por parte de mãe, estava vivendo em Dwaraka. Tanto Duryodhana – cabeça dos Kauravas – como Arjuna, o chefe dos guerreiros dos Pandavas, foram procurar ajuda de Krishna para a batalha.
Encontrando Krishna descansando, Arjuna para perto dos pés de Krishna. Duryodhana ocupou um bom lugar na cabeceira do divã. Assim que abriu os olhos, Krishna naturalmente viu Arjuna primeiro. De acordo com os costumes predominantes, ele deu a primeira escolha a Arjuna, não só por vê-lo primeiro, mas por ser mais jovem.
Krishna pediu a Arjuna para escolher entre o exército poderoso de Krishna ou por ele próprio – Krishna – enfatizando que somente seria conselheiro, mas não lutaria. Arjuna expressou seu desejo de ter Krishna a seu lado; Duryodhana, prazerosamente, pensou ser Arjuna um grande tolo e expressou seu desejo em ter o exército poderoso de Krishna para ajudá-lo na batalha.
Simbolicamente, Arjuna escolheu o certo acima do poder. Ele tinha Krishna, o divino avatar, como seu condutor. Quando Krishna perguntou por que ele tinha feito essa escolha, Arjuna replicou: “Ó, Senhor! Você tem o poder de destruir todas as forças por um mero sinal. Por que, então, eu preferiria aquele exército sem valor? Eu tenho acalentado, há tempos, um desejo no meu coração de que você pudesse agir como o meu condutor. Respeitosamente preencheu meu desejo nesta guerra!”.
Depois que Duryodhana retornou de Dwaraka, o próprio Krishna foi para Hastinapura e tentou impedir a guerra. O egoísta Duryodhana recusou-se a aceitar a missão de paz e até tentou aprisionar Krishna.
Dhitarashtra, até por causa da proximidade com seus filhos, falhou em controlá-los. Os Kauravas, dirigidos por Duryodhana, decidiram enfrentar os Pandavas na guerra. O sábio Veda Vyasa ofereceu a Dhitarashtra a oportunidade de assistir a batalha. O rei de Kaurava recusou, dizendo: “Eu não tenho nenhum desejo de ver este massacre de minha família, mas eu gostaria de ouvir todos os detalhes da batalha”.
O sabio, então, conferiu o dom da visão divina a Sanjaya, o conselheiro de confiança de Dhitarashtra. O rei cego pede a Sanjaya para narrar os detalhes da guerra. Aqui começa a Bhagavad Gita, o diálogo entre Sri Krishna e Arjuna no campo de batalha Kurukshetra.
A guerra de Mahabharata foi considerada tomando lugar por volta de 3000 A.C. Mas a batalha pode ser interpretada como a batalha entre a mente mais baixa (Kauravas) e a mais elevada (Pandavas), em que a mente mais elevada vence devido à graça de Deus (Krishna), mesmo algumas vezes parecendo ser a mente mais baixa a mais forte.
PERSONAGENS PRINCIPAIS
Dhitarashtra: pai de 101 malvados Kauravas – o rei “cego”.
Sanjaya: narrador da Bhagavad Gita para Dhitarashtra.
Duryodhana: o mais velho e líder dos Kauravas.
Drona: professor de ambos, Pandavas e Kauravas. Por causa de certas alianças, deve lutar ao lado dos Kauravas.
Bhisma: sempre referido como o “grande senhor”, é tio de ambos, Pandavas e Kauravas. Por causa de obrigações que o amarram, deve lutar também ao lado dos Kauravas.
Veda Vyasa: sábio que recitou a Bhagavad Gita a Ganapati, para que este a transcrevesse durante um estado superior de consciência.
Pandu: irmão de Dhitarashtra, pai dos 5 Pandavas.
Kunti: esposa de Pandu e mãe dos Pandavas.
Yudishthira: o irmão mais velho dos Pandavas, a personificação de Dharma.
Bhima: segundo dos Pandavas, a personificação da força física.
Arjuna: o terceiro e líder dos Pandavas, renomado como o maior arqueiro do mundo.
Sahadeva e Nakula: gêmeos; os mais novos dos Pandavas.
Krishna: oitavo avatar de Vishnu; primo dos Pandavas por parte de mãe.

