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Meditação
Meditação
Swami Visnu Devananda
O estado análogo mais parecido que podemos experimentar com a meditação é o sono profundo, no qual não há tempo, nem espaço, nem causa. A diferença entre meditação e o sono profundo fundamenta-se em que a primeira produz mudanças substanciais na mente. Mediante a contenção e o aquietamento das oscilações mentais, a meditação traz-nos paz á mente.
No plano fisico, a meditação contribui para prolongar o processo anabólico do corpo e conter e reduzir o processo catabólico ou decadente. Geralmente, o processo anabólico predomina até aos 18 anos; daí até aos 35 existe um equilibrio e, a partir dos 35, predomina o processo catabólico. Todas as células são governadas pela mente subsconsciente e todas elas têm uma consciência individual e outra coletiva. Pensamentos e desejos ativam as células e o corpo segue o resultado da sua petição como grupo. Comprovou-se cientificamente que os pensamentos positivos produzem nas células resultados positivos. Devido a que a meditação produz um estado positivo da mente, também rejuvenesce as células e atrasa a decadência.
Da mesma maneira que não aprendemos a dormir, também não podemos aprender a meditar. Ambos os estados chegam-nos involuntariamente. Independentemente disso, há certos pontos nas técnicas e estados de meditação que merecem ser considerados. Estão dirigidos principalmente aos principiantes, mas até o praticante mais experimentado achará útil revê-los.
- Regularidade de tempo, lugar e prática são muito importantes. A regularidade condiciona a mente a diminuir as suas atividades com um atraso mínimo. É difícil focar a mente, que quer saltar de um lado para o outro assim que você se senta para a concentração. Tal como um reflexo condicionado é uma resposta a um estímulo externo estabelecido, também a mente se acalmará mais rapidamente quando o tempo e o lugar estiverem estabelecidos.
- Os horários mais favoráveis são ao amanhecer e ao anoitecer, quando a atmosfera está carregada com uma força espiritual especial. O horário ideal é brahmamuhurta, entre as quatro e as seis da manhã. Nessas horas tranquilas após o sono, a mente está clara e imperturbada pelas atividades do dia. Refrescada e livre de preocupações mundanas, ela pode ser moldada mais facilmente; a concentração virá sem esforço. Se não for possível sentar-se para a meditação nesse período, escolha uma hora em que não esteja envolvido com atividades diárias e a mente esteja apta a estar calma. A consideração mais importante é a regularidade.
- Tente ter um quarto separado para a meditação. Se isso for impossível, separe com um biombo uma porção do quarto; não permita que outras pessoas entrem nele. A área deve ser utilizada só para meditação, e deve ser mantida livre de outras vibrações e associações. Deve-se queimar incenso de manhã e à tarde. O ponto focal do quarto deve ser uma figura ou imagem inspiradora, com o tapete de meditação colocado em frente dela. Na medida em que a meditação é repetida, as poderosas vibrações criadas serão depositadas no quarto. Em seis meses, a paz e a pureza da atmosfera será sentida; terá uma aura magnética. Em momentos de stress você pode sentar-se no quarto, fazer repetição de Mantra (japa mala) durante meia hora, e sentir conforto e alívio.
- Quando se sentar, vire-se para o norte ou leste de modo a aproveitar as vibrações magnéticas favoráveis. Sente-se numa postura estável e confortável, com a coluna e o pescoço eretos, mas não tensos. Isso ajuda a estabilizar a mente e encoraja a concentração. A corrente psíquica deve poder deslocar-se sem impedimento da base da coluna até ao topo da cabeça. Não é necessário colocar as pernas em padmasana, a postura clássica de lótus. Qualquer posição de pernas cruzadas providencia uma base firme para o corpo. Cria um caminho triangular para o fluxo de energia, que deve ser contida em vez de dispersada em todas as direções. Metabolismo, ondas cerebrais e respiração tornar-se-ão lentos à medida que a concentração se aprofunda.
- Antes de começar, instrua a sua mente para ficar quieta por uma duração de tempo específico. Esqueça o passado, presente e futuro.
- Conscientemente, regule a respiração. Comece com cinco minutos de respiração abdominal profunda para trazer oxigênio ao cérebro. Então, abrande-a até um nível imperceptível.
- Mantenha a respiração rítmica. Inale durante três segundos e exale durante três segundos. A regulação da respiração também regula o fluxo de prana, a energia vital. Se um mantra é utilizado, ele deve ser coordenado com a respiração.
- Permita que a mente vagueie no princípio. Ela saltará de um lado para o outro, mas eventualmente tornar-se-á concentrada, juntamente com a concentração de prana.
- Não force a mente a estar quieta. Isso porá em movimento ondas cerebrais adicionais, entravando a meditação. Se a mente persistir em vaguear, desassocie-se simplesmente dela, e observe-a, objetivamente, como se estivesse a vendo um filme. Gradualmente ela abrandará.
- Selecione um ponto focal no qual a mente, tal como um pássaro que necessita pousar, possa descansar. Para aqueles que são predominantemente intelectuais, o objeto de foco deve ser visualizado no espaço entre as sobrancelhas. Para aqueles que são mais emocionais, ele deve ser visualizado no plexo do coração. Nunca mude este ponto focal.
- Foque-se num objeto ou símbolo neutro ou edificante, mantendo a imagem no local de concentração. Se usar um mantra, repita-o mentalmente, e coordene a repetição com a respiração. Se não tem um mantra pessoal, pode usar o OM. Apesar de a repetição mental ser mais forte, o mantra pode ser repetido em voz alta se nos tornarmos sonolentos. Nunca mude de mantra.
- A repetição levará ao pensamento puro, no qual a vibração sonora se funde com a vibração do pensamento, e não há consciência do significado. A repetição vogal progride através de repetição mental para a linguagem telepática, e daí para o pensamento puro. Este é um estado sutil de bem-aventurança transcendental com dualidade, onde permanece a consciência de sujeito e objeto.
- Com a prática, a dualidade desaparece e o Samadhi, o estado superconsciente, é alcançado. Não seja impaciente, já que isso leva muito tempo.
- No Samadhi, está-se num estado de bem-aventurança no qual o conhecedor, conhecimento e conhecido se tornam um. Este é o estado superconsciente alcançado por místicos de todas as fés e confissões religiosas.
- Comece a prática de meditação com período de vinte minutos e aumente-a para uma hora. Se o corpo for subjugado por sacudidelas ou tremores, controle-os e mantenha a energia internalizada.
Om Tat Sat!
O que é meditação? Por que meditar?
O que é meditação? Por que meditar?
Durante a meditação, há uma observação constante da mente. Isso requer um tempo e um lugar com o propósito específico de descobrir esse poço infinito de sabedoria que existe em nosso interior. A meditação é uma experiência que não se pode descrever, tal como as cores não podem ser descritas a uma pessoa cega. Todas as experiências comuns estão limitadas pelo tempo, espaço e causalidade. Toda experiência finita é medida em termos de passado, presente e futuro. Estes conceitos são ilusórios, já que não perduram.
O estado meditativo transcende todas as limitações. Nele não existe nem passado nem futuro, mas somente a consciência do EU SOU, no eterno AGORA. Este grau de consciência só é possível quando todas as ondas mentais estiverem se aquietado e a mente deixado de existir. A meditação é um estado de consciência, é o quarto estado ou “turya”. Os outros estados são: vigília, sono e sono profundo.
Qual o propósito da vida?
Em sua busca pela felicidade, a maioria das pessoas se volta invariavelmente para objetos e acontecimentos externos. Pensamos, “se pudesse comprar um carro novo” ou “se conseguisse esse trabalho fantástico eu seria feliz”. A mente pode aquietar-se e estar em paz por pouco tempo, quando consegue o objeto desejado; mas finalmente se cansa do seu brinquedo ou experiencias novas e busca o prazer em outro lugar. Os objetos externos fracassam quando pretendem trazer uma felicidade permanente.
Nós confundimos a calma mental que se experimenta ao conseguir um objeto com a posse do objeto.
O desafio é, então, ganhar o controle do mundo inteiro. A mente conversa constantemente consigo mesma, revivendo fatos do passado, adequando-os a um melodrama melhor, planejando o futuro, discutindo os prós e os contras disso ou daquilo. Mediante o aquietamento metódico de suas continuas divagações ou diálogo interno, e concentrando-se em objetos positivos elevados, é possível começar a conhecer a entender os mecanismos da psique e dar lugar a uma vida mais conveniente e eficaz.
Em certo sentido a mente é como um disco. Contém sulcos ou impressões que se chamam “samskaras” em sânscrito. Estes samskaras se formam quando determinadas ondas de pensamento ou “vrittis” se tornam habituais.
Os samskaras não são necessariamente negativos. Pode haver “sulcos” na mente que elevam e inspiram, e outros que atormentam e deprimem. O propósito deliberado da meditação é criar “sulcos” mentais novos e positivos e erradicar aqueles que são destrutivos. É um processo completamente científico, mas a meta é espiritual. Contudo, só isso não é suficiente para eliminar o negativo.
Simultaneamente deve ser feito um esforço para desenvolver o amor, a compaixão, o espírito de serviço, a alegria, a amabilidade e todas as outras qualidades, para não somente fazer a nossa vida mais feliz, mas também para transmitir felicidade aos demais.
Através da meditação, observa-se o jogo da mente. Nas primeiras etapas não se pode fazer outra coisa que ganhar na compreensão do próprio ego, já que se pode vê-lo afirmando-se constantemente a si mesmo.
Mas, a seu devido tempo, seus jogos tornam-se familiares e a pessoa começa a preferir a paz. Quando finalmente o ego é subjugado, as energias podem ser usadas construtivamente para o crescimento pessoal e o serviço aos demais.
Através da meditação regular, a mente se torna mais clara e as motivações mais puras. O subconsciente libera conhecimento escondido e isso permite um melhor entendimento da vida. O ego se erradica gradualmente. Por último são liberadas as forças da intuição, que nos conduzem a uma vida de sabedoria e paz.
Hare Om Tat Sat!
