Arquivo da Categoria ‘Santos, Sábios e Profetas’
Paramahansa Yogananda
PARAMAHAMSA YOGANANDA
SRI SWAMI SIVANANDA
© Tradução para o Português de
SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI
SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL

Paramahansa Yogananda nasceu no dia 5 de Janeiro de 1893, próximo aos Himalayas, em Gorakpur. Seus pais, irmãos e irmãs, eram devotos e piedosos, mas Mukunda (o nome de infância de Yogananda), era o primeiro entre eles. Ele desvelou seus dotes espirituais e poderes ainda quando criança.
Sua linhagem de Gurus, descendente de Babajis, os gurus imortais, diziam que ele era uma reencarnação de Krishna. Os discípulos de Babaji foram Lahiri Mahasaya, que por sua vez teve seu discípulo Sri Yukteswar. Este último foi o mestre espiritual de Paramahamsa Yoganana.
Por dez anos, Yoganandaji foi treinado em elevadas tarefas no Ashram do seu Guru, ao mesmo tempo em que cursava a carreira universitária. Após seu rigoroso treinamento, ele preencheu-se de luz da visão de Deus; então, ele agora estava pronto para responsabilizar-se da missão da linhagem dos seus Gurus.
A educação da juventude sempre foi apreciada pelo coração de Yoganandaji. Ele iniciou sua primeira escola na Bengala no ano de 1917. Seu currículo inclui o padrão da escola secundária, bem como Yoga, meditação e o sistema de desenvolvimento físico chamado de Yogoda.
No ano de 1920, Yoganandaji foi para a América como um delegado da Índia para o Congresso Internacional das Religiões em Boston, e a partir de então, a América tornou-se a sua casa. Cinco anos depois, ele fundou a Self-Realization Fellowship, tendo a sede central em Mount Washington, Los Angeles. Na sua famosa “Autobiografia de um Yogi”, Yogananda forneceu gráficas descrições das suas experiências espirituais e o contato que teve com grande Yogis da Índia. Seu livro tornou-se um grande clássico espiritual no mundo, tendo sido traduzido em muitas línguas.
Paramahansa Yogananda tinha um amplo e liberal coração. Ainda que pessoalmente fosse um grande Mestre, aproximava-se de outros homens santos com grande reverência.
Kriya Yoga foi o método de realização em Deus ensinado por Yogananda. Sua missão no Ocidente foi a de espalhar o conhecimento da prática do Yoga, pelo qual uma pessoa pode entrar em união com Deus. Yoganandaji também deu novas explicações para os ensinamentos da Bíblia, mostrando a semelhança com os ensinamentos do Hinduismo. Ele promoveu um melhor entendimento entre o Ocidente e o Oriente. Numerosos estudantes receberam instruções nos ensinamentos das aulas de Yoga conduzidas por ele, durante 32 anos. Ele falou em igrejas, sociedades, universidades e clubes.
No ano de 1935, as suas aulas foram publicadas na forma de lições e enviadas para os estudantes por todo o mundo. Na Índia, os mesmos ensinamentos foram espalhados pela Yogoda Satsanga Society, com sede central em Dakshinewar.
A Self-Realization Fellowship de hoje possui centenas de centros ao redor do mundo. Há sete grandes centros na Califórnia, onde renunciados ficam para servir e praticar Yoga. Um número de monges treinados viajam ao redor do mundo, dando discursos e iniciação no Kriya Yoga para os estudantes.
Além de darem instruções sobre Yoga e vida equilibrada, a SRF também faz muitos serviços sociais, especialmente na Índia.
Yoganandaji alcançou o Mahasamadi no dia 07 de Março de 1952. O grande Mestre mostrou o seu poder sobre a morte, pois seu corpo morto não se decompôs por muitas semanas.
Link: Self-Realization Fellowship
Om Tat Sat
Zoroastro
ZOROASTRO
“Zoroaster”
SRI SWAMI SIVANANDA
© Tradução para o Português de
SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI
SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
Nascimento
Não se sabe com certeza tudo sobre a época na qual Zoroastro viveu. Alguns dizem que Zoroastro viveu em torno de 6.000 a.C. Outros sustentam que ele viveu na metade do século sete a.C.
Zoroastro foi um grande profeta entre os antigos Iranianos. Ele teve seu nascimento na ordem de adoração estabelecida por Ahura Mazda, o Senhor Supremo do Universo e para realizar a Missão Divina. Seus escritos originais próprios, o precioso Gathas, na linguagem Avesta, indica que ele era uma pessoa embriagada por Deus.
O pai de Zoroastro foi o venerável Porushaspo e sua mãe Dughdhvo. Zoroastro nasceu no oeste do Irã, em Takht-e-suleman, no distrito do Azerbaijão. Ele foi descendente direto na linhagem real, da casa de Manushcihar, o antigo rei do Irã.
O Profeta do Irã, como é conhecido pelos seus seguidores, é Zarathustra (dono do amarelo ou camelos velhos. “Ustra” significa, camelos).
Quando o profeta do Irã nasceu, a natureza regozijou-se. As árvores, os rios e as flores expressaram a sua alegria e felicidade. Os demônios se assustaram. Tão logo a criança nasceu, ele não chorou como uma criança mortal comum. Ele deu uma sonora risada. Muitos anjos e arcanjos vieram para adorá-lO.
O nome de família de Zoroastro era “Spitama”, o qual significa, “Branco”. Zoroastro tinha dois irmãos mais velhos e teve dois irmãos mais novos.
O nascimento de Zoroastro foi miraculoso. A glória de Ahura Mazda desceu do céu e entrou na casa da futura mãe do profeta. Quando ela estava grávida, arcanjos vieram até ela, adoraram e rezaram para a criança que iria nascer.
Busca da espiritualidade
Zoroastro deixou a sua casa com a idade de 20 anos e viajou de lugar em lugar. Ele levou uma vida de pureza e honestidade. Ele perambulou em florestas. Ele viveu sozinho em cavernas e no topo de montanhas. Ele controlava a sua língua e subjugou a todos os seus sentidos também. Ele era um abstêmio da Sua dieta. Ele dispendia o Seu tempo numa tranqüila meditação.
Zoroastro experienciou o Samadhi, ou comunhão com Ahura Mazda, o Senhor Supremo do Universo, no topo da montanha Sabatam. Ele teve divinas visões proféticas e conversou diretamente com Ahura Mazda e recebeu a sabedoria do Senhor. Ele recebeu sete revelações de Ahura Mazda. Com a idade de trinta anos, Ele tornou-se um profeta de Deus. Após Ele receber a luz divina da revelação, Ele tornou-se um renomado mensageiro de Ahura Mazda.
Muitos arcanjos ajudaram Zoroastro no seu caminho espiritual. Os arcanjos são mensageiros divinos de mais elevada ordem. Eles são atendentes de Ahura Mazda. Eles correspondem aos Siva-Ganas – os atendentes do Senhor Siva; e a Jaya, Vijaya, Nanda, Sunanda, etc., que são os atendentes do Senhor Vishnu. Eles são as deidades guardiãs ou os Lokapalas do mundo. Zoroastro conversou diretamente com estes arcanjos.
Vohumanah é o arcanjo dos bons pensamentos. Ele também é o Senhor que preside os animais domésticos. Ele apareceu diante de Zoroastro e ajudou-o a retirar do estojo do seu corpo e direcionar a Sua alma para a Morada Suprema de Ahura Mazda. Ahura Mazda em Si mesmo deu instruções ao profeta, e transmimtiu sabedoria divina para Ele. Zoroastro cumpriu os comandos de Ahura Mazda.
Quando Zoroastro voltou da morada celeste de Ahura Mazda, Ele foi terrivelmente atacado pela força demoníaca de Ahriman, o Satã do Zoroastrismo. Ahriman procurou matar Zoroastro, mas o poder espiritual de Zoroastro salvou-O. O profeta tornou-se o mestre de todos os demônios após conquistar Ahriman. Ele se pôs a pregar novamente.
Zoroastro experimentou uma Segunda visão. O mesmo arcanjo pediu ao profeta para tomar grande cuidado para com os animais e protegê-los.
Numa outra visão (terceira), Zoroastro conversou com Asha Vahishta, o arcanjo de retidão (justiça) que é quem é o Senhor que preside os sacrifícios de fogo. O arcanjo deu o comando para Zoroastro, para proteger o fogo sagrado e todos os fogos.
Zoroastro conversou com Khehahthra Vairya, o arcanjo da real bondade, que ó o Senhor que preside os metais. O arcanjo ordenou ao Profeta que cuidasse dos metais. Então Zoroastro conversou com Spenta Armaith, o arcanjo da modéstia, que o Senhor que preside a Terra. Então, ele conversou com Hayravatat, o arcanjo da saúde, que é o Senhor que preside a água. Por último, Ele falou com Ameretar, o arcanjo da imortalidade, que é o Senhor que preside todas as plantas.
Zoroastro teve um conhecimento perfeito da hierarquia celestial dos deuses, através destas visões. Zenda Avesta, a qual é a Bíblia e a Gita dos Parsis, contém a sabedoria a qual o profeta recebeu de Ahura Mazda, o Senhor Supremo.
As experiências divinas de Zoroastro são similares às experiências de Satyakama Jabala do Chhandogya Upanishad. O Deus-vento, o Deus-fogo, o Deus-sol, e Varuna, ou a deidade que preside as águas, transmitiram divino conhecimento a Satyakama. O arcanjo Vahishta, é o Deus-fogo ou Agni dos Hindus. O arcanjo Hauravatat é Varuna dos Hindus.
Zoroastro não gostava dos Kavis e dos Karpans, que foram os chefes dos adoradores do demônio, os karpans eram devotados aos ritos e cerimônias. Eles eram viciados em Homa, uma bebida intoxicante, usada nas suas cerimônias religiosas. O Profeta tentou converter todos os adoradores de demônio, os homens e mulheres maus, e seus chefes, a saber: os Kavis e os Karpans. Os Kavis e os Karpans eram sacerdotes. Naturalmente, todos os sacerdotes ordodoxos eram opostos a ampla reforma. Zoroastro falhou na sua tentativa.
O sucesso da nova religião tornou-se a causa para duas amargas guerras entre o Irã e o Turan. Zarir, o irmão do rei Vishtasp, e o rei em si mesmo, tornaram-se inimigos. Zarir representava uma maravilhosa região. Ele foi um formidável herói na guerra. Sua bravura foi descrita por Vidrasfsh. Aryasp, o rei Turaniano, prometeu dar a sua filha em casamento para Vidrasfsh, por fazer um horrível e desonroso ato.
Bastwar, o jovem filho de Zarir, um poderoso herói, a quem a bravura é chamada um Maharatha, equipara-se à força de Bhisma, matando Vidrasfsh e derrotando Aryasp.
O rei Aryasp, novamente, invadiu o Irã dezoito anos após a sua derrota. Ele destruiu templos, matou os sacerdotes e queimou o Zend Avesta. Na segunda guerra, o herói foi Ispendiar, o filho do rei Vishtasp. Ele defendeu Arvas, levando-o para fora do Irã e matando-o.
O Profeta do Irã rezava diante do altar do templo de Nush-Adar, com um rosário nas Suas mãos. Um Turiniano, com o nome de Bratok-resh, matou o Profeta com sua espada.
Zoroastro jogou o Seu rosário em Bratrok-resh. Um fogo saiu do rosário. Ele atacou Bratrok-resh e o destruiu. Zoroastro morreu com a idade de setenta anos. Mas o glorioso Profeta do Irã, o grande mensageiro de Ahura Mazda, e o fundador do Zoroastrismos, ou a religião de adoração Mazda, permanece.
Zoroastro foi piedoso, nobre e com compaixão. Sua mensagem foi uma mensagem nobre, de elevada moral da vida, a qual pavimentou a via do alcance da imortalidade e da eterna bem-aventurança, e a doutrina de Deus da Retidão, ou Ahura Mazda “Amem a retidão. Tenham compaixão com os aflitos”, isto se constitui o essencial dos ensinamentos éticos de Zoroastro.
Parsvanatha
PARSVANATHA
SRI SWAMI SIVANANDA
© Tradução para o Português de
SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI
SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
Parsvanatha
Parsva é respeitado como sendo uma encarnação de Indra. Ele foi o filho do rei Visvasena de Kashi, um descendente da família Ikshvaku, da rainha Bama Devi, filha do rei Mahipala. Ele foi o vigésimo terceiro Tirthankara. Ele nasceu no décimo sétimo dia da luz escura, no mês de Pousha, no ano de 871 a.n.e.
Parvanatha iniciou a prática das doze promessas de um chefe-de-família quando ele tinha apenas oito anos de idade.
O Príncipe Parsva tinha dezesseis anos quando ocupou o trono. Seu pai Visvasena disse: “Meu filho, com o objetivo de dar continuidade da celebração da nossa dinastia real, você deve casar-se agora. Como era desejo do Raja Nabhi, Rishbha tinha que casar”.
Parsvanatha ficou muito assustado quando ouviu estas palavras de seu pai. Ele disse: “Meu tempo de vida não será tão longo quanto o de Rishabha. Eu viverei apenas uns poucos anos. Eu já vivi dezesseis anos em brincadeiras infantis. Eu devo ser ordenado no meu trigésimo ano. Devo eu ter uma vida de casado por tão pouco período de tempo, na esperança de conseguir prazeres, os quais, após tudo, são apenas imperfeitos, ilusórios e passageiros?”
O coração de Parsvanatha estava repleto de espírito de renúncia. Ele refletiu dentro de si mesmo:
“Por longos, longos anos, eu desfrutei o status de Indra, e mesmo assim o desejo por prazeres não diminuiu. O desfrute dos prazeres apenas aumenta o desejo por prazeres, assim como a adição de combustível aumenta a força do fogo. Os prazeres na hora do desfrute são agradáveis, mas suas conseqüências são certamente desastrosas”.
“A alma experimenta infindável sofrimento de nascimentos, velhice, etc., por causa do seus apegos com os objetos mundanos. Para satisfazer o desejo dos sentidos, as pessoas vagueiam no reino da dor. Então, para ter gratificação sensorial, elas não respeitam as injunções morais, cometendo vícios depravados. Elas matam as entidades vivas, como os animais, para desfrutar dos prazeres da língua. A luxúria é a raiz do roubo, bem como do orgulho, adultério, e de todos os vícios e crimes”.
“Como conseqüência destes atos pecaminosos, a alma é forçada a migrar de nascimento em nascimento no reino de animais inferiores, etc., e a ser atormentada no inferno. Assim a luxúria por prazeres deve ser severamente evitada. Assim eu passei a minha vida. Eu não vou mais gastar tempo em propósitos vãos dos prazeres, eu serei uma pessoa séria a praticar a reta conduta”.
O Príncipe Parsva teve doze Anupreksha ou meditações. Ele resolveu abandonar a vida mundana. Ele deixou seus pais e a sua casa. Ele retirou-se para o interior da floresta. Ele ficou absolutamente nu. Ele direcionou-se para o norte, e curvou-se para a grande libertação. Ele tirou corajosamente cinco tufos de cabelos da sua própria cabeça e tornou-se um monge.
Parsva praticou jejum. Ele observou com extremo cuidado as vinte e oito regras primárias, e noventa e quatro regras secundárias da ordem dos monges. Ele estava sempre mergulhado em profunda meditação. Ele alcançou a onisciencia pura. Ela alcançou a liberação final na montanha Sammeda, a qual hoje é conhecida como Montanha Parscanatha.
Parsvanatha pregou em Kashi, Kosi, Kosala, Panchala, Maharashtra, Magadha, Avanti, Malava, Anga e Vanga. Muitos se juntaram à fé Jainista. Parsvanatha dispendeu setenta anos em pregação.
Mahavira modificou e ampliou o que de fato havia sido ensinado por Parsvanatha. Ele não pregou nada que fosse absolutamente novo.
Parsvanatha viveu por cem anos. Ele abandonou a sua casa quando ele tinha a díade de 30 anos. Ele deixou a sua casa no ano de 842 a.n.e., e atingiu o Nirvana em 772 a.n.e.
Glória a Parsvanatha, o vigésimo terceiro Tirthankara!
Mahavira
MAHAVIRA
SRI SWAMI SIVANANDA
© Tradução para o Português de
SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI
SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
1. Nascimento e origem
Mahavira nasceu em 599. Viveu por 72 anos. Ele saiu de casa em 569, atingiu a onisciência em 557, e entrou em Nirvana em 527. Ele foi o último Tirthankara.
Mahavira viveu uma vida de absoluta austeridade, uma vida de perfeita honestidade e de total castidade. Ele viveu sem possuir qualquer propriedade.
Mahavira foi filho de Sidhantha, rei de Kundalpura, e da rainha Trisala, que era conhecida com o nome de Priya Karni. “Maha” significa grande, e “Vira”, significa herói. “Tirtha” literalmente significa “passar a vau”, ou um meio de cruzar além. Metaforicamente, ele denota um guia espiritual ou a filosofia a qual capacita alguém a cruzar o oceano de repetidos nascimentos e mortes. “Kara” significa “alguém que faz”. Toda a palavra “tirthankara” significa “um santo mestre Jainista”.
2. Propósitos
Mahavira não foi o fundador do Jainismo. Ele revisou a doutrina Jainista. Ele foi o reformador, mais do que o fundador da fé. Na metafísica Jainista, o “tempo” é dividido em ciclos. É dito que a cada meio-ciclo, vinte e quatro Tirthankaras, ao longo de um período, prega-se novamente as doutrinas. Mahavira foi o vigésimo quarto Tirthankara, e como os outros, ele reivindicou ter adquirido onisciência.
Mahavira é também conhecido com os nomes de Vardhamana (i.e., sempre avançam), e Sanmati. Com oito anos de idade ele obsevou as doze formas de Ahimsa, etc. Ele foi obediente a seus pais, e os servia com grande fé e devoção. Ele foi um hábil estadista. Ele jamais se casou.
Mahavira estava imerso na autocontemplação. Ele sabia que os prazeres do mundo são transitórios, e que eles reforçam as letras do karma. E sabia que a renúncia conduziria ao alcance da eterna bem-aventurança.
As pessoas ficavam surpresas com a natureza virtuosa de Mahavira, desde tenra idade. Ele era muito interessado em meditação e cultivava a música e a literatura. Trinta anos se passaram na vida do Príncipe Vardhamana desta forma.
Vardhamana viu, por intermédio de sua visão clarividente, que ele havia passado por inumeráveis nascimentos. Ele pensou: “Quantos nascimentos foram vividos à toa! Eu vejo com clareza que a alma está essencialmente separada do Karma da matéria. Eu gastei trinta anos de minha vida e não pratiquei nenhuma penitencia. Eu não renunciei ao mundo com o fim de alcançar o Conhecimento Puro. A paixão a qual é a raiz de todo o mal não pode ser destruída”.
3. Máximas Jainistas
O príncipe Vardhamana tornou-se extremamente penitente. Decidiu abandonar todas as coisas mundanas. Ele abandonou o apego a seus pais, amigos e parentes. Ele pensava sobre os doze Anuprekshas ou a matéria de pensamento profundo, de acordo com as escrituras Jainistas, a saber:
1. Todas as coisas mundanas são temporárias.
2. Apenas a alma é o único refúgio.
3. Este mundo é sem começo e deformado.
4. Nada ajuda mais a alma do que a si mesma.
5. Corpo, mente, etc, são, essencialmente, separados da alma.
6. A alma é essencialmente pura, e o corpo, etc., são impuros.
7. O cativeiro da alma é devido à influência do Karma nela.
8. Todos os seres devem controlar esta influência.
9. A liberação é alcançada quando se está absolutamente livre do Karma.
10. A alma liberada combina-se preenchendo o espaço.
11. Neste mundo, ter um nascimento como ser humano e meditar na natureza da alma é a maior bênção.
12. Ter as três jóias comum descritas pelo onisciente é apenas moralidade.
4. Renúncia
Mahavira pensou nestas doze máximas e decidiu finalmente que deveria abandonar o lar. A mãe de Mahavira disse-lhe: “Meu amado filho, você não está capacitado para suportar severas austeridades. Não há tempo para isto. Você precisa ajudar o seu pai a governar o reino. Você pode tornar-se um monge depois de alguns anos”.
Mahavira disse: “Adorável mãe! Todos os objetos do mundo são passageiros como o mundo. Onde pode alguém conseguir a felicidade neste mundo, o qual é a morada da doença, do sofrimento, da dor e da morte? Eu devo abandonar este mundo!”
Mahavira distribuiu toda a sua riqueza para os pobres com suas próprias mãos. Ele foi para a floresta. Ele retirou até mesmo a peça de roupa que estava vestindo e ficou absolutamente nu. Ele virou-se para o norte e disse: “Saudações para Siddhas!”. Ele arrancou com suas próprias mãos cinco tufos de cabelo da sua cabeça e tornou-se um monge. Mahavira praticou longas austeridades. Ele jejuava por muitos dias. Ele meditava na natureza pura da alma.
Mahavira foi testado por seres celestiais. Um grupo de formosas mulheres rodeou-o. Mas Mahavira permaneceu imperturbável e intocável. Ele alcançou a onisciência. Ele pregou a sua mensagem de paz por trinta anos após alcançar a onisciência. Ele andava em Magadha, Mimtuila, etc., e muitos reis tornaram-se seus discípulos.
Hari Om Tat Sat
Lord Buddha
BUDDHA
“Lord Buddha”
SRI SWAMI SIVANANDA
© Tradução para o Português de
SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI
SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
“Om Namo Tassa Bhagavato Arahato Samma-Sambuddhasa!”
“ Honra ao Abençoado Uno, o Sagrado Uno, Todo-sábio!’
Buddham saranam gacchami:
Dhammam saranam gacchami:
Sangham saranam gacchami:
Eu vou para Buddha por refúgio;
Eu vou para refúgio nos Ensinamentos;
Eu vou para refúgio na Ordem.
1. Nascimento
No sexto século antes da era Cristã, a religião estava esquecida na Índia. Os grandes ensinamentos dos Vedas foram jogados no chão. Havia muitos sacerdotes que trabalhavam por dinheiro em todo o lugar. Os sacerdotes não-sinceros aproveitavam-se da religião para lucro próprio. Eles enganavam as pessoas numa grande variedade de métodos e acumulavam riquezas para si próprios. Eles eram totalmente irreligiosos. Em nome da religião, as pessoas seguiam os passos desses sacerdotes cruéis e realizavam rituais sem significado. Eles matavam estupidamente animais inocentes e faziam vários sacrifícios. O país necessitava de uma reforma desta horrenda conduta, reforma que seria protagonizada por Buddha. Neste período crítico, quando havia muita crueldade, degeneração e injustiças em todo o lugar, a reforma de Buddha surgiu para colocar abaixo esses maus sacerdotes e acabar com o sacrifício de animais, bem como para salvar as pessoas dessa situação, e disseminar a mensagem de igualdade, unidade e amor cósmico em todo o lugar.
O pai de Buddha foi Suddhodana, o rei de Sakhyas. A mãe de Buddha chamava-se Maya. Buddha nasceu por volta de 560 a.C., e morreu por volta de oitenta anos, em 480 a.C. O local de nascimento foi um bosque conhecido como Lumbini, próximo a cidade de Kapilavasty, aos pés do monte Palpa, na cadeia de montanhas do Himalaia, divisa com o Nepal. Esta pequena cidade, Kapilavastu, fica às margens do rio Rohini, algumas centenas de milhas ao nordeste da cidade de Varnasi. Ao aproximar-se da noite em que Buddha viria ao mundo, os deuses, em si mesmos, prepararam o caminho com presságios celestes e sinais. Flores nasceram e uma doce chuva, embora fora da estação, caiu gentilmente; música celestial foi escutada, e um delicioso perfume encheu o ar. O corpo da criança veio à luz com trinta e duas marcas auspiciosas (Mahavyanjana), as quais indicavam o Seu grande futuro, além de marcas secundárias (Anuvyanjana), em grande número. Maya morreu sete dias depois de seu filho nascer. A criança foi criada pela irmã de Maya, Mahaprajapati, que se tornou a Sua mãe adotiva.
2. Predições do Astrólogo
No nascimento da criança Siddhartha, os astrólogos predisseram ao seu pai, Suddhodana, o seguinte: “A criança, ao chegar na idade adulta se tornará um monarca universal (Chakravarti), abandonando a casa e o lar, irá assumir a túnica de um monge e se tornará um Buddha, uma perfeita alma iluminada, para a salvação da humanidade”. Então, o rei disse: “Por que deverá meu filho preocupar-se em se retirar do mundo?”, no que o astrólogo replicou: “Quatro sinais!” “Quais são estes quatro?”, perguntou o rei. “Um decrépito homem velho; um homem doente; um homem morto e um monge. Estes quatro irão fazer o príncipe retirar-se do mundo”, respondeu o astrólogo.
3. Ensinamentos de Buddha
O Senhor Buddha pregou: “Nós devemos descobrir a causa do sofrimento e o meio de escapar dele”. O desejo por prazeres sexuais prende à vida terrestre, e é causa de sofrimento. E se nós pudermos erradicar este desejo, todo o sofrimento e dor terão um fim, então nós iremos nos regozijar no Nirvana ou paz eterna. Aqueles que seguem estritamente o Nobre Caminho das Oito Regras, a saber: reta opinião, reta resolução, reto falar, reta conduta, reto trabalho, reto esforço, reto pensamento e reta autoconcentração, ficarão livres do sofrimento. Isto realmente, Ó mendicante, é o Caminho do Meio, no qual o Tathagata é perfeitamente compreendido, o qual produz a percepção, a qual produz conhecimento, e o qual conduz para a calma e serenidade, para o conhecimento sobrenatural, a perfeita veste de Buddha, e conduz ao Nirvana. Novamente, Ó mendicante, assim é a nobre verdade do sofrimento: Nascimento é dor; velhice é dor; doença é dor; separação dos objetos amados é dor; o desejo, o qual não se alcança, isto também é dor – em resumo, os cinco elementos do apego à existência são dor. Os cinco elementos do apego à existência terrestre são a forma, a sensação, a percepção, os agregados e a consciência.
4. Introdução sobre o Budismo
Buddha nasceu na fronteira do Nepal, por volta de 620 a.C, e morreu por volta de 543 a.C, em Kusinagara no Oudh.
O Budismo foi fundado por Gautama Sakya Muni, a criança rebelde do Hinduísmo. Ele veio do Hinduismo. Buddha jamais pensou ou fundou uma religião. Ele não fez nenhuma nova descoberta. Ele apenas proclamou a antiga e pura forma de religião que prevalecia por entre os Hindus.
A pura e nobre religião dos Vedas e dos Upanishads foi degenerada dentro de formas mortas, sem o propósito dos ritos e cerimônias. Os Brahmins reivindicavam honra meramente pelo nascimento. Eles negligenciavam os estudos dos Vedas e a prática da virtude. Os Brahmnis foram negligentes de forma exagerada, e os Sudras (a classe dos servos), eram tratados com muita severidade. Com o objetivo de comer carnes, buscavam a falsa retificação religiosa; milhares de animais eram sacrificados e maltratados em Yajñas (cerimônias onde eram oferecidos sacrifícios). Assim era o estado em que se encontrava de forma semelhante a sociedade na época em que Buddha apareceu. Sua proposta de amor no coração foi para que não mais se derramasse o sangue dos inocentes em nome da sagrada religião. Buddha declarou que é o mérito, e não o nascimento, que determina a posição do homem na sociedade. Os Sudras perseguidos juntaram-se a Ele em grande número, e inconscientemente tornaram-se fundadores de uma nova fé.
O Budismo é a religião do ardente e destemido esforço. Buddha exigiu da sua fé o seu próprio Ser, as Suas próprias forças latentes. Sem esta fé, nada poderá ser alcançado. As primeiras palavras de Buddha, após a Sua iluminação foram: “Escancarados estão os portões da imortalidade. Vós que escutais, ouçam, realizam a vossa fé”.
5. O Nobre Caminho das Oito Verdades
O Evangelho de Buddha é simples, e mesmo assim é maravilhosamente profundo. Buddha analisou todas as experiências, e os processos do mundo, e como eles aparecem para todos nós, com o estado de espírito científico. Ele descobriu que tudo é mutável, está trocando, e impermanente ou transitório. Há o sofrimento, a desarmonia, discórdia e descontentamento em toda a vida, por causa da impermanência ou transitoriedade das coisas ao redor. Esta experiência universal de sofrimento ou Dukka é o ponto de partida para o pensamento de Buddha. Buddha não pregou o pessimismo. Ele foi maravilhosamente otimista. Ele enfaticamente afirmava que aqui há um caminho para sair do sofrimento, e um céu de bem-aventurança eterna é alcançado dentro de cada ser humano.
As quatro grandes verdades ou princípios os quais Buddha pregou, são: que há sofrimento no mundo; que a causa do sofrimento é Tanha ou desejo; que a extinção do desejo leva a cessação do sofrimento e que esta extinção do desejo pode ser alcançada pelo Nobre Caminho das oito dobras.
As leis de Buddha dão grande ênfase no caminho da vida. Elas evitam que os dois extremos da auto-indulgência (satisfação excessiva dos próprios desejos), e da auto-mortificação, e prescreveu o Caminho-do-meio. Ele disse: “Ó solitários, evitem estes dois extremos, descobertos pelo Tathagata (epíteto para Buddha), um caminho o qual abre os olhos e entrega entendimento, o qual conduz para a paz da mente, o elevado saber, e plena iluminação, para o Nirvana”.
O que é o Caminho-do-Meio? Ele é o Nobre caminho das oito Dobras os quais constituem, assim dizendo, o pleno código de ética de Buddha:
O Nobre Caminho das Oito Verdades consiste da prática de:
1. Reto acreditar ou reto entendimento ou reta visão;
2. Reta aspiração;
3. Reto falar;
4. Reta conduta ou reta ação;
5. Reto viver ou reto meio de vida;
6. Reto esforço;
7. Reta atenção plena da mente e,
8. Reta concentração ou meditação.
Estes são os oito passos no caminho da vida apresentados por Buddha, os quais aniquilam o sofrimento de todos os tipos e conduzem ao alcance do Nirvana ou libertação. O Nobre Caminho das oito dobras destrói a luxúria, a ira, o orgulho, a maldade e a malícia, e purifica o coração. Então amanhece Bodhi ou iluminação, a qual concede a perpétua e perfeita paz, a eterna bem-aventurança e a imortalidade. A palavra “Nirvana” literalmente significa: “retirar”. Ela significa uma experiência espiritual plena de paz e bem-aventurança, a qual se caracteriza por “retirar” do coração os três fogos: da luxúria, má-vontade e estupidez.
Om Tat Sat!
Guru Nanak
GURU NANAK
SRI SWAMI SIVANANDA
© Tradução para o Português de
SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI
SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
1. Nascimento
Toda a vez que uma grande catástrofe cai por sobre a Terra; toda a vez que a justiça declina; toda a vez que há o predomínio da opressão e do caos na Terra; toda a vez que a fé das pessoas em Deus diminui, grandes homens ou santos aparecem, de tempos em tempos para enriquecer a literatura sagrada, proteger o Dharma, para destruir a injustiça e despertar o amor por Deus nas mentes das pessoas. A Índia estava comprometida. Os Bárbaros haviam invadido o seu território. Seus exércitos haviam sido atacados bem como muitas cidades sagradas. Os ascetas feitos prisioneiros foram colocados em trabalhos forçados. Houve ataques em todos os lugares. Os reis eram sedentos de sangue, eram cruéis e tirânicos. Não havia uma religião verdadeira, mas havia uma perseguição religiosa. O real espírito da religião foi esmagado pelo ritualismo. Os corações das pessoas estavam cheios de falsidade, astúcia, orgulho e egoísmo. Tal era a época em que Guru Nanak veio ao mundo, com uma mensagem de paz, unidade, amor e devoção a Deus. Ele veio ao mundo na época em que havia lutas entre os Hindus e os Maometanos, quando a verdadeira religião havia sido substituída por rituais e formalidades. Ele veio pregar o evangelho da paz, da irmandade e da unidade da humanidade, amor e sacrifício aos sofredores.
Nanak, místico Khatri e poeta, fundador da religião dos Sikhs, nasceu em 1469, num vilarejo chamado Talwandi em Rvi, em Lahore, no distrito de Punjab. Ao lado da casa na qual Guru Nanak nasceu, havia um famoso lugar de peregrinação chamado de “Nanakana Sahib”. Nanak ficou conhecido como o Profeta do Punjab e Sind. O pai de Nanak foi Mehta Kalu Chand, conhecido popularmente como Kalu. Ele era o contador do vilarejo. Ele foi agricultor, também. A mãe de Nanak foi Tripta. Mesmo na sua infância, Nanak possuía uma disposição mística e costumava falar sobre Deus com os Sadhus. Ele possuía uma mente contemplativa e uma natureza piedosa. Ele passou a dedicar seu tempo para a meditação e prática espiritual. Ele tinha, por hábito, uma natureza reservada, e comia muito pouco.
2. A Educação de Nanak
Quando o menino Nanak tinha sete anos, foi enviado a Gopal Pandha, para aprender Hindi. O professor ensinou Nanak a ler um livro. Nanak respondeu: “Qual a vantagem que terei em conhecer tudo e não conhecer nada sobre Deus?” Então o professor escreveu o alfabeto em Hindi para ele numa lousa de madeira. Nanak disse para o professor: “Por favor, diga-me, senhor, quais os livros que o senhor estudou? qual é a extensão do seu conhecimento?” Gopal Pandha respondeu: “Eu sei matemática, e coisas necessárias para os negócios”. Nanak respondeu, “Este conhecimento não irá auxiliar o senhor a alcançar e obter a liberdade”. O professor ficou atônito ao ouvir estas palavras do menino. Então disse para ele: “Nanak, diga-me alguma coisa a qual possa me auxiliar a obter a salvação”. Nanak disse: “Ó professor! Queime o amor mundano, faça dele cinzas como tinta e faça do seu intelecto uma fina folha de papel. Agora faça do amor de Deus sua caneta, e de seu coração o escritos, e sobre as instruções de seu Guru, escreva e medite. Escreva o Nome do Senhor e Suas glórias e escreve: ‘Ele não tem limites deste ou daquele lado’. Ó mestre! Aprenda a escrever isso”. O professor ficou impressionado com tal maravilha.
Então Kalu enviou seu filho para o Pandita Brij Nath para aprender Sânscrito. O Pandita escreveu para ele “OM”. Nanak perguntou ao professor o significado para palavra “OM”. O professor respondeu: “Você não tem nada que saber sobre o significado de “OM” agora. Eu não posso lhe explicar o que significa”. Nanak, então, disse: “Ó professor! Qual a utilidade de aprender sobre algo sem saber o seu significado? Eu mostrarei para o senhor o significado de OM”. Então, Nanak deu uma elaborada explicação do significado do OM. O Pandita em Sânscrito ficou atônito e maravilhado com tal explicação.
3. As Ocupações de Nanak
Então Kalu tentou o seu melhor plano para fazer Nanak direcionar-se para as coisas mundanas. Ele colocou Nanak no trabalho para cuidar do cultivo da terra. Nanak não dava a mínima atenção para este trabalho. Ele meditava mesmo nos campos. Ele foi enviado para cuidar do gado, mas a sua mente estava sempre centrada em adorar a Deus. O gado cruzava livremente o campo vizinho. Kalu repreendia Nanak por sua negligência. Nanak respondia: “Eu não sou negligente nem preguiçoso, mas muito ocupado em guardar meu próprio campo”. Kalu perguntou: “Onde estão seus próprios campos”? Nanak respondeu: “Meu corpo é um campo. A mente o lavrador. A retidão é o cultivo. A modéstia é a água para a irrigação. Eu tenho semeado o campo com a semente do Santo Nome do Senhor. O contentamento é minha colheita. A humildade é a sua cerca. As sementes irão germinar dentro de um bom campo com amor e devoção. Afortunada é a casa na qual semelhante colheita é feita! Ó senhor, o dinheiro não irá nos acompanhar no próximo mundo. Ele não possui nenhum valor lá, mas há poucos que entendem a natureza ilusória do dinheiro”.
Então Kalu o colocou para trabalhar num pequeno negócio. Nanak distribuía as coisas para os Sadhus e pessoas pobres. Ele sempre dava em caridade qualquer coisa da casa do seu pai ou da loja. Nanak dizia: “Minha loja é feita de tempo e espaço. Seu depósito consiste em mercadorias da verdade e do autocontrole. Eu as estou sempre distribuindo a meus clientes, os Sadhus e os Mahatmas, o que é deveras muito lucrativo”.
Quando Nanak tinha quinze anos de idade, seu pai deu a ele vinte rúpias e disse: “Nanak, vá ao mercado e compre alguma mercadoria lucrativa”. Kalu enviou o seu servo Bala, para que acompanhasse Nanak. Nanak e Bala alcançaram Chular Kana, um vilarejo cerca de vinte milhas de Talwandi. Nanak encontrou uma festa de Faquires. Ele pensou consigo mesmo: “Deixe-me gratificar estes faquires agora. Esta é o negócio mais lucrativo que posso fazer”. Ele comprou provisões e alimentou os faquires suntuosamente. Então ele voltou para casa. O servo disse para seu mestre do negócio o que seu filho havia feito. Kalu ficou muito perturbado. Ele deu um tapa no rosto de Nanak.
O pai de Nanak pensou que ele estava fazendo um trabalho sedentário. Portanto, ele disse para Nanak: “Ó meu querido filho! Monte num cavalo e faça viagens de negócios. Isto será muito bom para você”. Nanak respondeu: “Honrado pai! Meu negócio é o conhecimento divino. Os lucros são a carteira cheia de boas ações, com as quais eu certamente irei alcançar o domínio do Senhor”.
Então Kalu Chand disse para Nanak: “Se você não gosta de negócios ou comércio, talvez você sirva para algum serviço”. Nanak respondeu: “Eu já sou um servo de Deus. Eu tenho me esforçado para fazer minhas obrigações honestamente, e de todo o meu coração no serviço para o meu Senhor. Eu executo Seus pedidos implicitamente. Eu desejo fervorosamente a recompensa da divina graça para o Senhor através do serviço a Ele de modo infatigável e incessante”. Ao ouvir isso, o pai de Nanak ficou em silêncio e retirou-se.
4. Dois milagres
Há um incidente digno de nota que está ligado à visita de Nanak a cidade de Mecca. Em Meccha, Nanak foi encontrado dormindo, com seus pés em direção a Kaaba, local no qual os Maometanos prostram-se para realizar as suas orações. Kazi Rukan-ud-din, que viu aquilo, iradamente advertiu: “Infiel! Como ousa você densonrar o local de Deus, virando seus pés em direção a Ele?” E então chutou Nanak. Nanak calmamente respondeu: “Eu estou cansado. Coloco os meus pés em qualquer lugar, de Deus ou não”. O Kazi segurou os pés de Nanak furioso, e moveu-os na direção oposta. Neste momento, a mesquita também se moveu. O Kazi ficou estupefato com a maravilha. Então ele reconheceu a glória de Guru Nanak.
Guru Nanak visitou Hassan Abdal, em Attoch, distrino no na fronteira Noroeste, em 1520. Ele estava sentado sob um árvore Peepul, com os pés numa pequena elevação. No topo da montanha vivia um santo Maometano chamado de Vali Quandhari. Havia uma fonte de água na montanha. Mardana costumava pegar água da fonte. Guru Nanak ficou muito popular em pouco tempo. O santo Maometano ficou com inveja. Ele proibiu Mardana de pegar água da fonte. Mardana disse para Guru Nanak sobre a proibição do santo Maometano. Guru Nanak disse para Mardana: “Ó Mardana! Não tenha receios. Deus irá enviar água para nós em breve aqui embaixo”. A fonte no topo da montanha secou imediatamente, e uma fonte brotou nos pés onde Guru Nanak descansava. O santo ficou muito enfurecido. Ele arremessou uma grande pedra do topo da montanha, que caiu exatamente onde Nanak estava sentado. Guru Nanak parou a pedra com suas mãos abertas. As impressões de suas mãos existem na rocha até hoje. Então o santo veio até Guru Nanak, prostrou-se diante dele e pediu perdão. Guru Nanak sorriu, e perdoou o arrogante santo. Hoje há um belo santuário no lado da fonte, o qual é chamado de “Punja Sahib”.
5. Os Ensinamentos de Guru Nanak
Guru Nanak sempre insistia nisso: “Realize a unidade com tudo e com todos. Ame a Deus. Ame a Deus nas pessoas. Cante o amor por Deus. Repita os Nomes de Deus. Cante Suas glórias. Ame a Deus como o lótus ama a água; como o pássaro Chatak ama a chuva; como a esposa ama o seu marido. Faça do amor divino a sua caneta, e de seu coração o escritor. Se você repetir o Nome de Deus, você viverá; se você se esquecer disso, você morrerá. Abra seu coração para Deus. Entre em comunhão com Ele. Aconchegue-se nos Seus braços e sinta o Seu divino abraço”.
Nanak nos deu um belíssimo sumário dos seus ensinamentos, num dos seus hinos seguintes:
Ame os santos de todas as fés:
Jogue fora seu orgulho.
Lembre-se da essência da religião
É submissão e simpatia,
Não roupas finas,
Não a vestimenta ou as cinzas que cobrem o Yogi,
Não o soprar cornetas
Não o raspar a cabeça,
Não longas orações,
Não recitações e torturas,
Não o caminho asceta,
Mas uma vida de bondade e pureza,
Entre as tentações do mundo.
“Vahe Guru” é o Guru Mantra dos seguidores de Guru Nanak. Outro importante mantra para repetir é : “Ek Omkar Satnam Karta Purkh Nirbhav Nirvair, Akalmurat Ajuni Savai Bhang Gur Parsad”. Ele soa como: “Deus é senão uno; Seu nome é Verdade, Ele é o Criador, Ele penetra em todo o universo; Ele é sem medo; Ele é sem inimigos; Ele é imortal; Ele é sem nascimento; Ele é auto-nascido e auto-existente; Ele é o removedor da escuridão (da ignorância), e Ele é misericordioso”. O Senhor é eterno. Ele não tem começo e nem fim.”
6. Os últimos dias de Guru Nanak
Nanak estabeleceu-se em Khartarpur perto do fim da sua vida. Toda a sua família viveu junto ali nos primeiros tempos. Casas para os familiares de Guru Nanak e um Dharmashala foram também construídos. Mardana viveu sempre com o seu Guru. Cada dia o Japji e o Sohila, as orações da manhã e do entardecer, compostas por Guru Nanak, são recitadas. Guru Nanak morreu no ano de 1538, com a idade de sessenta e nove anos. Guru Angad sucedeu Guru Nanak. Outros Gurus na seqüência são: Guru Amardas, Guru Ramdas, Guru Arjun Dev, Guru Hargovind, Guru Har Rai, Guru Har Krishan, Guru Tej Bahadur e Guru Gobind Singh.
Que as bênçãos de Guru Nanak caiam por sobre todos!
Om Tat Sat
Biografia completa – Swami Sivananda Saraswati
SRI SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI
SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
SANATANA DHARMA BRASIL
GITA ASHRAMA
“Numa Quinta-feira, em 8 de Setembro de 1887, nas primeiras horas da manhã, quando a estrela Bharani estava em ascendência, nasceu um menino no vilarejo de Pattamadai, na orla do rio Tamraparani no Sul da Índia. Sri P. S. Vengu Iyer, um funcionário do Estado, era um grande Siva bhakta (devoto do Senhor Siva), e Srimati Parvati Ammal, igualmente uma grande crente, foram os afortunados pais desta criança. O feliz casal batizou esta criança, terceiro filho seus, como nome de Kuppuswamy”.
1. O início
O menino Kuppuswamy era inteligente e travesso. Na sua infância, já demonstrava sinais de Tyaga (renunciação), amor e companheirismo pelos seres. Ele costumava ter piedade pelos pobres, alimentando o faminto na sua porta, e fazia com que seu pai desse um bolo nas mãos dos pobres que passavam por ele. Com freqüência, ele pegava bolo e doces que sua mãe fazia e distribuía livremente para seus jovens companheiros, cães, gatos, corvos e papagaios, e não comia nenhum pedaço. Ele costumava trazer flores e folhas, construindo guirlandas, dando para seus pais no Siva Puja (adoração a Siva).
Na escola de Rajah, Ettayapuram, onde ele estudou, Kuppuswamy sempre era o primeiro da classe e ganhava um prêmio todo ano. Ele tinha uma voz doce e uma memória maravilhosa. Quando Sua Excelência, Senhor Ampthill, o Governador de Madras, visitou Kuru Malai Hills, em 1901, para caçar, Kuppuswami cantou uma canção de boas vindas na plataforma da estação da estrada de ferro de Kumarapuram. Após completar o exame de matrícula, ele estudou no S. P. G. College, Tiruchirapalli. No colégio ele participou de debates e peças de teatro. Ele representava a parte de Helena na peça “Midsummer Night´s Dream” de Shakespeare, encenada em 1905.
Após completar os exames das primeiras artes, Kuppuswami encaminhou-se para o Medical School em Tanjore, para estudar medicina. Ele costumava ser tremendamente laborioso e nunca viajou para a sua casa durante os feriados. Ele passou todo o período dentro do hospital e tinha livre admissão na sala de operações. Kuppuswami foi o primeiro em todos os assuntos. Ele possuía mais conhecimento do que os doutores da mesa examinadora, e no primeiro ano foi capaz de responder questões que os estudantes mais antigos não eram capazes de responder nem no final do curso.
Kuppuswami completou o curso e ganhou o título de M. B., C. M. ele praticou em Tiruchi. Quando praticava, ele iniciou um jornal médico denominado “The Ambrosia”. Ele recebeu cem rúpias de sua mãe para as despesas para iniciar o jornal. Depois, quando sua mãe necessitou de cento e cinqüenta rúpias para celebrar um festival, Doutor Kuppuswamy tinha o dinheiro disponível para ela. Ainda que distribuísse o jornal gratuitamente; ele era muito tímido para pedir contribuição para as pessoas.
2. Doutor na Malásia
Um chamado vindo da Malásia chegou até o Dr. Kuppuswami, pouco tempo depois da morte de seu pai. Assim teve início sua empreitada espiritual. Em 1913 ele deixaria a Índia para viajar no vapor S.S. Tara. Kuppuswami pertencia a uma família Brahmínica ortodoxa, e estava receoso de receber alimentação não vegetariana no navio. Então ele levou uma grande quantidade de doces que a sua mãe tinha preparado para ele. Quando ele chegou a Singapura, estava muito enfraquecido!
Dr. Kuppuswami descreveu a sua experiência na Malásia: “Imediatamente após desembarcar eu fui a casa do Dr. Iyengar. Ele entregou a mim uma carta de recomendação para seu amigo, Dr. Harold Parsons, um médico praticante em Seremban. Quando eu cheguei lá, o Dr. Parsons apresentou-me para Mr. A. G. Robins, diretor de uma empresa de borracha, que possuía seu próprio hospital. Felizmente para mim, Mr. Robins, estava precisando de um assistente para trabalhar no State Hospital. Ele era um homem terrível, com um temperamento violento, uma figura gigante, alto e gordo. Ele me perguntou: “Pode você dirigir um hospital por si mesmo?”, eu respondi: “Sim, eu posso dirigir até mesmo três hospitais”. Eu fui empregado imediatamente. Fui saber por um indiano residente que eu não deveria aceitar, de acordo com a política deles, qualquer coisa menos do que cem dólares por mês. Mr. Robins concordou em dar-me cento e cinqüenta para iniciar”.
O Jovem doutor trabalhou arduamente. Obstáculos incomuns começaram a se manifestar, de tal maneira que ele se sentisse com vontade de se demitir após algum tempo, mas Mr. Robins não permitiu que ele se fosse.
O Dr. Kuppuswami era muito querido, simpático, humorado, vivo e falava docemente. Os casos “perdidos” chegavam para ele, e ainda assim o sucesso era certo. Por toda parte as pessoas declaravam que ele tinha um dom especial de Deus, para as miraculosas curas efetuadas em seus pacientes, aclamando-o como um grande e simpático médico com uma encantadora e majestosa personalidade. Em casos graves, ele guardava vigília toda a noite. Na sua prática pessoal, Dr. Kuppuswami atendia aos pobres, fazia visitas e não cobrava por isso.
Certa feita, um homem pobre, todo molhado, veio até o doutor à noite. A sua esposa estava com as dores do parto. O doutor foi ajudá-la e após tomar conta dela ficou do lado de fora da cabana, apesar da forte chuva que caía. Somente após o nascimento a salvo da criança ele retornou para a sua casa na manhã seguinte.
Apesar da sua vida ocupada, Dr. Kuppuswami servia aos Sadhus, Sannyasis e mendigos. Ele se fazia presente nos casamentos, festas e outros encontros sociais. Certa feita um Sadhu deu a ele um livro “Jiva Brahma Aikyam”, escrito por Swami Satchidananda. Isso incendiou a espiritualidade adormecida nele. Ele iniciou a estudar os livros de Swami Rama Tirtha, Swami Vivekananda, Sanakra, Imitação de Cristo, a Bíblia, e a literatura da Sociedade Teosófica. Ele era regular na sua adoração diária, reza e Yoga Asana (exercícios com posições físicas). Estudava as sagradas escrituras como a Bhagavad-gita, o Mahabharata, o Bhagavatam, e o Ramayana, fazendo isto com grande devoção. Algumas vezes ele administrava Nandan Charitam e o canto de Bhajans e Kirtans. Ele praticou Anahat Laya Yoga e Swata Sadhana.
Na juventude, roupas de primeira qualidade e coleção de coisas curiosas e extravagantes de ouro, prata e sândalo eram atrativos para o doutor. Algumas vezes ele comprava vários tipos de anéis de ouro e colares e os vestia todos ao mesmo tempo. Ele costumava colocar dez anéis nos seus dez dedos! Quando ele entrava numa loja, ele nunca perdia tempo em escolher, barganhar ou pedir desconto. Ele pegava tudo que via. Ele pagava o lojista sem examinar detalhadamente.
Apesar das tentações de Maya, nada mais tentava o doutor. Seu coração era puro como a neve do Himalaya. Sua imensa filantropia e espírito servil e renunciante encarecia-o para com todos. As pessoas, de todo o coração, chamavam-no de “Coração de amor”.
O rico doutor nem sempre contratava um cozinheiro. Ele preparava a sua própria comida por um bom tempo, não tendo descanso. Ocasionalmente ele empregava um cozinheiro. Certa feita ele quis tirar uma fotografia cozinhando. E a foto foi tirada, com grande prazer, como num estúdio de primeira classe, colocou seu próprio paletó, sapatos e chapéu, e tirou uma foto cozinhando.
3. Renúncia
Enquanto os dias passavam, ele refletia mais e mais, procurando renunciar ao mundo. Seu coração foi sendo purificado através do serviço amoroso. Por fim, Dr. Kuppuswami, de acordo com os preceitos religiosos, renunciou o mundo como o Príncipe Siddartha, no ano de 1923. Ele deixou a Malasia pela Índia.
Em Madras, ele seguiu até a casa de um amigo, deixando sua bagagem lá, e começou a sua peregrinação. Em Benares, onde obteve um Darshana (visão) do Senhor Visvanath, Ele visitou Mahatmas (grandes almas) e templos. Em Dhalaj, um vilarejo na orla do rio Chandrabaga, ele encontrou um diretor de uma agência de correios e morou com ele, trabalhando como seu cozinheiro. Um dia, quando mais tarde o diretor chegou em casa, o doutor estava a postos para lavar seus pés, apesar da censura. Foi o diretor do correio que sugeriu Rishikesh quando o doutor aspirou procurar um lugar para a meditação solitária.
O Dr. Kuppuswamy alcançou Rishikesh no dia 8 de maio de 1924. No dia 1o de Junho, ele chegou até Sua Santidade Sri Swami Visvananda Sarasvati. O doutor viu um Guru no monge e o monge viu um Chela (discípulo) no doutor. Após uma breve troca de palavras, o Dr.Kuppuswamy foi iniciado na ordem de Sannyas por Swami Visvananda. Swami Vishnudevanandaji Maharaja, o Mahant de Sri Kailas Ashram, executou a cerimônia de Viraja Homa. O Guru deu-lhe o nome de Swami Sivananda Saraswati. Swami Visvananda anotou as instruções necessárias sobre Sannyas Dharma de Benares. Swami Sivanandaji permaneceu no Swargashram para o Sadhana.
4. SadhanaSwami Sivananda vestiu a roupa da renúncia em si mesmo; comeu para viver, e viveu para servir a humanidade. Um pequeno e pobre Kutir (cabana), que não era utilizado pelos outros, e que estava infestado por escorpiões, protegeu-o da chuva e do sol. Vivendo neste Kutir, ele realizou intenso Tapas (austeridades), observando o silêncio e o jejum. Por dias e dias ele jejuava sucessivamente. Ele mantinha um estoque de pão em seu alojamento, e por uma semana assim passava, junto com a água do Ganges. Ele se levantava e se banhava com a fria água do Ganges no inverno pela manhã, antes de iniciar a sua Japa e só saía depois do aparecimento do sol. Ele se dedicava mais de doze horas por dia na prática de meditação. Com o seu intenso Tapas, Swamiji nunca negligenciou o atendimento aos doentes.
Ele visitava as cabanas dos Sadhus com remédios, servia-os, e lavava seus pés. Ele pedia alimentos em benefício deles e os alimentava com suas próprias mãos quando eles estavam doentes. Ele servia água do Ganges para eles e limpava seus Kutirs; cuidava dos que tinham cólera e de casos com varíola. Se fosse necessário, ele mantinha vigília noite adentro, ao lado da cama do Sadhu doente. Ele carregava as pessoas doentes nas suas próprias costas até o hospital. Com algum dinheiro de sua apólice de seguro, que recebeu num determinado prazo, Swamijii inaugurou um consultório de caridade em Lakshmanjula, no ano de 1927. Ele servia aos peregrinos e via o Sr. Narayana neles.
Swamiji praticou vários tipos de Yoga e estudou as escrituras védicas. Após anos de intenso e inquebrantável sadhana, ele regozijou-se na bem-aventurança do Nirvikalpa Samadhi. Então ele chegou ao fim da sua jornada espiritual.
Ele costumava reunir pedaços de papel, e usava envelopes, e os costurava como um pequeno livro de anotações. Ele anotava algumas instruções neste livro. Em uma destas instruções encontramos escrito: “Abandone o sal, abandone o açúcar, abandone as especiarias, abandone os vegetais, abandone as pimentas, abandone o tamarindo”. Em outro, nós lemos: “sirva os Bhangis, sirva os vagabundos, sirva os inferiores, remova a matéria fecal, limpe as roupas dos Sadhus – sinta prazer em carregar água para eles”. Em outra página lê-se: “Não seja vingativo, seja tolerante para o insulto e a injúria”. Em alguma destas pequenas e limpas páginas, nós lemos novamente: “Esqueça qualquer que seja a injúria de alguém imediatamente. Nunca a guarde em seus coração. Ela acende o ódio. Cultive Maitri (amizade), Karuna (compaixão), Daya (misericórdia), Prema (amor), Kshama (perdão)”. Outro parágrafo nós vemos: “Desenvolva boas maneiras, extrema cortesia, etiqueta, boa honra, nobreza, suavidade, moderação. Jamais seja rude, duro ou cruel. Não há nada para odiar no mundo. Ódio é ignorância. Todo e qualquer desprezo de qualquer coisa ou ser deverá ser removida através do amor e do Vichara (investigação)”.
Swamijii viajou ao longo de toda a Índia, durante seu Parivrajaka (vida de monge itinerante). Ele visitou importantes lugares de peregrinação no Sul da Índia, incluindo Rameswaram. Ele administrava Sankirtan e leituras de textos védicos. Ele visitou o ashrama de Aurobindo e encontrou Maharishi Suddhananda Bharati. No ashrama de Ramana, ele recebeu o Darshan de Sri Ramana Maharishi, no dia do aniversário de Ramana Maharishi. Ele cantou Bajans e dançou em êxtase com os bhaktas de Ramana. Swamijii viajou a passeio para Kailas-Manasarovar e Badri.
5. A organização da SVD
Após a sua peregrinação, ele retornou para Rishikesh, e no ano de 1936 espalhou a semente da The Divine Life Society – Sociedade da Vida Divina -, na orla do sagrado rio Ganges. Ele fundou um Kutir, num local que estava abandonado e dilapidado, muito parecido com um estábulo. Mas para ele era como se fosse um palácio. O lugar tinha quatro cômodos. Ele limpou o Kutir e o ocupou. Então aumentou o número de discípulos que pediam abrigo aos seus pés de lótus. Logo teve necessidade de expandir. Eles encontraram mais estábulos, vazios, mas estavam imundos e inabitáveis. Numa dessas salas vivia uma bela vaca, e uma outra estava cheia de feno e estrume. Somente após um ano é que esse velho estábulo virou seu “alojamento”, e o exército da Vida Divina completou ocupação. Assim começou a Sociedade da Vida Divina.
A partir deste pequeno começo, a Sociedade da Vida Divina cresceu impreterivelmente, e atualmente é um centro de operações mundiais, possuindo um grande número de ramos, tanto na Índia como fora dela. Ele registrou a Sociedade da Vida Divina no ano de 1936, tendo como principal objetivo a disseminação do conhecimento espiritual e o serviço desinteressado pela humanidade. A distribuição gratuita de literatura puxou um fluxo estável dos discípulos de Sri Swamijii. Com o que recebeu com suas hábeis mãos, deu início aos vários departamentos da Sociedade, fornecendo campo de atividade adequado para purificar o coração deles e o crescimento espiritual. A publicação de um jornal mensal, “The Divine Life”, foi iniciada em Setembro de 1938, para coincidir com a celebração de seu aniversário. O mundo teve a atenção voltada para 2a Guerra Mundial, e ,para realizar a ordem de um sonho de uma contínua corrente de paz em todo o mundo e para socorrer a angústia das mentes das pessoas, ele deu início ao Akhanda Mahamantra Kirtan (o ininterrupto canto do Mahamantra: Hare Rama Hare Rama, Rama Rama Hare Hare; Hare Krishna Hare Krishna, Krishna Krishna Hare Hare, durante todo o tempo, a partir do dia 3 de Dezembro de 1943. Instituiu, também, a adoração do Senhor Sri Visvanath Mandir, regularmente três vezes ao dia, diariamente, a partir do dia 31 de Dezembro de 1943.
6. Médico da Alma
Swami Sivananda acreditava na síntese em tudo, no Yoga assim como alívio do sofrimento humano. O tratamento alopático era inseparável para ele e para a Sociedade, mesmo naqueles dias dos primeiros tempos no Swargashram. Ele agora sentia que necessitava servir às pessoas com a preparação de medicamentos Ayurvédicos, resultado da preparação de raras ervas dos Himalayas. E, então, ele instituiu a Sivananda Ayurvedic Pharmacy (Farmácia Sivananda Ayurvédica), em 1945, a qual cresceu a tal ponto que não conseguia atender à crescente demanda das pessoas.
Swami Sivananda organizou a Federação Mundial das Religiões, no dia 28 de Dezembro de 1945, e estabeleceu a Federação Mundial dos Sadhus no dia 19 de Fevereiro de 1947. O ano de 1947 é visto como um ano de grande expansão das atividades da Sociedade. Foi o ano Jubileu de Diamante de uma importante concretização, quando se ergueram edifícios. O Yoga-Vedanta Forest Academy estabeleceu-se no ano de 1948, dando treinamento espiritual sistemático para os Sadhakas residentes, e também para beneficiar os visitantes simpatizantes.
Swami Sivananda realizou rapidamente uma viagem por toda a Índia e pelo Ceilão (Sri Lanka), no ano de 1950, para comunicar sua mensagem divina por toda a extensão do país. Ele realmente despertou a consciência moral no coração das pessoas. O efeito foi tremendo. Desde então, há uma corrente incessante de almas procuradoras de libertação para o Ashrama, com também um grande número de cartas de aspirantes de diferentes países, o qual exige uma intensiva disseminação de conhecimento. O Yoga Vedanta Forest Academy Press foi estabelecido em Setembro de 1951, como um poderoso meio amplo de disseminação do conhecimento. Sri Swamijii estabeleceu o Parlamento Mundial das Religiões no ano de 1953, no Sivanandasahrama.
O pequeno consultório que era inseparável para Swami Sivananda, cresceu lentamente e tornou-se um Hospital regular com Raio-X e outros instrumentos. O Hospital de Olhos Sivananda foi aberto formalmente em Dezembro de 1957. O hospital tinha 10 leitos para pacientes internados, e agora neste momento conta com 30 leitos.
7. Anos de trabalho e sucesso
A “Liga das Publicações” publicou quase todos os escritos do Mestre, e uma necessidade é sentida pelos seus discípulos para pesquisar nos Seus trabalhos. Este aumento realizado nas pesquisas deu início ao estabelecimento do Instituto de Pesquisa Literária de Sivananda, no ano de 1958, o qual, entre muitas coisas, decidiu-se em pegar os trabalhos do Mestre, traduzidos e publicados sistematicamente em todas as linguagens regionais na Índia. Assim, o comitê S.L.D. foi fundado em 1959, contando com um comitê Regional para cada língua.
O Jubileu de Prata da Sociedade foi celebrado em 1961, quando o Mestre estava plenamente satisfeito da sua missão realizado nesta sua vida em particular.
Swami Sivananda irradiava sua divindade e sublime mensagem de serviço, meditação e realização em Deus para todas as partes do mundo, através dos seus livros, somando mais de trezentos, através de jornais periódicos e cartas. Seus discípulos e devotos são de todas as religiões, cultos e credos no mundo.
O Yoga de Swami Sivananda, que ele chamou significativamente de Yoga da Síntese, realiza um harmonioso desenvolvimento das “mãos”, “cabeça” e do “coração”, pelo intermédio da prática de Karma-yoga, Jñana-yoga e Bhati-yoga.
No dia 14 de Julho de 1963, a grande alma Swami Sivananda entrou em Mahasamadhi (partida de um santo auto-realizado do seu corpo mortal) em seu Kutir, nas margens do Ganges, em Shivanandanagar. Pouco antes de abandonar o corpo material pediu para beber um copo com a água do Ganges e disse: “Estou perfeitamente bem!”.
TODAS AS GLÓRIAS A SWAMI SIVANANDA!
OM NAMO BHAGAVATE SIVANANDAYA!
Sri Ramakrishna
RAMAKRISHNA
SRI SWAMI SIVANANDA
© Tradução para o Português de
SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI
SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
1. Nascimento
No dia 18 de Fevereiro, do ano de 1836, nasceu uma criança em Kamarpukur, próximo a Calcutá, em Bengala. Esta criança estava predestinada a trazer de volta o Hinduísmo para a Sua glória e proveito, antes da conquista estrangeira na Índia. Esta criança veio a chamar-se Gadadhar. Mais tarde, recebeu o nome de Sri Ramakrishna, que foi descrito por Romain Rolland como “a perfeição da vida espiritual com dois mil anos de vida espiritual de 300 milhões de pessoas”.
Como uma criança, Sri Ramakrishna mostrou maravilhosas qualidades de pureza e amor. Ele amava a companhia dos Sadhus. Quando tinha 19 anos de idade, seu irmão mais velho, Ramkumar, indicou-o para o sacerdote do templo de Kali, em Dakshineshwar. Ele foi o sacerdote encarregado de vestir e decorar a imagem da Mãe Divina, Kali Devi. Seu amor pela Mãe começou a brotar para todos os lados. Para ele, apenas Ela era real, e o mundo tornou-se uma mera sombra. Ele colocava toda a sua alma na adoração diária da Deidade e sentia saudades de ter a visão da Mãe do universo.
2. Adoração à Mãe
Algumas vezes, ele colocava o seu rosto no chão e chorava amargamente, tal era a sua saudade de ter a Sua visão. Ele chegava a um ponto em que a sua vida não tinha mais nenhum significado para ele. Foi então, que ele teve a sua primeira visão da Mãe Divina. Ele sempre desejou ver a forma da Divindade, e seguia as Suas instruções e orientações.
Sri Ramakrishna foi iniciado na meditação do Vedanta por Totapuri, um reputado monge que alcançou a unidade com Deus após quarenta anos de austeridades e penitências. Tal era a devoção de Ramakrishna que, para espanto do seu Guru, Ramakrishna obteve num dia o que ele havia levado 40 anos para conquistar. Naquele instante, Ramakrishna ficou absorto em Samadhi, na visão de Deus, por três dias.
Sri Ramakrishna sempre era muito respeitado. Ele explorou cada aspecto das grandes religiões do mundo, e chegou a conclusão que poderia ter a visão de Deus em qualquer rum dos caminhos. Ele não sabia nem ler e nem escrever, e mesmo assim era um profundo conhecedor da base dos ensinamentos de todas as seitas do Hinduismo.
3. A fé
Quando um Sufi ensinou a ele sobre a base dos preceitos do Islã, Sri Ramakrishna viveu a vida de um devoto Muçulmano e logo teve a visão do profeta Maomé. Em breve, após isso, ele foi atraído pela vida e ensinamentos de Jesus Cristo. Pouco tempo depois, ele teve a visão de Jesus também, e outra da Mãe Maria, e do Seu santo filho. Do mesmo modo, ele teve a visão de Buddha.
Quando Sri Ramakrishna tinha vinte e três anos de idade, escolheu como sua esposa Sarada Devi, que tinha apenas 5 anos de idade. Mas este casal jamais viveu a vida de chefe-família. Esta maravilhosa menina, que era uma grande alma, tornou-se a Santa Mãe, derramando bênçãos e Graças sobre milhares de pessoas que vinham até eles em busca de alívio e conforto espiritual.
Sri Ramakrishna ensinou para o mundo que Deus pode ser realizado em todas as religiões. Esta grande verdade chegou até ele através da experiência espiritual direta.
Uma grande parte da vida de Sri Ramakrishna foi dedicada a treinar seus discípulos, entre eles destacam-se Swami Vivekananda, Swami Brahmananda, Swami Shivananda (não confundir com Swami Sivananda, autor do presente texto), e Swami Saradananda, e outros discípulos, que espalharam a grande missão de Ramakrishna aqui e ali.
4. O Evangelho de Ramakrishna
Nos ensinamentos de Sri Ramakrishna há um grande trabalho intitulado “O Evangelho de Ramakrishna”; ele consiste nos seus ensinamentos diários (uma vez que nunca escreveu nada pessoalmente, mas através de seus discípulos), principalmente por Mahendra Nath Gupta. A forma como estes ensinamentos são dispostos, expondo a grande maravilha de Sri Ramakrishna, é simples e lúcida.
Sri Ramakrishna deixou o seu corpo físico no ano de 1886, após sofrer de um câncer na sua garganta. Seus ensinamentos, dados através da muitas histórias e parábolas, são lidos hoje pelos aspirantes espirituais, que pretendem trilhar o caminho do Yoga. Seu impacto espiritual na Índia e no mundo todo foi tremendo.
Mahatma Gandhi disse, no “Tributo a uma Grande Alma”: “A história da vida de Sri Ramakrishna é uma história na prática religiosa. Sua vida capacita-nos a ver o rosto de Deus, face a face. Sri Ramakrishna teve uma vívida imagem da Santidade. Seus ensinamentos não são meros ensinamentos mundanos, mas são páginas retiradas do livro da vida”.
Om Tat Sat
Sri Ramana Maharishi
SRI RAMANA MAHARISHI
SRI SWAMI SIVANANDA
© Tradução para o Português de
SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI
SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
1. Introdução
Sri Ramana Maharshi nasceu a 30 de Dezembro de 1879 e era conhecido como Venkataraman. Nasceu numa humilde e piedosa família da classe Brahmni e foi enviado para a escola da missão para aprender inglês.
2. Saída de casa
No dia 29 de Agosto de 1896, Venkataraman deixou a sua casa no distrito de Madurai à procura do seu Pai, Senhor Arunachala, a quem ele se reportou pessoalmente no dia 1º de setembro de 1896, assim:
Oh, Senhor, obedeço ao Teu chamado
Aqui estou eu, abandonando tudo.
Não Te peço nada; não perco nem lamento,
Pegue-me e me faça Teu.
Deste dia em diante, até o fim de sua jornada terrestre, Venkataraman fez de Arunachala (Tiruvannamalai), sua morada, transmitindo através de Mouna, a linguagem dourada do desapego, a Mensagem da Verdade Eterna, para os quatro cantos do mundo.
Venkataraman deixou um bilhete repreendendo seu irmão. “Eu fui à procura do meu Pai, de acordo com o Seu mandamento, saindo deste lugar. Numa virtuosa iniciativa, de fato, eu embarquei neste dia. Portanto, por causa desta ação, ninguém precisa enlutar-se ou seguir alguém. Nenhum dinheiro será necessário gastar para me procurar”.
3. A grande iluminação
“Foi cerca de seis semanas antes de eu deixar Madurai para sempre, em meados do ano de 1896, que uma grande mudança aconteceu em minha vida”, disse Sri Ramana Maharishi, quando perguntado pelos seus devotos sobre como ele havia se transformado.
“Isso foi repentino. Um dia, eu estava sentado solitário na porta de entrada da casa do meu tio. Eu estava na minha usual boa saúde. Mas um repentino e inegável mal-estar sobre a morte me agarrou. Eu senti que estava morrendo e pensei no que iria fazer. Eu não cuidei de consultar ninguém, fosse ele um médico, uma pessoa mais velha ou um amigo. Eu senti que deveria resolver o problema por mim mesmo, aqui e agora. Um choque repentino do medo da morte de imediato me introspectou e introverteu. Eu disse para mim mesmo mentalmente: ´Agora que a morte está vindo, qual é o significado? Quem é que está morrendo? Este corpo morre´. Imediatamente eu dramatizei a situação. Eu estendi os membros do meu corpo e estavam rígidos como se no “rigor mortis”. Eu imitei um cadáver para dar um ar de realidade levando adiante minha investigação. Eu fiquei sem respirar e mantive minha boca fechada, pressionando os lábios com força juntos, então nenhum som poderia escapar. ´Bem, então´, eu disse para mim mesmo. ´este corpo está morto. Eu serei levado para o crematório, serei queimado e reduzido a cinzas. Mas com a morte do meu corpo, eu morro? Este corpo é o “eu”? Este corpo está quieto e inerte. Mas apesar disso eu estou pleno de forças de minha personalidade, e mesmo o som do Eu interior é aparte do corpo. O corpo material morre, mas o Espírito transcendendo-a não pode ser tocado pela morte. Portanto, eu sou o Espírito imortal´. Isso tudo não foi uma façanha de uma ginástica intelectual, mas veio num flash diante de mim de vividamente como a Verdade viva, a qual eu imediatamente percebi, quase sem nenhum argumento. Eu estive em algum lugar muito real, num estado de coisa muito real, e toda a consciência estava conectada com meu corpo. O “Eu” ou “mim mesmo”, estava sendo o foco da atenção com uma poderosa atração. O medo da morte desapareceu imediatamente e para sempre. A absorção do Ser continuou daquele momento até agora”.
4. Tapas de Maharishi
Ramana praticou milhares de Tapas (austeridades) em Mandapam, próximo de Patala Linga, na peregrinação a Subrahmanya, no jardim da Manga; o Sadguru Swami morou no Cora Hills; vivendo de 1909 a 1916 na caverna de Virupakshi.
Durante seus dias de Rapasis, alguns meninos travessos costumavam jogar pedras e cacos de telhas nele; e mesmo assim Ramana permanecia sempre pacífico e calmo, através da força da meditação e da penitência.
Ramana Maharishi ficou conhecido como um Brahmana Swami em Tiruvannamalai. Kavya Kanta Ganapathy Sastri, o grande escolar de Sânscrito, veio para o Ashrama de Ramana em 1908 e iniciou a escrever o Ramana Gita.
A vida de Maharishi foi uma contínua meditação ou Ananda Anubhavam. Mararishi estabeleceu a paz interior. Ele viveu na Luz do Senhor interior. Ele encorajou os outros a fazerem a mesma coisa. Para ele, todo o mundo era uno.
Maharishi raramente falava, e quando ele falava, ele fazia isso porque seria absolutamente necessário.
5. Sua mensagem Divina
Ramana foi um exemplo vivo dos ensinamentos dos Upanishads. Sua vida foi, ao mesmo tempo, uma mensagem e a filosofia dos Seus ensinamentos. Ele falava para o coração das pessoas. O Grande Maharishi encontrou-se a Si mesmo dentro de si mesmo, e deu ao mundo a simples, mas grande mensagem da sua grande vida: “Conheça a Ti mesmo”.
“Conheça a Ti mesmo. Tudo além será conhecido por sua própria harmonia. Discirna entre o eterno, imutável, todo inter-penetrante, infinito Atman e o sempre mutante, fenomênico e perecível universo e o corpo. Inquira: ´Quem sou eu?´. Faça a mente calma. Liberte-se a si mesmo de todos os pensamentos outros do que o simples pensamento do Ser ou Atman. Mergulhe profundamente dentro do quarto fechado do seu coração. Encontre-se no real e infinito “EU”. Descanse nele pacificamente para sempre, e se torne idêntico com o Ser Supremo”. Isso é o essencial na filosofia e ensinamentos de Sri Ramana Maharishi.
Sri Ramana dizia: “O mundo é infeliz por causa da sua ignorância do verdadeiro Ser. A verdadeira natureza humana é a felicidade. A felicidade é inata no verdadeiro Ser. A procura da felicidade pelo homem é uma procura inconsciente pelo verdadeiro Ser. O verdadeiro Ser é imperecível; portanto, quando alguém O encontra, encontra a felicidade a qual não tem fim. No interior da cavidade do coração, o Ser Supremo Uno, está sempre emitindo a emanação da autoconsciência “Eu” … “Eu”. Para realizá-lO, entre no seu coração com um ponto em mente – através da busca interna ou profundo mergulho ou controle da respiração – e permaneça do Ser do ser”.
O “Quem Sou Eu”, Upadesa Saram, e Ullathu Narpathu, são as pérolas da sabedoria direta de Sri Ramana, expressas em sintéticos aforismos.
Sri B.V. Narasimha Swami, o falecido Presidente em toda a Índia do Sai Samaj, publicou um eletrizante texto vivo de Ramana, intitulado “Self-Realization”; o Yogi Suddhananda Bharati escreveu a vida de Sri Ramana em Tamil.
Bhagavan Ramana Maharishi reduziu a zero o fato de dizer que a auto-realização e a meditação são coisas do passado, e que nos dias atuais não são possíveis de serem alcançadas pelas pessoas. Ele mostrou através do seu Samadhi permanente que é possível, apesar de tudo, realizar o Supremo e viver na realização do Ser.
Amado aspirante! Crie coragem. Fortifique-se. Aplique-se pessoalmente de forma intensa no Yoga Sadhana. Brevemente você alcançará Videha Kaivakya e irá brilhar para sempre como um sábio iluminado.
6. A Brilhante Luz que Brilha para Sempre
O Tenente-Coronel P.V. Karamchandani, I.M.S., D.M.O., North Arcot District, atendeu Sri Ramana quando ele sofreu mais tarde de um tipo de tumor maligno no cotovelo esquerdo. O Maharishi foi operado quatro vezes.
Um meteoro golpeou o céu as 8:47 da noite, no dia 14 de Abril de 1950, quando Sri Ramana Maharishi deixou o seu amontoado mortal e entrou em Mahasamadhi.
A todo-penetrante luz, a qual brilhou através da incorporação da Luz em Maharishi Ramana, retornou ao seu estado original. A prova eterna dos Upanishads chamou-se Maharishi Ramana. A prova irá existir para sempre, reassegurando-nos a Realidade Última.
O santo não está mais na sua forma mortal, mas a Luz da sua alma está agora mergulhada em cada alma receptiva individual. Maharishi Ramana vive em nossos corações. Seu desenlace não deve ser sofrido. Ele realizou plenamente a missão da sua vida. Ele alcançou a mais elevada meta, a auto-realização. Então, não há nada que se lamentar. A morte é apenas para aqueles que não foram capazes de alcançar a meta da vida ou de fazer as suas obrigações e por alguma razão de enlutam. A luz de Maharishi brilha hoje e irá brilhar para sempre.
No coração da humanidade o santo viverá para sempre, guiando, encorajando, estimulando e inspirando, milhões e milhões de poderosos seguidores, para encontrar a Grande Verdade que Ramana realizou.
Muito bem feito por Sri Ramana Maharishi foi a exposição da filosofia Vedanta, não através de conhecimento livresco, mas pela experiência prática. Seus ensinamentos transmitidos pelo “Silêncio” todo-absorvente, incorporou os mais elevados ideais, alcançando finalmente a realização Divina. Para declarar a eterna divindade latente, para estimular sempre a vida na consciência do Ser imortal, e permanecer como uma testemunha intocável das fases transitórias da vida, mergulhada no Silêncio Supremo – como o chamado de clarim de Maharishi. Ele não se preocupava com dogmas e preconceitos religiosos. Ele estava muito além destas limitações mundanas. Com ele viviam sacerdotes Bramanas ortodoxos, Muçulmanos, Cristão, e os assim chamados intocáveis. Eles eram o mesmo para ele.
Como um arquiteto supremo da Verdade Universal, Ramana Maharishi conduziu, e agora conduz, os cansados viajantes por sobre a Terra em direção a Meta, através do seu imensurável Silêncio.
Prestar a homenagem mais adequada para a santa personalidade de Maharishi é seguir os seus ensinamentos, e crescer no seu modelo de ideal. Que a paz esteja com todos!
Anandamayi Ma
ANANDAMAYI MA
SRI SWAMI SIVANANDA
© Tradução para o Português de SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
1. Nascimento e Parentesco
Srimati Anandamayi Ma nasceu numa família Bengali, numa zona rural, no Leste de Bengala, local que hoje é conhecido como Bangladesh, no dia 30 de Abril de 1886. Seu pai, Sri Bipin Bihari Bhattacharya, e mãe, Srimati Mokshada Sundari Devi, eram modestos, mas muito piedosos devotos do Senhor. Sri Bipin Bihari era um grande devoto do Senhor Krishna, e cantava belas canções sobre os Seus amados passatempos. Ele era muito estimado Vaishnava na ocasião. Ele era um grande devoto Vaishnava e era conhecido por suas belas canções devocionais; sua voz melódica nunca deixou de chegar nos corações dos ouvintes. De fato, ele era comparado, às vezes, com Ramprasad, o santo cantor de Bengala, que se lhe atribui ter evocado a presença de Sakti Devi. A mãe se Srimati Ma era uma mulher afável, de natureza honrada, e totalmente dedicada ao bem estar da família. Ela acompanhava Srimati Ma em suas viagens. O local onde Srimati Ma nasceu era chamado Kheora. Ela recebeu o nome de Nirmala Sundari Devi, que é traduzido como “Beleza imaculada”, e que parecia muito apropriado. Ela sempre era a favorita de todos, sempre pronta para servir, levar e oferecer qualquer serviço para aquele que lhe pedisse. Nirmala foi uma menina alegre e feliz, e passou a sua infância nos arredores rurais onde nasceu. O povoado inteiro, composto em sua maioria por muçulmanos, a amava profundamente. Mesmo nos dias de hoje a população de Kheora se refere a Ela como “Nossa própria Mãe”.
2. Um nascimento de luz A especial exclusividade do Seu nascimento nós podemos aprender apenas quando ouvirmos pelos próprios lábios de Maa. De outra forma, não há como saber qual o estado de consciência quando se refere a Sua infância. Mas é certo e definido que mesmo no seu tempo de nascimento, a sua consciência estava desperta para a sua identidade espiritual. Ela era uma perfeita alma, e todos aos arredores perceberam a sua magnitude de uma alma perfeita. Na época da sua infância, tinha consciência da sua pureza, espírito ilimitado, além dos limites do corpo, mente ou identidade mundana. Ela pessoalmente tinha consciência de Satchidananda Atman. Todos observavam isso na sua relação com os outros e nas brincadeiras de criança. Esta criança cresceu e se desenvolveu num clima de absoluta devoção e dedicação.
Desde cedo, Ela demonstrava uma auto-suficiência que encantava os corações de todos os que se aproximavam d´Ela. Sua personalidade é tida como misteriosa, além do entendimento humano. Ela era muito atenciosa com todas as entidades vivas. Ela era a mesma tanto com as pessoas instruídas como com os incultos. Ela tinha vocação puramente espiritual e empreendeu uma peregrinação pela Índia. Em todo local que ia, era adorada e considerada uma personalidade muito proeminente. Seu amor era expresso nos gestos delicados e profunda posição meditativa em Deus. Em Daka, onde reconheceram a maravilhosa personalidade de Ma, Srimati ficou conhecida como Manush Kali, ou seja, Kali Devi viva. Kali Devi é a deusa regente de Bengala, então compreendemos porque este título logo lhe veio caber. Quando saiu de Bengala, visitou outros lugares. Nas margens do Rio Sagrado Narmada, Ela foi saudada pelos devotos como Devi Narmada. Em Madurai, a multidão ficava horas e horas esperando poder vê-La por alguns instantes, e chamavam-Na, Deusa Minakshi. Em Panjab, Ela teve o mesmo lugar de honra de Granth Sahib. Na cidade de Vrindavana, onde nasceu o Senhor Krishna, o grande Mahatma da ocasião, Sri Haribabaji Maharaj, viu n´Ela a sua deidade venerada, o Senhor Gauranga (Sri Krishna Cheitanya). Os devotos de Sri Udiyababaji Maharaj renderam-Lhe homenagens como a forma visível de sua Deidade ou Jhoolelal. Um devoto muçulmano, durante suas meditações, via-A como uma aura magnífica. Um devoto cristão disse: “agora teremos um rosto para colocar em Deus”.
Srimati Ma tinha um sorriso contagiante. Ela respondia todas as perguntas que faziam para Ela. Ela sempre remetia as Suas respostas para Deus e a Deus somente.
3. Casamento Quando Srimati Ma tinha 13 anos de idade, Ela casou-Se com Sri Ramani Mohan Chakravarti de Atpara. A família do Seu esposo era de tradição Sakti-upasana. Ela foi acolhida pelo irmão de Ramani, Sri Revati Mohan, e sua esposa, Pramoda Devi. Ela foi recebida com uma menina da casa. Eles ficaram morando juntos cerca de 4 anos, e Srimati dedicava-se aos serviços da casa, enquanto Ramani estava em Atpara e em Dhaka. De uma vida despreocupada na casa dos pais, ela passou a viver uma vida esgotante, de muito trabalho físico e duro, numa atmosfera muito rígida. Ela cozinhava, limpava, buscava água, cuidava das crianças do casal, servia a cunhada com todo o cuidado e atenção. Apesar do trabalho duro e pesado, Ela permanecia sempre alegre e feliz, sempre estava bem humorada e disposta a suportar as cargas dos demais. Nunca o seu temperamento rotineiro e sereno se alterou pela desconsideração e trabalho injusto.
Sua infinita compaixão espalhava-se por tudo. Amigos, vizinhos, parentes, servos, animais e plantas eram tratadas por Ela com amor e carinho. Ela tinha um humor sempre alegre, e brincava com todos, zombando quando os imitava, mas jamais debochou de alguém.
Com a idade de 18 anos, com o consentimento de ambas as famílias, Sri Ma foi para Ashtagram, para ficar junto com o marido, onde ele estava trabalhando. Ela chamava-o de Bholanath, e assim ficou sendo conhecido por todos. Ela havia recebido as instruções de Sua mãe que deveria ser obediente e serva de Seu marido, tal qual sua mãe havia se dedicado ao seu pai. Sempre Srimati Ma seguia os conselhos de Sua amável mãe.
O marido de Ma recebeu-A dignamente, e viveu com Ela de forma casta, até a sua morte, em 1938. Eles viveram uma vida de perfeito celibato, mesmo estando casados.
4. Pensamentos espirituais ou Kheyala Sri Ma era uma devota exemplar. Certa feita, enquanto se banhava, teve um pensamento espontâneo, chamado Kheyala, em sânscrito, que surge independente de alguém estar pensando no fato. O pensamento que teve A induziu a um Sadhana Bhakti, assim como fazem os Sadhakas que seguem um mestre espiritual. Isso provocou uma profunda necessidade de Srimati Ma dedicar-se cada vez mais a vida espiritual, com uma prática regular, autógena. Estes pensamentos vieram rechear a sua vida espiritual, como um Lila e outro do Senhor, o qual ela costumava ficar repetindo sem parar: Hari Hari Hari, nome que aprendera a cantar junto com o Seu amado Pai, Bipin Bihari. Mesmo sem ter conhecimentos prévios de Yoga, Srimati Ma executava asanas com perfeição, e umas se sucediam as outras. Certa feita, o marido de Srimati perguntou: “porque canta Hari? Nós não somos Vaishnavas”. Então Srimati Ma, perguntou: “Então, digo Siva, Siva, Siva?” Deus está em todos os Santos Nomes, e para Srimati Ma não houve problemas. Ela havia dito que não contemplava formas visuais na sua repetição de Mantras. Todas as sílabas que repetia saiam de forma penetrante. Seu corpo sintonizava-se com o ritmo universal. Ela literalmente ressoava com o corpo; os membros do seu corpo moviam-se de forma rítmica, como uma dança, dirigidas por um poder interior. Todos notavam admirados a transformação do Seu corpo nestas ocasiões. Ela entrava em Samadhi, e fica completamente quieta, absorvida no êxtase.
Srimati Ma viveu uma vida de peregrinação, no caminho da disciplina espiritual, durante cerca de seis anos. Seu marido logo percebeu que tinha junto dele uma pessoa muito especial de poder divino. Então ele se tornou discípulo de sua esposa, ainda que Srimati Ma tenha sido sempre serviu a ele, até o final da vida dele.
5. Erudição pura Todos os Panditas ficavam maravilhados com a Sua profunda devoção e conhecimento da Verdade Suprema. Durante seus Sadhanas intensos, Ela teve desvelado o conhecimento diretamente da Divindade Suprema. No ano de 1922 Ela manteve profundo Mauna, ou calou-se por completo. Isso foi o cume do Seu Sadhana, e então iniciou a falar com os visitantes apenas de temas religiosos.
A partir de 1924, muitos se iniciaram, tornando-se devotos e discípulos de Srimati Ma. Ela era muito casta e pura, e então cumpria o costume que havia na ocasião de andar com o rosto sempre coberto. As mulheres podiam se aproximar d´Ela sem problemas, mas os homens tinham certa dificuldade. O marido de Srimati Ma auxiliava no processo e fazia as relações entre a multidão de devotos, os quais cresceram tal qual uma família.
Entre os Seus primeiros discípulos está Sri Jyotish Chandra Roy, que ficou conhecido como Bhaiji; Sri Shashanka Mohan Mukherji, mais tarde conhecido como Swami Akhandanandaji, e sua filha Adarini Devi, conhecida por todos como Gurupriya Devi ou simplesmente Didi; Sri Nishikanta Mitra, Sri Pran Gopal Mukherjee, Sri Niranjan Roy, Sri Baul Chandra Basak, e outros mais.
A sua morada em Dhaka estava cercada de uma atmosfera de milagres, que aconteciam com o simples toque de Suas mãos. Seu corpo dançava ao som dos Bhajans e Kirtans, de forma muito surpreendente. Ela praticamente flutuava no ar. “Era como se Ela tivesse abandonado o Seu corpo”, alguns relatavam. Depois destas experiências ou Bhavas, permanecia muitas horas em Samadhi, ou união com o Supremo.
O Raja Saheb, de Solan, se converteu em discípulo de Srimati Ma, ficando conhecido por todos como Jogibhai. E muitas outras pessoas foram se unindo a imensa família de Srimati Ma. A peregrinação continuou de Dhaka para Delhi, Meerut, Lucknow, Solan e Simla. Quando em Simla, o festival do Senhor Hari ganhou todo um colorido com a presença e participação de Srimati Ma e Bhojanathji.
Mesmo a morte de Seu marido não lhe causou transtornos. Ela simplesmente disse que o Seu marido apenas tinha ido de um lugar para o outro, e que a verdadeira vida é a da alma: “nada é uma perda para mim”, disse.
Sendo uma menina praticamente analfabeta, realizou Deus profundamente, e falava a linguagem dos estudiosos e eruditos. Ela estava a par mesmo das divergências filosóficas e jamais se confundia com o que era discutido. Ela não havia tido contado com nenhum Guru que alguma vez pudesse ter exercido influência sobre Seu conhecimento. Tampouco havia se retirado do mundo num monastério; sempre ficou com amigos e parentes. Não havia feito nenhum Sadhana como é exigido no mais das vezes, então tudo havia sido recebido na profundidade da Sua devoção e amor por Deus.
Onde quer que Srimati Ma fosse, os devotos se reuniam para construir um Ashrama. Ela foi aceita entre os mais proeminentes Pandits da época como sendo suas palavras tal qual o Shastra em Si mesmo.
Sua vida foi devotada a mostrar a Realidade Suprema para as pessoas, na medida em que se aproximava Seu Mahasamadhi.
6. Reunindo-se com Sivananda Certa feita, ela esteve no Math de Sri Swami Sivananda. Ela tinha profundo amor por todos os Swamis e considerava todos como Seus pais e mães. Ele referia-se a Swami Sivananda como “Pitaji”, que quer dizer “paizinho”. Ela sempre tinha esta consciência de criança pura. Ela era pureza nos Seus atos e embriagava-se nos Santos Nomes do Senhor. Ela dava uma grande importância ao canto dos Santos Nomes. A única palavra que tinha importância para Ela era concernente aos nomes do Senhor. “Se você quer falar, fale de Deus. Todas as outras falas são fúteis e trazem apenas dor e sofrimento”.
Srimati Ma estabeleceu um Sadhana regular para todos os Seus seguidores. Este Sadhana iniciava cedo e depois se repetia à noitinha. Ela costumava manter horas de profundo silêncio e meditação, e incentivava a todos a fazerem o mesmo. Na noite do dia 25 de Agosto, de 1982, Srimati Ma repetiu o Mantra “Shivaya Namah”, sendo que este Mantra foi indicativo da Sua dissolução final das amarras mundanas. Abandonou o Seu corpo no dia 27 de Agosto, às 20 horas, e entrou em Mahasamadhi.
Sri Ma esteve em Rishikesh em 6 de Junho de 1952. Ela ficou no Paramartha Niketan, um Ashrama nas margens do rio Ganga (Ganges), fundado por Sri Swami Sukdevananda. Durante a Sua estada ali, Srimati Ma, certo dia, acompanhada por Sri Hari Babaji Maharaj, e outros, cruzaram o rio por bote, para prestar uma visita para Sri Swami Sivananda, o fundador Acharya da The Divine Life Society. Swamiji e todos os Seus Ashramite (habitantes do Ashrama) deram as boas vindas para Srimati Ma e mostraram para Ela os arredores do Ashrama. Swami Sivananda, junto com os devotos, fez Kirtana em inglês e Hindi. Após a refeição, Srimati Ma e os Seus companheiros deixaram o Ashrama, e no dia 13 do mesmo mês, deixaram Rishikesh e foram para Benares.
Om Tat Sat








































