Arquivo da Categoria ‘Santos, Sábios e Profetas’

Namdev

NAMDEV

SRI SWAMI SIVANANDA

© Tradução para o Português de
SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI
SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL

1. Um Santo de Maharashtra
Namdev de Maharashtra foi um um santo da Idade Média na Índia. Ele não foi um servo do Senhor Krishna, mas Seu companheiro. Namdev foi um Amsa ou parte do Senhor Krishna. Namdev foi contemporâneo de Jñanadev, o famoso santo de Maharashtra, sendo Seu aluno com a idade de cinco anos. Namdev nasceu no ano de 1269. Ele era da família de alfaiates, que eram sinceros devotos de Vittala de Pandharpur. Os membros família observavam o Wari de Pandharpur, isso é, peregrinavam duas vezes ao ano, no décimo primeiro dia dos meses de Ashadh (junho-Julho), e Kartik (outubro-novembro). A família era originaria de um vilarejo chamado Narsibamani, às margens do rio Krishna, próximo a Karad, no distrito de Satara. Sendo um grande devoto de Vittala, e desejando melhorar suas chances materiais, Dama Setti, o pai de Namdev, saiu de Pandharpur um ano ou dois, antes do nascimento do seu filho.

Certo dia, como a mãe de Namdev estava ocupada, ela pediu para Namdev pegar o prato das oferendas para Vithoba. Namdev foi ao templo, colocou o prato das oferendas diante de Vithoba e pediu para Ele aceitar as oferendas. Ao não perceber qualquer evidência de aceite por Vithoba, ele chorou tão amargamente que Vithoba assumiu a forma humana e aceitou as oferendas com gratidão. A mãe de Namdev ficou surpresa quando seu filho voltou com grande alegria, trazendo o prato vazio; então ele contou a ela o que havia acontecido. No dia seguinte, ela pessoalmente acompanhou Namdev, mas sem que ele soubesse e pode verificar por si mesma, tal como Namdev explicara. O mesmo fato se repetiu e a mãe de Namdev ficou muito satisfeita em ver o Senhor aceitando aquelas oferendas. Ela alegrou-se e orgulhou-se de Namdev de forma ilimitada, e agradeceu ao Senhor pelo fato de ser mãe de tão grande devoto.

2. O Senhor Vithoba; Seu sagrado interesse
A outro respeito, todavia, Namdev tinha desespero por seus pais, e depois, por sua esposa e outros parentes. No princípio, ele não tinha nenhum interesse pelas coisas da vida mundana; ele negligenciava os estudos na escola; ele não tinha interesse na profissão do seu pai como alfaiate e nem em qualquer outra coisa. Ele somente tinha interesse em passar dia e noite em devoção para Vithoba. Seus pais estavam envelhecendo; a prosperidade da família estava decrescendo. Portanto, eles desejavam que Namdev direcionasse um tempo para ajudar na manutenção da família. Então, Namdev foi enviado para um Bazaar, certo dia, para vender algumas peças de roupas. Mas Namdev era inocente com relação a negócios. Para ele, coisas como preços, moedas e valores eram coisas desconhecidas. Ele foi até o Bazaar com as roupas porque seu pai o forçou. Ele sentou-se por sobre uma pedra fazendo Bhajan, esquecendo-se inteiramente de que havia saído para vender roupas. Após umas poucas horas, o sol se pôs, e era a hora de ir ao templo para a realização da adoração da noite. Apenas então ele se lembrou de que não havia vendido as roupas e que receberia uma surra do seu pai. Ele estava impaciente para ir ao templo. Então ele vendeu as roupas para a pedra em que estava sentado, mantendo as roupas por sobre a pedra, e apontou para uma segunda pedra, que seria uma espécie de garantia de que ela deveria pagá-lo no dia seguinte, e então foi para o templo.

O pai de Namdev ficou furioso por ouvir essa história e pediu para ele trazer Dhondya (que significa “pedra” e  também é usada como um nome próprio entre algumas pessoas de Maharashtra), em garantia do dinheiro. No dia seguinte, Namdev voltou ao Bazaar e percebeu que as roupas tinham desaparecido durante a noite, e levou a segunda pedra (Dhondya), e como ela se negasse a pagar o dinheiro, fechou-a numa sala. Ele, então, foi ao templo e narrou todos os eventos para Vithoba, e explicou as suas dificuldades também. Quando o pai de Namdev pediu para ele mostrar o Dhondya que tinha garantido o dinheiro, Namdev respondeu que Dhondya estava sendo mantido preso numa sala em casa, então ele correu até a cada. Quando o pai abriu a sala para reclamar o dinheiro, ele encontrou, para sua surpresa, uma barra de ouro. Grande foi a alegria do pai de Namdev, mas Namdev ficou indiferente a isso. Ele apenas rezou para Deus pedindo para não apanhar do pai. E assim aconteceu.

3. Encontro com Jñanadev
Quando Namdev tinha cerca de vinte anos de idade, ele encontrou-se com o grande santo Jñanadev, em Pandharpur. Jñanadev naturalmente aproximou-se de Namdev, por ser este um grande devoto de Vithoba. Pelo benefício da sua companhia, Jñanadev pediu para ele acompanhá-lo e a seus irmãos, em peregrinação para lugares sagrados. Namdev não quis ir, ele não queria se separar do Senhor Vithoba de Pandharpur. Mas um sábio conselho prevaleceu e Namdev foi orientado a seguir em peregrinação. Este foi o mais importante período da vida de Namdev. Praticamente, a partir deste momento, os dois santos jamais se separaram até suas mortes. A peregrinação estendeu-se por todas as partes da Índia e entre os mais sagrados locais.

Um dia, muitos milagres foram narrados, por terem sido feitos tanto por Namdev como Jñanadev. Certa feita, Namdev e Jñanadev alcançaram o deserto de Marwar. Namdev estava morrendo de sede. Eles encontraram um poço, mas a água estava num nível tão baixo que era impossível alcançá-la por meios comuns. Jñanadev assumiu a forma de um pássaro pelo seu Laghima-Siddhi, e trouxe a água no seu bico. Mas Namdev fez algo mais extraordinário. Ele orou a Rukmini e o nível da água subiu miraculosamente até a superfície. Este poço está até hoje em Kaladji, a dez milhas de Bikaner.

4. O encontro com o sultão
Namdev e Jñanadev foram até Naganathpuri. Namdev iniciou um Bhajan no templo. Havia uma multidão. Os sacerdotes não conseguiram entrar no templo e ficaram furiosos. Namdev se dirigiu ao portão do Oeste, e passou a noite fazendo Kirtana. A imagem do templo, por Si mesma, virou-se para aquele lado.

Um Brahmana de Bidar convidou Namdev para fazer Bhajan em sua casa. Namdev foi com um grande número de devotos. O sultão se enganou com eles, pensando tratar-se de uma tropa de rebeldes, e colocou o General Kasi Pant contra eles. O general reportou ao sultão que eles eram apenas um grupo religioso. O sultão ordenou que Namdev deveria ser preso e processado. Ele pediu que Namdev ressuscitasse uma vaca, ou que abraçasse o Islam. Um elefante foi enviado para esmagar Namdev e matá-lo. Mas Namdev estava preparado para morrer. Namdev devolveu a vida a uma vaca. O sultão e os outros que assistiram ficaram impressionados com a maravilha. Namdev ganhou a admiração do sultão e da sua comitiva.

5. Adotando um Guru
Muito envergonhado, Namdev desculpou-se com Vithoba por sua humilhação. Ele disse que não via necessidade de ter um Guru, uma vez que tinha íntima relação com o Senhor Krishna, pessoalmente. O Senhor Krishna disse para Namdev que ele O conhecia realmente. Namdev negou isso. O Senhor Krishna fez um desafio para Namdev, pedindo que descobrisse a Sua forma num determinado dia. Namdev concordou. O Senhor Krishna tomou a forma de um cavalheiro Pathan e passou diante de Namdev. Namdev não foi capaz de reconhecer o Senhor. Namdev concordou em ir até um Guru. O Senhor Vithoba então pediu para que ele adotasse Visoba Khechar como seu Guru.

Visoba Khechar foi um dos discípulos de Jñanadev e, na época, estava vivendo num vilarejo chamado Avandhya. Namdev foi até o vilarejo imediatamente e chegou lá à tardinha. Ele abrigou-se num templo, tendo em vista descansar. Ali, viu um homem dormindo com seus pés sobre a Deidade. Namdev ficou chocado, acordou o homem e chamou a atenção dele pelo sacrilégio que estava fazendo. O homem não era outro a não ser o próprio Visoba, que lhe replicou:

“Ó Namdev, por que me acordaste? Há algum simples ponto neste mundo que não esteja permeado por Deus? Se pensas que há algum simples ponto no mundo em que não esteja Deus, então, por favor, coloque meus pés nele!”.

Namdev pegou os pés de Visoba e moveu-os para um outro local, mas a Deidade estava lá. Então ele moveu os pés de Visoba para outra direção e a Deidade também estava lá. Namdev não foi capaz de encontrar um local em qualquer direção onde ele pudesse colocar os pés de Visoba, sem que pisasse na Deidade. Deus estava em todos os lugares! Tendo realizado esta grande verdade, de que Deus permeia todo o universo, Namdev rendeu-se a Visoba, humildemente, e com muita gratidão.

Visoba, então, aconselhou Namdev em grandes verdades. Uma pequena porção do conselho de Visoba é dada a seguir:

“Se você quer ser absolutamente feliz, encha este mundo com Bhajan e o sagrado Nome do Senhor. O Senhor é o mundo em Si mesmo. Abandone todas as ambições e desejos. Deixe-os tomar cuidado de si mesmos! Contente-se apenas com o nome de Vittal. Você não precisa intentar qualquer sofrimento ou dificuldade, tendo em vista o céu. Vaikuntha virá por si mesmo. Não seja ansioso nesta vida por seus amigos ou parentes. Eles são apenas uma ilusão ou miragem. Estamos aqui como um pequeno pote de barro da roda do oleiro, que fica rodando num curto período de tempo depois de ter ficado pronto. Faça o melhor de tudo, mantendo o nome de Vittal mesmo em sua mente e nos seus lábios e por vê-lO em todos os lugares, e em todos. Esta é a minha experiência de vida. Pandharpur foi estabelecida nas margens do rio Chandrabhaga, como um tipo de barco para as pessoas cruzarem de forma segura o oceano desta vida. Pandharinath está mantendo-se aqui como o barqueiro responsável para levá-lo para o outro lado; e o ponto mais importante é que Ele faz isso sem qualquer taxa. Neste caminho Ele salvou mais de dez milhões de pessoas que vêm até Ele e se rendem. Se você se render a Ele, então não haverá morte neste mundo”.

Após a iniciação por Visoba, Namdev tornou-se mais filosófico e de grande coração. Seu templo não era somente na largura ou tão estreito como o espaço das margens do Chandrabhaga, mas sim o mundo todo. Deus passou não apenas a ser Vithoba ou Vittal, com mãos e pernas, mas o Ser infinito onipotente.

Poucos dias depois de Namdev ter adotado Visoba como seu Guru, ele estava sentado num local realizando um Bhajan. Neste meio tempo, um cachorro veio até o local, e fugiu com o pão que Namdev tinha preparado para a refeição do meio dia. Namdev correu atrás do cão; ele não tinha uma varinha na sua mão, mas um copo de Ghee; e ele disse para o cão, assim:

“Ó Senhor do mundo! Por que comer um pão seco, sem Ghee? Pegue um pouco de Ghee e o sabor ficará melhor”. A realização do Atman de Namdev agora estava completa e transbordante.

Após Namdev ter retornado com Jñanadev de uma longa peregrinação, ele expressou o desejo de entrar em Samadhi em Alandi. Namdev, portanto, acompanhou o grupo para Alandi, uma vez que não podia se separar de Jñanadev.

Namdev não foi autor de um grande tratado, mas ele nos deixou um grande número de Abhangas ou poemas curtos, cheios de néctar de Bhakti e amor direcionado a Deus. Estes poemas são extremamente doces. A grande maioria deles está perdida, mas existem cerca de 100 poemas ou Abhangas, os quais são motivo de grande inspiração para todos que os lerem. Alguns destes Abhangas são encontrados no Adi Granth Sahib dos Sikhs.

6. Janabai, a serva solteira de Namdev
A vida de Namdev não ficaria completa sem a menção de Janabai. Ela foi a serva solteira na vida familiar de Namdev. Nada se sabe sobre a sua vida, exceto que era a serva de Namdev. Há muitos poemas nos quais ela descreve a devoção, descrevendo-se a si mesma como a serva de Namdev, ou Namdev Jani. Ela foi uma entre os seguidores de Namdev e não tinha ambição outra do que servir Namdev, e cantar as preces para o Senhor Vithoba. Por exemplo, em um de seus poemas, ela canta:

“Deixai-me experimentar muitos nascimentos neste mundo como Tua serva, conceda a realização de meu desejo. Eles vão ser Pandharpur e servir Namdev a cada nascimento. Eu não terei mente se eu for um pássaro ou um porco, um cão ou um gato, mas minha condição é que em cada uma destas vidas, eu deva ver Pandharpur e que possa servir Namdev. Esta é a ambição desta serva”.

Em outro local, Janabai escreve:
“Dai Tuas bênçãos apenas para esta moça, Ó Hari, que eu irei sempre cantar Teu Sagrado Nome. Realize meu único desejo que é aceitar minha humilde admiração e serviço. Isto é tudo o que desejo. Tenha misericórdia de mim e realize meu desejo. Eu quero concentrar meus olhos e mente em Ti e ter o Teu nome em meus lábios. Desta caída serva aos Teus pés”.

Em suma, esta é a filosofia de Janabai e de como ela alcançou sua meta desejada. Tão intensa e sincera era a sua devoção por Vithoba, que o Senhor pessoalmente costumava deixar mais leves as suas obrigações da casa, nas quais ela envelheceu, e com o tempo foi incapaz de realizar. Pelo seu serviço e devoção para Deus, ela mergulhou por completo em Deus. Janabai foi uma grande alma! E Namdev um grande mestre!

Om Tat Sat

Sábio Yajñavalkya

SÁBIO YAJÑAVALKYA

SRI SWAMI SIVANANDA

© Tradução para o Português de
SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI
SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL

O nome de Yajñavalkya de Mithila ergue-se distinto tanto nos Srutis como nos Smritis. Yajñavalkya é especialmente conhecido pela sua insuperável sabedoria e poder. O profeta de um Veda Samhita para Bhagavan Surya, o revelador do Brahma-jñana para Janaka, Maitreyi e outros, saúda-se Yajñavalkya de forma suprema entre os sábios da sagrada memória. Com respeito à obtenção do Shukla Yajurveda Samhita do Bhagavan Surya, há a seguinte história.

Yajñavalkya foi filho da irmã de Mahamuni Vaishampayana, o Vedacharya da seção Taittiriiya. Ele estudou o Taittiriya Samhita de Vaishampayana que foi, também, o seu Guru. Vaishampayana teve muitos outros discípulos também, e todos eles foram estudiosos de Taittariya Shakha.

Yajñavalkya determinou-se a não ter mais qualquer Guru humano depois disto, e assim ele passou a reverenciar o Deus Sol, Surya. Yajnnavalkya adorava e exaltava o Sol, o mestre dos Vedas, com o propósito de adquirir a parte nova dos Vedas, não conhecida pelo seu preceptor, Vaishampayana.

Yajñavalkya disse:”Reverências para o glorioso Aditya, que é a forma do Atman, que habita todos os seres. Eu me curvo diante daquele que envolve todo o Akasha, que é uno e não é diferenciado ou limitado por condições. O Grande Deus, Ó Criador, eu contemplo a ardente esfera que ilumina e aquece todo o mundo! Ó, Deus, que queima todas as misérias através das atividades justas, que queima a ignorância que é semente da atividade! Ó, Senhor, eu adoro os Teus pés de lótus, que são adorados pelos governadores de todos os três mundos. Dê-me a porção dos Vedas as quais não são conhecidas por outros”.

O Deus Sol, o glorioso Senhor Hari, satizfez-se com as penitências, assumindo a forma de um cavalo, e ensinou ao sábio tais porções novas do Yajurveda, que não eram conhecidas por nenhum outro. Essa parte do Yajurvada recebeu o nome de Shukla Yajurveda. Ele é também conhecido como Vajasaneya Yajurveda, porque ele foi trazido com grande rapidez por Surya, na forma de um cavalo na sua crina. Yajñavalkya dividiu este Vajasaneya Yajurveda novamente em quinze ramos; cada um desses ramos compreende centenas de Yajus mantras, além Kanva, Madhyandina e outros estudos naqueles ramos.

Yajñavalkya teve duas esposas. Uma delas foi Maitreyi e a outra Katyayani. Das duas, Maitreyii foi uma Brahmavadini. Quando Yajñavalkya quis dividir a sua propriedade entre as suas duas esposas, antes de ingressar no quarto Ashrama, a sua esposa Maitreyi disse que queria se tornar imortal através da riqueza. Yajñavalkya respondeu que não havia possibilidade de imortalidade por intermédio da riqueza, e que ela se tornaria apenas uma entre os muitos que possuem posses na Terra. Ao escutar isto, Maitreyi pediu para Yajñavalkya para ensinar a ela o que é considerado o melhor. Então, Yajñavalkya, de forma elaborada, descreveu para ela a grandeza única do Ser Absoluto. A natureza de Sua existência, a via de alcançar o conhecimento infinito e a imortalidade, etc. Essa conversação imortal entre Yajñavalkya e Maitreyi é relembrada no Brihadaranyaka Upanishad. O tema central do discurso é este:

“Todas as coisas são queridas não pelo bem de alguém, mas pelo bem do Ser. Apenas este Ser existe em toda a parte. Ele não pode ser entendido como conhecido, porque unicamente Ele é o Entendedor e o Conhecedor. Sua natureza não pode ser dita e como sendo possível em termos mundanos. Ele é realizado através de recusa infinita como ‘não isto, não isto’. O Ser é autoluminoso, indestrutível, impensável”.

No final,  tomou a Vidvat Sannyasa (renúncia após alcançar o conhecimento de Brahman), e retirou-se para a floresta.

Yajñavalkya foi um dos maiores sábios, e é eternamente lembrado. Nós o encontramos arguindo e superando até mesmo seu professor Uddalaka, na corte de Janaka. Seus preceitos estão contidos nos Upanishads e sustentam-se como a jóia dos mais elevados ensinamentos sobre o Brahma-Vidya.

Om Tat Sat

Samartha Ramdas

SAMARTHA RAMDAS

SRI SWAMI SIVANANDA

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SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI
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1. Introdução
Sri Ramdas foi um dos grandes santos do mundo. Ele foi o inspirador do Sivaji. Ele nasceu como filho de Suryaji Panth e Renuka Bai em Jamba, Maharashtra, no ano de 1608. Seu nome original era Narain. Ramdas foi contemporâneo do Santo Tukaram. Ele foi um grande devoto de Hanuman e do Senhor Rama. Ele teve um Darshana do Senhor Rama ainda quando era menino. O Senhor Rama, pessoalmente, iniciou-o. Como um menino, Ramdas adquiriu algum conhecimento das escrituras Hindus, e desenvolveu um apreço pela meditação e pelo estudo da religião. Um dia ele se fechou numa sala e começou a meditar em Deus. Quando a sua mãe perguntou o que ele estava fazendo, Ramdas respondeu que estava meditando e rezando para o bem do mundo. Sua mãe ficou surpresa com a preciosa inclinação religiosa do menino e ficou feliz. Quando Ramdas tinha doze anos de idade, todos os arranjos foram feitos para realizar o seu casamento. Ele sentou-se diante da noiva. Havia uma tela entre a noiva e o noivo. Quando o sacerdore cantou !Sawadhan! (esteja alerta), Ramdas saiu do lugar e desapareceu num piscar de olhos.

2. Estudos e penitências
Por doze anos, Ramdas ficou em Nasik, nas margens do rio Godavari. Ele costumava levantar muito cedo pela manhã, ir para o rio Godavari, e com seu corpo imerso pela metade na água, recitava o sagrado Mantra Gayatri, até a tarde. Então ele ia pedir esmolas. Ele primeiramente oferecia os alimentos coletados para a Deidade de Sri Rama, e então comia a Prasada. Após descansar um pouco, ele costumava ocupar-se de discursos religiosos, nos vários templos de Nasik e Panchavati. Ramdas também estudou Sânscrito e copiou a mão o seu próprio Ramayana de Valmiki. Este manuscrito ainda está preservado na coleção de Sri S. S. Dev de Bhubliah.

Ramdas fazia Purascharana do Rama mantra de treze letras, Sri Ram Jaya Ram Jaya Jaya Ram, treze voltas, em Talafi, próximo a Nasik, nas margens do rio Godavari. Certa feita, após o Purascharana ter terminado, Ramdas teve um Darshana do Senhor Rama. É dito que Ramachandra ordenou Ramdas visitar lugares sagrados como Nasik, Haridwar, Kasi, etc.

Ramdas borrifou água sagrada sobre um corpo morto expressando o sagrado nome de Rama, e o corpo morto retornou à vida. Ramdas fez isso porque ele tinha abençoado uma mulher que, há pouco, tinha perdido o seu marido.

3. Peregrinação
Diz-se que Sri Rama ordenou Ramdas para ir as margens do rio Krishna e auxiliar a causa de Sivaji, a encarnação de Siva, e fundar o reino de Maharashtra. Ramdas foi para Krishna e tomou conta de pregar de Mahabaleshwar a Kolhapur. Ele estabeleceu 17 locais principais de Maruti, os quais enfatizaram a importância do desenvolvimento físico. Ele instalou santuários de Sri Ramachandra em Champavati e introduziu Srima Navami Mahotsava, e a procissão da carruagem de Sri Rama. Foi em Singanvadi que Sivaji tornou-se o discípulo de Ramdas.

Sivaji colocou sândalo no seu guru no trono e atuou como regente do reino sobre as ordens e guias de seu Guru, e adotou como insígnia a bandeira de cor laranja. Ali um belo e romântico incidente ocorreu em Maharashta, sobre a adoção da bandeira Gerua laranja por Sivaji, e sob o reinado no nome do santo Ramdas.

4. Seus ensinamentos
Ramdas passou muitos anos na visita de lugares sagrados de peregrinação. Ele construiu muitos templos para Hanuman em Maharashtra. Quando ele retornou de sua peregrinação, algumas pessoas disseram para Ramdas que sua mãe estava esperando por ele, e que ela tinha perdido a visão, por causa do extremo sofrimento pela separação de seu filho. Ramdas imediatamente foi ver sua mãe. Ele prestou reverências diante de sua mãe. Sua mãe ficou extremamente feliz de encontrar o seu filho, após um período de muitos anos. Ramdas tocou os olhos de sua mãe. Ela voltou a ver através o poder Yoguico do seu filho.

Ramdas possuía um estilo muito particular. Ele se mostrava como um homem maluco. Ele tinha um pequeno arco e flecha. Ele costumava ter ao seu lado um grande número de pedras, as quais jogava em cada objeto que via. Para uma pessoa realmente interessada nos seus ensinamentos ele dava o Mantra Sri Ram Jaya Ram Jaya Jaya Ram. Ramdas possuía um mil e cem discípulos, dos quais trezentas eram mulheres. As mulheres discípulos eram experientes pregadoras e virtuosas. Ramdas enviou seus discípulos para todas as partes da Índia, para espalhar a religião Hindu. Seus discípulos e Mutts no Norte do país, direta ou indiretamente, ajudaram Sivaji em seu trabalho. A organização de Ramdas no Sul, nos arredores de Thanjavur, ajudaram o filho de Sivaji, Rajaram, a ir para Jini, em uma guerra de vinte anos contra Aurangazeb. Quando Ramdas visitou Thanjavur, Venkoji, o qual era meio irmão de Sivaji, ele se tornou seu discípulo. Ramdas nomeou Bhimaswami, seu discípulo direto, como o Mahant do Thanjavur Mutt.

5. Últimos Dias
As últimas instruções para seus discípulos foram: “Não pense muito nos seus quereres corpóreos. Tenha Satsang com os devotos. Mantenha uma imagem do Senhor Rama no seu coração. Repita o Nome do Senhor Rama sempre. Aniquile a luxúria, o orgulho, a inveja, a ira, o ódio e o egoísmo. Veja o Senhor Rama em todas as criaturas. Ame a todos. Sinta a presença do Senhor em todo o lugar. Viva apenas com Ele. Sirva-O em todos os seres. Faça total e irrestrita rendição para o Senhor. Você deve viver sempre n´Ele. Você alcançará a imortalidade e a eterna bem-aventurança”.

Om Tat Sat

Tulsidas

TULSIDAS

SRI SWAMI SIVANANDA

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SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI
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1. Aparecimento
Goswami Tulsidas nasceu em Tajpur, no distrito de Banda, em Uttar Pradesh, em Samvat, 1589 ou 1532. Ele foi um Sarayuparina Brahmin de nascimento, e é considerado uma encarnação do sábio Valmiki, o autor do Ramayana, escrito em sânscrito. O nome do Seu pai era Atmaram Shukla Dube, e o da Sua mãe era Hulsi. Tulsidas não chorou quando nasceu. Ele nasceu com todos os trinta e dois dentes intactos. Na infância, Ele era chamado de Tulsidas ou Ram Bola.

2. Envolvimento emocional
O nome da esposa de Tulsidas era Buddhimati (Ratnavali). O nome de seu filho era Tarak. Tulsidas era apaixonado por Sua esposa. Ele não suportava ficar um só dia separado dela. Certo dia, Sua esposa foi até a casa de seus pais, sem ter informado o seu marido. Tulsidas foi furtivamente até a casa da sua sogra. Isso produziu um sentimento de vergonha em Buddhimati. Ela disse para Tulsidas: “Meu corpo não é nada mais do que uma rede de carne e ossos. Se você não desenvolver amor pelo Senhor Rama, ainda que seja a metade do amor que você tem pelo meu corpo sujo, certamente você irá cruzar o oceano do Samsara e alcançará a imortalidade e a bem-aventurança eternas”. Essas palavras perfuraram o coração de Tulsidas como flechas.

Ele não ficou ali nem mais um momento. Ele abandonou a casa e se tornou um asceta. Ele passou quatorze anos visitando vários lugares sagrados de peregrinação. Quando ele terminava de responder aos chamados da natureza, Tulsidas costumava jogar a água, largando o pote nas raízes de uma árvore, a qual era ocupada por um espírito. O espírito ficava muito grato a Tulsidas. Um espírito disse-lhe, certa feita: “Ó, homem! Peça-me um favor”. Tulsidas respondeu: “Deixe-me ter um Darshana do Senhor Rama”. O espírito respondeu: “Vá até o templo de Hanuman. Ali, Hanuman vem com a aparência de um leproso, para escutar o Ramayana, sendo o primeiro ouvinte, e o último a sair de todos. Alcance-o. Ele irá ajudar você”. Conseqüentemente, Tulsidas encontrou Hanuman, e através da Sua graça ele teve a visão do Senhor Rama.

3. Obras
Tulsidas escreveu doze livros. O mais famoso livro é o seu Ramayan: Ram-charit-manas, em Hindi. Ele escreveu esse livro sob a orientação de Hanuman. Este Ramayana é lido e adorado com grande reverência em cada casa Hindu, no Norte da Índia. É um livro inspirador e contém um belo ritmo. O Vinaya Patrika é outro importante livro escrito por Tulsidas.

4. Passatempos
Em certa feita, vieram alguns ladrões no Ashrama de Tulsidas para pegar as suas coisas. Eles viram um guarda com a cor da pele azulada, com um arco e flechas nas suas mãos, mantendo vigia no portão. Sempre que eles se moviam o guarda os seguia. Eles ficaram amedrontados. Pela manhã, eles chamaram por Tulsidas: “Ó, venerável santo! Nós vimos um jovem guarda com arco e flecha nas suas mãos no portão da sua residência. Quem é este homem?” Tulsidas ficou em silêncio… e chorou. Ele ficou sabendo que o senhor Rama, pessoalmente, estava tomando conta das suas coisas. Então ele distribuiu toda a sua riqueza para os pobres.

Tulsidas viveu em Ayodhya por algum tempo. Então ele se transferiu para Varanasi. Um dia, um assassino veio e gritou: “Pelo amor de Rama, dê-me esmolas. Eu sou um assassino”. Tulsidas convidou-o para ir até a sua casa, deu a ele sagrado alimento, o qual havia oferecido para o Senhor e disse que o assassino havia sido purificado. Os Brahmins de Varanasi reprovaram Tulsidas e disseram: “Como pode um assassino pecador ser absolvido? Como pode você comer com ele? Se o sagrado búfalo de Siva, ou Nandi, comesse das mãos do assassino, apenas assim nós aceitaríamos que ele fosse purificado”. Então, o assassino foi para o templo e o búfalo comeu nas mãos do homem. Os Brahmins ficaram muito envergonhados.

Certa feita Tulsidas foi a Vrindavana visitar um templo. Ele viu a imagem do Senhor Krishna e disse: “Como eu poderei descrever a Tua Beleza, Ó Senhor?! Mas Tulsidas apenas curva a sua cabeça quando Estás com o arco e flechas em Suas mãos!”. Então, o Senhor Krishna apareceu diante de Tulsidas na forma do Senhor Rama, com arco e flechas.

5. As bênçãos de Tulsidas
Em certa ocasião, Tulsidas trouxe o esposo de uma pobre mulher de volta à vida. O imperador Mongol de Delhi ficou sabendo do grande milagre feito. Ele mandou buscar Tulsidas. Tulsidas foi até a corte do imperador. O imperador pediu para o santo Tulsidas realizar algum milagre. Tulsidas respondeu: “Eu não tenho poderes super humanos. Eu apenas sei o nome de Rama”. O imperador colocou Tulsidas na prisão e disse, “Eu irei libertar a você apenas se realizar algum milagre”. Então, Tulsi orou para Hanuman e incontáveis bandos de macacos entraram na corte real. O imperador ficou com medo e disse: “Ó santo, perdoe-me. Eu sei o quanto És grande agora”. Então o imperador libertou Tulsidas da prisão.

Tulsidas deixou o Seu corpo mortal e entrou na morada da Imortalidade e Eterna Bem-aventurança em 1623, com a idade de noventa e um anos, em Asighat, em Varanasi.

Om Tat Sat

Jñanadev – o Santo de Maharashtra

JÑANADEV

SRI SWAMI SIVANANDA

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SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI
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1. O Santo de Maharashtra
O nome do Santo Jñaneshvar está nos lábios de cada um em Mahashtra. Ele nasceu Siddha. Ele foi um Yogi de elevadas realizações. Ele tinha controle sobre os elementos. Seu trabalho, Jñaneshwar, é uma saliente jóia da literatura Marathi. O estilo simples, as maravilhosas ilustrações e competentes analogias dão ao livro uma atratividade, um encanto, tornando-o muito proveitoso. Jñaneshvar é para os Mahashtras o que é o Ramayana de Tulsidas para o povo da fala Hindi. Jñandev viveu por poucos anos, mas fez maravilhas. Ele foi um gênio; um Yogi de profunda experiência espiritual e um sábio da ordem suprema. Ele fez uma crítica aos predecessores de forma ousada. Ele foi um grande reformulador social e religioso. Ele fundou o grande movimento de Bhakti em Maharashtra. Ele foi um delicado poeta.

A história de vida, origem e outras particularidades dos grandes santos, profetas e mestres do mundo são todas estranhas e misteriosas. Jñanadev nasceu como Sannyasi. O Senhor Jesus nasceu de imaculada concepção. E Ele foi o filho de um carpinteiro do vilarejo. Ele não nasceu num palácio; Ele nasceu do estábulo ou caverna, por sobre um monte de feno. Kabir foi filho de uma tecelã. Ele foi encontrado num lago. Sankara foi uma criança pobre em Kaladi.

Jñanadev, Jñanewat (Senhor do Jñana ou conhecimento), como algumas vezes é chamado, foi um antigo santo de Mahashtra. Ele, e Mukunda Rai, que viveu cerca de cem anos antes d´Ele foram os fundadores do Bhakti Panth em Mahashtra.

No décimo terceiro século, Mukunda Rai viveu em Apegaon, um centro financeiro, chamado de Govindapanth. Ele teve apenas um filho chamado Vittalpanth. Vittalpanth foi o pai de Jñanadev. Vittalpanth era piedoso e desapegado, mesmo na sua infância. Ele realizava peregrinações aos locais sagrados. Ele era profundamente letrado em sânscrito. Seu coração ansiava por auto-realização. Ele tinha uma grande tendência para se tomar Sannyasi.

2. Seus abençoados pais e irmãos
Vittalpanth casou-se com Rukmabai, filha de Sridharpanth, de Alandi, a qual fica a doze milhas de Pune, e é onde está o Samadhi de Jñanadev. Vittalpanth estava desgostoso com a vida mundana. Ele saiu em peregrinação e retornou de volta para Alandi. Ele desejava ser Sannyasa. Sua esposa e sogro não eram a favor dessa idéia. Vittalpanth foi para Varanasi e tomou-se Sannyasa de Sripad Yati (Ramananda Swami). Rukmabai ficou sabendo que seu esposo tinha entrado na quarta ordem ou 4º Ashrama da vida de um devoto. Isto foi um grande choque para ela. Ele orou para Deus, fervorosamente, para encontrar-se com o seu marido. Aconteceu de Sripad Yati, o Guru de Vittalpanth, ter ido para Alandi. No seu caminho para Rameswaram, Rukmabai aproximou-se e prostrou-se diante dele. Sripad Yati a abençoou: “Você será mãe de oito filhos”. Rukmabai chorou amargamente. Sripad Yati disse: “Ó, abençoada dama! Qual é a causa do seu sofrimento?” Então Rukmabai explicou tudo para o Yati.

O Yati soube que o jovem homem que havia tomado Sannyasa com Ele deveria ser o marido da jovem senhora. E então ele teve uma idéia, indo para Rames-waram. Ele voltou para Varanasi, repreendeu o seu discípulo, e disse, “Volte para a ordem de Grihastha Ashrama, e faça a sua esposa feliz. Ela deseja servir você. Minhas bênçãos estão contigo”.

Então Vittalpanth assumiu novamente a posição de Grihastha, seguindo as ordens de Seu Guru, retornou a Alandi e viveu com Rukmabai. Os Brahmanas ortodoxos de Alandi criticaram-no e a sua esposa. Eles diziam: “É contra as Escrituras ingressar na ordem de Sannyasa e depois retornar a vida de casado”. Mas Vittalpanth sabia que estava fazendo de forma correta, porque estava agindo conforme a ordem de seu Guru.

3. Abençoados irmãos
No devido decurso de tempo, quatro filhos nasceram. Nivritti, no ano de 1273, Jñanadev, em 1275, Sopan, em 1277, e Muktabai, em 1279 (três homens e uma mulher). Nivritti é tido como uma encarnação de Siva; Jñanadev como uma encarnação de Hari; Sopan de Brahman, e Muktabai, de Saraswati.

Numa certa ocasião, Vittalpanth foi com seus filhos para Tryambakeshwar, próximo a Nasik, localizado nas vizinhanças da origem do rio Godavari. Quando eles estavam próximos aos arredores da montanha Brahma-giri, depararam-se com um tigre. Vittalpanth correu com as crianças, mas se perdeu de Nivrrittinath. Nivrittinath entrou na caverna de Jñaninath. Jñaninath iniciou Nivritti nos mistérios do Yoga e deu a ele toda a sua riqueza espiritual. Alguns dias mais tarde, Nivritti juntou-se com seu pai e seus jovens irmãos.

4. O fardo da discriminação
As crianças alcançaram a idade da juventude (puberdade). Os pais queriam realizar a cerimônia do cordão sagrado. Os Brahmans da região recusaram-se a realizar a cerimônia. Eles disseram: “Um Sannyasi não deve conduzir uma vida de casado. As Escrituras não permitem que se realize a cerimônia do cordão sagrado em filhos de Sannyasi. Os filhos de um Sannyasi não têm direito de realizar a cerimônia do cordão sagrado. Eles não podem ser considerados Brahmanas. Você e a sua esposa violaram as sagradas leis das Escrituras. Existe apenas um rito de expiação para ambos (Pra-yaschitta). Vocês deverão a abandonar as suas vidas no Triveni de Prayag”.

Vittalpath e Rukmabai deixaram Alandi e abandonaram suas vidas na confluência dos rios Ganges e Yanuma, em Prayag. Eles pensavam que os Brahmanas teriam piedade de seus filhos e finalmente realizariam a cerimônia do cordão sagrado. Nivritti, na ocasião, tinha 10 anos; Jñanadev, cerca de 8 anos, e o mais novo deles, cerca de 5 anos.

Jñanadev ficou contente em poder vestir o sagrado cordão sagrado, tendo em vista realizar o desejo de seus pais, que haviam abandonado suas vidas com este propósito. Então ele se aproximou dos Brahmanas de Alandi, mais uma vez. Os Brahmanas agora ficaram movidos pela piedade quando eles viram a condição desprotegida daquelas crianças. Eles disseram para eles: “Tragam uma carta de autorização dos sábios Brahmanas de Paithan. Então nós iremos realizar a cerimônia do cordão sagrados para vocês”.

Os meninos foram até Paithan e avistaram os Brahmanas. Eles recitaram os Vedas. Os Brahmanas disseram: “Vocês não estão autorizados a recitarem os Vedas. Parem a recitação agora. Vocês são os filhos do Sannyasi que retornou ao Grihastha Ashrama”; Jñanadev respondeu: “Qualquer um pode recitar os Vedas. Mesmo aquele búfalo pode recitá-lOs”. Ele colocou a Sua mão sobre o lombo do búfalo, e imediatamente o búfalo recitou os Vedas, durante uma hora, do ponto onde Jñanadev havia parado, com correto ritmo e entonação. Os Brahmanas ficaram chocados, com medo, mas maravilhados. Eles disseram: “Estes não são meninos comuns. Eles são a verdadeira encarnação de Sankar, Vishnu e Brahma!”. De fato, aqueles meninos nasceram Siddhas. Mesmo que os Brahmanas tenham recusado a cerimônia do cordão sagrado, eles admitiram a grandiosidade dos meninos. O búfalo de Paithan morreu em Ale, no distrito de Pune. Lá existe um Samadhi para este búfalo, e mesmo nos dias de hoje ele está lá. Os meninos permaneceram em Paithan e ensinaram a Bhagavad Gita para as pessoas. Jñanadev realizou muitos milagres. Um Brahmana tinha que realizar o aniversário do seu pai. Os Brahmans não fizeram. Jñanadev trouxe os Pitris pessoalmente para Terra do céu. Ele ressuscitou um homem morto. O nome do homem era Sachidananda Pava.

5. Jñaneshwari
Jñanadev escreveu Jñaneshwari, seu maravilhoso comentário sobre a Bhagavad Gita, com a idade de 13 anos. O livro ficou completo no ano de 1290 em Nevasa, na cidade dos rios Pravara, no distrito de Ahmednagar. O escrito atual foi de Sachidananda Pava. O comentário de Jñanadev sobre a B.G é considerado um dos melhores. Certa feita, numa grande assembléia de Panditas em Varanasi, Jñanadev foi eleito o presidente. Nivritti, Jñanadev, Sopan e Muktabai saíram em peregrinaçao e visitaram Pandharpur, Prabhasa, Dwaraka, Ayodhya, Mathura, Hardwar, Varanasi, Kanchi, Ujjains, Tirupathi, Rameswaram, Madurai, Gokaran, e outros locais. Nandev os acompanhou. Jñanadev viveu cerca de seis anos depois de ter completado o seu maravilhoso comentário da Gita, o Jñaneshwari Gita.

6. Os passatempos
Jñanadev tinha pleno controle sobre os elementos. Quando não tinha um recipiente para preparar comida, sua irmã preparava o pão sobre as Suas costas. Jñanadev é considerado um Avatara do Senhor Krishna. Nivritti foi, de fato, o Guru de Jñanadev. Nivritti pediu para Jñanadev escrever um livro independente que incorporasse toda as Suas experiências com Jñana. Jñanadev escreveu, então, o Amritanubhava, o qual contém a mais elevada experiência de Jñana em 800 versos. Jñanadev fez saber seus amigos e irmãos do seu desejo de entrar em Sañjivani Samadhi, ou Samadhi enquanto vivo. Ele fez isso em Alandi, no 13º dia da lua minguante, em no mês de Kartik, cerca do final de outubro de 1296, com 22 anos de idade. Ele fez subir todo o Prana pelo Brahmananda, e deixou Seu corpo físico. Se alguém ler a Bhagavad Gita escrita por Ele, ao lado do Seu Samadhi, todas as suas dúvidas serão clareadas.

Todos os irmãos e a irmã de Jñanadev deixaram o mundo num curto espaço, de menos de oito meses. Sopan, entrou em Samadhi às margens do rio Karha em Saswad, que está no sopé da montanha Purandhar, próximo a Pune. Chang Dev alcançou o Samadhi num vilarejo chamado Punatamba. Muktabai dissolveu-se em si mesma nos cinco elementos com a idade de dezoito anos, durante uma grande tempestade. Nivritti entrou em Samadhi em Tryambak, na origem do rio Godavari.

Assim passaram quatro grandes almas. Dentro de um período de vinte e cinco anos, eles quebraram a inveja cega do período Brahmins, enraizada na escura ignorância, estabelecendo a todos no caminho de Bhakti e Jñana, fazendo com que as pessoas realizassem a igualdade de todos, levando a excelência de uma pessoa com relação a Deus, e não apenas por causa de um nascimento acidental, nesta ou naquela família, e nem pelo mero estudo dos Vedas e Vedanta, de forma fruitiva e especulativa. Entre os seguidores de Jñanadev estão Nandev, um alfaiate, a sua serva Jani; Narahari, um ourives; Chokamela, um Mahar; Sena, um barbeiro; Gora, um oleiro; Savanta, um jardineiro, e Bhagu, um Maharin, a quem todos respeitam como grandes devotos de Krishna.

7. Glória da Gita
Jñanadev fundou uma instituição chamada de Warkari Sampradaya, a qual ainda está ativa em Mahashtra. Ela é chamada de “Wari para Pandarpur”. Todos que aceitam este Wari responsabilizam-se de ir para Pandharpur em Ashadh Ekadasi (Junho-julho), e no Kartik Ekadasi (outubro-novembro), todos os anos. Eles devem visitar Pandharpur pelo menos anualmente, se não forem nestas duas datas. Isso é considerado muito sagrado, e a não ser que haja uma doença muito grave, todos os adeptos devem ir para Pandharpur ano após ano, enquanto viverem, de geração a geração.

Que todos vocês se atraiam pela inspiradora vida de Jñanadev! Que todos vocês se ergam alto no reino do conhecimento, pelo estudo cuidadoso do Jñaneshwari e Amntanubhava! Que as bênçãos de Jñanadev, um raro Siddha Yogi, caiam por sobre todos! Que todos vocês visitem o local de Samadhi de Jñanadev em Alandi, durante Seu dia de aniversário e recebam as bênçãos que silenciosamente nutriram em segredos Seus devotos com o néctar da imortalidade!

Om Tat Sat

Mira Bai

MIRA BAI

SRI SWAMI SIVANANDA

© Tradução para o Português de
SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI

SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL

1. Introdução
Mira Bai é considerada uma encarnação de Radha (consorte de Krishna). Ela nasceu em Samvat, no ano de 1557 ou em 1499, no vilarejo de Kurkhi, próximo a Merta, um pequeno estado em Marwar, Rajastan. Mira foi filha de Ratan Singh Ranthor, e neta de Dudaji de Merta. A família Ranthor era grande devota do Senhor Vishnu. Mira Bai foi ensinada sob a influência Vaishnava (devotos de Vishnu), a qual moldou a sua vida no caminho de devoção em direção ao Senhor Krishna. Ela aprendeu a adorar o Senhor Krishna desde a sua infância. Quando ela tinha quatro anos de idade, manifestou suas tendências religiosas. Certa feita, houve uma procissão de casamento defronte a sua casa. O noivo estava belamente trajado. Mira, que era apenas uma criança, viu o noivo e disse para a sua mãe inocentemente: “Querida mãe, quem é o meu noivo?”. A mãe de Mira sorriu e disse de brincadeira, meio sério, apontando em direção a imagem de Sri Krishna e disse: “Minha querida Mira, o Senhor Krishna – esta bela imagem – é o seu noivo”. A menina Mira começou a amar muito o ídolo de Krishna. Ela passava muito do seu tempo banhando e vestindo a imagem; ela adorava a  imagem, e dormia com a imagem. Ela dançava diante da imagem em êxtase, e cantava belíssimas canções diante da imagem. Ela costumava falar com o ídolo de Krishna como se Ele fosse uma pessoa.


2. O Casamento de Mira
O pai de Mira arranjou o casamento dela com Rana Kumbha de Chitore, em Mewar. Mira foi uma esposa obediente; ela realizava as ordens do seu esposo de forma irrestrita. Após realizar as obrigações da casa, ela ia até o templo do Senhor Krishna, adorá-lO, cantando e dançando diante da deidade. Mira abraçava a pequena imagem, tocava a Sua flauta e conversava com ela. A sogra de Mira, e outras senhoras da casa, não gostavam do seu estilo, na medida em que elas eram mundanas e invejosas, de modo que todas elas estavam perturbadas com ela. A sogra de Mira forçou-a a adorar Durga, e chamava a atenção dela freqüentemente. Mas Mira sustentava de forma adamantina, dizendo: “Eu dei a minha vida para o meu querido Senhor Krishna!”. A cunhada de Mira, Udabai, fez uma conspiração, e começou a difamar a inocente Mira. Ela disse a Rana Kumbha que Mira tinha um amor secreto, e que ela, por seus próprios olhos, tinha testemunhado Mira no templo com seu amante, e que ela mostraria para ele a pessoa se ele a acompanhasse numa noite. Ela acrescentou que Mira, por sua conduta, tinha maculado imensamente a reputação da família de Rana de Chitore. Rana Kumbha, por isso, ficou muito irado. Ele, imediatamente, correu com a espada na mão para o interior dos aposentos de Mira. Felizmente, Mira não estava lá. Um parente bondoso de Rana apontou para ele e disse: “Olhe aqui, Rana! Não seja apressado. Você irá se arrepender mais tarde. Leve bem isso em consideração. O que você escutou agora talvez seja apenas um rumor bobo. Por causa de inveja absoluta, algumas mulheres estão fofocando uma história contra Mira, para destrui-la. Fique calmo agora”. Rana Kumbha cedeu ao sábio conselho de seu parente. A irmã de Rana levou-o para o templo, no silêncio da noite. Rana Kumbha quebrou-o, abrindo a porta e entrando apressadamente, e encontrou Mira sozinha no seu modo de êxtase falando com o ídolo.

Rana disse para Mira: “Mira, com quem você está falando agora? Mostre-me este seu amante!”. Mira respondeu: “Ele está sentado aqui – meu Senhor – o Nanichora que roubou meu coração”; e desmaiou em seguida. Houve uma fofoca de que Mira tinha se misturado livremente com os Sadhus. Ela, sem dúvida, tinha grande admiração pelos Sadhus e se associava livremente com eles. Mira jamais deu bola para esses escândalos insignificantes, mantendo-se serena.

3. Mira foi muito perseguida
Mira foi perseguida em várias maneiras por Rana e seus parentes. Ela foi tratada da mesma maneira que Prahlada fora tratado por seu pai Hiranyaskashipur. O Senhor Hari defendeu Prahlada. Com Mira, Sri Krishna sempre ficou ao seu lado. Uma vez, Rana enviou uma cobra dentro de uma cesta para Mira, com uma mensagem que havia uma guirlanda de flores dentro. Mira tomou um banho e sentou-se para a adoração. Após terminar a sua meditação, ela abriu o cesto e encontrou dentro dele uma adorável estatueta de Sri Krishna e uma guirlanda de flores. Depois, Rana enviou para ela um copo com veneno, com a mensagem de que continha um néctar. Mira ofereceu para o Senhor Krishna e tomou como sendo Sua Prasad; como sendo, de fato, um néctar para ela. Então Rana enviou uma cama de pregos para ela dormir. Mira terminou sua adoração a Krishna e deitou-se na cama de pregos. E veja! A cama de pregos se transformou numa cama de rosas.

Quando Mira foi torturada pelos parentes do seu marido, ela enviou uma carta para Tulsidasji, e pediu o conselho do santo homem. Ela escreveu para ele assim: “Todos os meus parentes me importunam, porque eu fico no meio dos Sadhus. Eu não posso continuar minhas práticas devocionais em casa. Eu fiz Giridhar Gopal, meu amigo, desde minha infância. Eu estou fortemente apegada a Ele. Eu não posso desapegar-me d’Ele agora”. Tulsidasji enviou uma resposta: “Abandone aqueles que não adoram Rama e Sita como se eles fossem seus inimigos, mesmo que eles sejam seus parentes queridos. Prahlada abandonou Seu pai; Vibhishana deixou seu irmão Ranava; Bharata deixou a sua mãe; Bali abriu mão até mesmo do seu Guru; as Gopis, as moças de Vraja, deixavam os seus maridos para chegar ao Senhor. Suas vidas eram todas alegres por terem feito isto. A opinião dos sagrados santos é de que unicamente a relação com Deus, e o amor por Deus é verdadeiro e eterno; todos os outros relacionamentos são irreais e temporários”.

4. Sua chegada em Vrindavana
Ela chegou em Vrindavana pedindo por comida, e por adoração no templo de Govinda Mandir, o qual, desde então, tornou-se famoso, e agora é um local de peregrinação. Seus devotos de Chitore vieram a Vrindavana para ver Mira. Rana Kumbha veio até Mira, disfarçado de mendigo, revelando-se a si mesmo, e arrependido por suas ofensas anteriores, e ações cruéis. Mira imediatamente prostrou-se diante do seu marido.

Jiva Goswami era o mais importante dos Vaishnavas em Vrindavana. Mira procurou ter um Darshan de Jiva Goswami. Ele negou-se a vê-la, enviando um recado para Mira de que ele não permitia nenhuma mulher na sua presença. Mira retorquiu: “Todos em Vrindavana são mulheres. Há apenas Giridhar Gopal é Purusha. Hoje eu apenas vim ver se havia outro Purusha além de Krishna em Vrindavana”. Jiva Goswami ficou envergonhado e viu que Mira era uma grande devota. Ele imediatamente foi ver Mira e prestou seus devidos respeitos.

A fama de Mira espalhou-se para todos os lugares. Deste modo, muitas princesas e rainhas vinham ter com ela; assim, muitas Ranis, Kumaris e Maharanis apareciam no palco deste mundo e desapareciam. Como é que apenas a rainha de Chitore era lembrada? Por causa da sua beleza? Por causa da sua habilidade poética? Não. Por causa da sua renúncia e profunda devoção ao Senhor Krishna, e realização em Deus. Ela ficava face a face com Krishna. Ela conversava com o Senhor Krishna; comia com Ele, seu Amado. Ela bebeu Krishna-prema-rasa. Ela cantava do fundo do seu coração a música de sua alma; a música do seu Amado, sua exclusiva experiência espiritual. Ela cantava músicas de rendição e Prema (amor puro por Deus). Mira tinha uma maravilhosa visão cósmica; ela via Krishna nas árvores, nas pedras, nas plantas trepadeiras, nas flores, nos pássaros e em todos os seres – em tudo. Enquanto houver o nome de Krishna haverá o nome de Mira também.

5. Uma personalidade ímpar
É extremamente difícil encontrar um paralelo desta maravilhosa personalidade, Mira: uma santa, uma filósofa, uma poetiza e uma sábia. Ela foi um gênio versátil e uma alma magnífica. Sua vida teve um encanto singular, com extraordinária beleza e maravilha. Ela foi uma princesa, mas abandonou os prazeres e as luxúrias incidentais desta alta posição, e escolheu, em vez daquilo, uma vida de pobreza, austeridades, Tyaga, Titiksha e Vairagya. Apesar de ela ser uma delicada jovem moça, ela penetrou na perigosa jornada do caminho espiritual no meio de várias dificuldades. Ela se submeteu a várias experiências com destemida coragem e intrepidez. Ela se manteve adamantina na sua resolução. Ela possuía uma força-de-vontade gigante. As músicas de Mira difundem fé, coragem, devoção e amor por Deus nas mentes dos leitores; inspirando os aspirantes a tomarem o caminho da devoção, produzindo neles uma maravilhosa vibração e derretendo os corações.

A vida terrena de Mira foi cheia de aborrecimentos e dificuldades. Ela foi perseguida, atormentada e, mesmo assim, ela se manteve de pé num espírito destemido, com a mente equilibrada totalmente internalizada, por sua força de devoção e pela graça do seu amado Krishna. Apesar de ela ser uma princesa, ela pediu esmolas, e viveu algumas vezes apenas de água. Ela levou uma vida de perfeita renúncia e auto-rendição.

Mira tinha Raganuga ou Ragatmika Bhakti. Ela jamais se importou com as críticas das pessoas, e com as injunções dos Shastras. Ela dançava nas ruas; ela não fazia rituais de adoração. Ela possuía amor espontâneo pelo Senhor Krishna. Ela não praticava Sadhana-Bhakti; desde tenra infância ela derramava amor por Krishna. Krishna foi seu marido, pai, mãe, amigo, parente e Guru. Krishna foi seu Prananath. Mira tinha terminado os modos preliminares de adoração na sua vida anterior.

Mira era destemida em sua natureza; era simples nos seus hábitos; sua disposição era alegre; amável no seu procedimento; e graciosa no seu comportamento, e muito elegante na sua conduta. Ela estava imersa em si mesma no amor de Giridhar Gopal. O nome de Giridhar Gopal estava sempre em seus lábios; até mesmo dormindo ela tinha o seu ser e vivia em Krishna.

6. Maha-Bhava de Mira
Na sua divina embriaguês, Mira dançava em locais públicos. Ela não possuía idéias sexuais. O seu exaltado estado não pode ser descrito de forma adequada em palavras. Ela estava mergulhada num oceano de Prema. Ela não possuía consciência do seu próprio corpo e do que acontecia ao redor; quem pode medir a sua profunda devoção? Quem poderá entender seu estado interno de Premamaya, de Maha-bhava? Quem pode medir a capacidade do seu imenso coração?

Mira flutuava na fragrância da devoção em todo o lugar. Aqueles que entravam em contato com ela eram afetados por sua forte corrente de Prema. Mira foi como o Senhor Gauranga. Ela era uma incorporação do amor e da inocência. Seu coração era um templo de devoção. Sua face era uma flor-de-lótus de amor. Ela era bondosa no seu olhar, amorosa no seu falar, alegre nos seus discursos; tinha poder na sua falar e ardor nas suas canções. Que dama maravilhosa! Que maravilhosa personalidade! Que figura encantadora!

Os místicos sons de Mira agem como um bálsamo calmante nos corações feridos, e os nervos cansados daqueles que trabalham duramente no mundo com sobrecarga em suas vidas. As doces melodias de suas músicas exercem uma influência benigna nos ouvintes, removendo a discórdia e a desarmonia, e os acalma até o sono. A linguagem de amor de Mira é tão poderosa que mesmo um completo ateu será tocado pelos seus sons devocionais.

Mira realizou bem a sua parte no teatro do mundo. Ela ensinou ao mundo o caminho do amor a Deus. Ela remou o seu barco com habilidade num mar tempestuoso das dificuldades familiares e alcançou a outra margem da suprema paz e absoluto destemor, ou o reino do amor supremo. Ela pertencia ao belo sexo feminino e mesmo assim, como era destemida e corajosa! Apesar de ela ser jovem, ela aguentou as perseguições silenciosamente. Ela sofreu cortantes insultos e críticas sarcásticas mundanas bravamente. Ela deixou uma impressão indelével no mundo e o seu nome passará para a posteridade. De Vrindavana, Mira foi para Dwaraka. E lá ficou, totalmente absorvida na imagem do Senhor Krishna no templo de Ranchod.

Santos e Sábios do Passado – Swami Krishnapryananda Saraswati

SANTOS & SÁBIOS DO PASSADO

SRI SWAMI KRISHNAPRIYANANDA

SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL

O que há de peculiar entre os Santos e Sábios do Passado? O que Eles fizeram que os tornaram eternos no Conhecimento? Quais as características de uma pessoa realmente sábia? Questões como esta fazem parte do verdadeiro buscador da Verdade. No mundo material, principalmente devido a atual era em que estamos vivendo, a Kali Yuga, não é fácil identificar o patife do verdadeiro mestre espiritual.

Graças as instruções da Bhagavad-gita, o seguidor sincero poderá ter as suas dúvidas aclaradas, uma vez que a própria Suprema Personalidade de Deus, pessoalmente, na posição do Guru Supremo, deu todas as orientações para poder diferenciar um falso Yogi e enganador do verdadeiro mestre com qualidades divinas, e que está trilhando o caminho em direção ao Supremo. Na Bhagavad-gita, Canto 16, versos 1-3, nós temos bem claro quais são as características de uma pessoa que está trilhando o caminho da Verdade Suprema:

“Sri Bhagavan, disse: destemor, existência equilibrada, perseverança no conhecimento do yoga, caridade, controle, execução de sacrifícios, austeridade, simplicidade, auto-aprimoramento, não-violência (ahimsa), sem ira, com veracidade, renúncia, paz, aversão em procurar por faltas (nos outros), misericórdia para com todas as entidades vivas, sem ganância, com gentileza, modéstia e determinação, vigor, perdão, força e determinação, limpeza; sem ser invejoso e não almejar por honras ou posses, estas são qualidades nascentes de uma pessoa de virtudes divinas, ó filho de Bharata (Arjuna)”.

Os ensinamentos dos Mestres que estão colocados nesta seção, como sendo Santos e Sábios do Passado, na realidade, são atemporais, porque são o conhecimento perfeito, advindo do Sanatana-dharma, de modo que nossa posição de julgar os fatos e passatempos do Senhor sempre serão temerárias, porque são parciais e imperfeitas. O mestre espiritual é tal o Senhor Supremo em pessoa. Ele tem realizado em si mesmo a Verdade Suprema, de modo que não há diferenças entre Ele e os Ensinamentos do Senhor Supremo em pessoa.

Que as bênçãos de nossos amados mestres caiam por sobre todos nós!

Hari Om Tat Sat

Santos e Sábios – Swami Krishnapryananda Saraswati

SANTOS & SÁBIOS

SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI


SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL

Quem é santo?
Quais são as pessoas qualificadas no mundo material para serem chamadas de santos? Na realidade, esta expressão é originada do sânscrito “santa”, que quer dizer, entre tantas coisas, “pureza”, “retidão”, “qualificação”, etc. Sendo assim, uma pessoa santa é aquela que possui muitas das qualidades divinas e se esforça para ensiná-las, quer através da religião, da ação benevolente, ou até mesmo política e social. Os textos védicos enaltecem as qualidades de benevolência para com o próximo, bem como de amor universal para com todas as criaturas. Sriman Mahatma Gandhi sempre dizia que “Todos os seres vivos são o nosso próximo”, isso porque ele via Deus em tudo e tudo em Deus. Sendo um profundo devoto do Senhor Rama, uma das Personalidade de Deus, Mahatma Gandhi procurou servir pelo exemplo. Neste sentido, podemos dizer que Mahatma Gandhi foi um Acharya, ou seja, uma pessoa que ensinava pelo exemplo, uma vez que era um fiel cumpridor daquilo que ele mesmo pregava. A vida de Sriman Mahatma Gandhi foi um exemplo para a humanidade, e seguirá sendo por toda a posteridade. A sua santificação, por conseguinte, não se trata de um ato canônico de alguma fé ou religião em particular, mas de um exemplo vivo de que todos podemos servir a todas as causas boas de modo honesto e exemplar.

Os Mestres do Passado, os Acharyas, e os Profetas Santos, colocados nesta plataforma, atingiram o nível de “santos”, e são exemplos de que é possível levar uma vida de retidão e de amor puro por Deus, deixando frutos que alimentam o mundo de fé e de esperança.

Quem é sábio?
A sabedoria não se resume na acumulação de um conjunto de escritos ou de idéias, nem mesmo a filosofia se resume em saber as idéias de um autor, mais do que isto, pois se assim fosse, bons sábios e filósofos seriam os computadores, mas ser sábio significa “saber o que fazer com o conhecimento”. Para exemplificar, a idéia da desobediência civil é muito antiga na Índia. Ela aparece em textos védicos muito antigos, onde se afirma que se uma injustiça é realizada contra uma coisa correta, a justiça deve ser restabelecida. O Senhor Cheitanya, tendo recebido uma ordem do governador de Kasy para não mais realizar Kirtans com os Santos Nomes do Senhor, reuniu uma grande assembléia de Sankirtaneiros, pessoas do povo, com Kartals, Mridangas, e uma série de instrumentos devocionais, e saíram todos pelas ruas até a residência do governador. Isso fez com que o governador muçulmano voltasse atrás e liberasse todos a cantarem os Santos Nomes de forma pública e livre. Séculos mais tarde, Mahatma Gandhi fez uso do mesmo expediente da desobediência pacífica, estabelecendo a política da Não-violência para demover os Ingleses da sua posição escravagista e dominadora do povo indiano. O que há de comum nos dois acontecimentos? O fato de usar uma sabedoria milenar, ensinada nos textos védicos, mas posta em prática com uso efetivo. Isso significa que o sábio é aquele que faz uma idéia agir num tempo, num determinado espaço e numa determinada circunstância. Como podemos ver, sabedoria não consiste em apenas “decorar” um grupo de conteúdos, mas de justificá-las, inclusive de modo pragmático.

Nós sabemos que a humanidade está repleta de sábios, que trouxeram as idéias do seu plano eidético e as colocaram no plano do ethos, ou do vir-a-ser. Assim podemos dizer que Einstein e muitos outros cientistas usaram da sabedoria e literalmente se tornaram sábios. Apesar de termos muitos exemplos do bom uso de uma idéia, há o mal uso de outras. Neste caso, quais são os critérios para avaliarmos se alguém é ou não sábio? Muitos dizem que se uma idéia é boa para a maioria ela é uma idéia boa e sábia; assim decidiu o Rei Salomão, quando ao ver duas mulheres disputarem a maternidade de uma mesma criança, fez menção de dividi-la ao meio. Uma das mulheres correu para salvar a criança, e o rei decidiu que aquela seria a mãe da mesma. Apesar de esta decisão ser comovente ela não nos dá condição de certeza, e esbarra num dos mais complexos conceitos metafísicos que é o conceito de justiça. Ler os textos de Swami Sivananda sobre os Sábios e Santos não apenas é gratificante, mas nos inspira a seguir adiante no caminho espiritual, mesmo com tantas dificuldades do mundo material, porque nos auxilia na caminhada em direção ao Divino Atman ou Brahman.

Om Tat Sat

Sri Krishna – Purna Avatara

SRI KRISHNA
.: Purna Avatara :.

SRI SWAMI SIVANANDA

© Tradução para o Português de
Swami Krishnapriyananda Saraswati
SANATANA DHARMA BRASIL
GITA ASHRAMA
Porto Alegre, RS – Brasil
1997 – 2005


Sri Krishna Murari, o doce som do Amor de Deus

.: Senhor Krishna, o Senhor Supremo :.

Saudações ao Senhor Krishna, o Senhor Supremo, que reside no interior do nosso coração; que é a Existência Absoluta; Conhecimento Absoluto; Bem-aventurança Suprema; que é a Alma deste universo; que concede imortalidade aos Seus devotos; que é a origem de tudo e que tomou a forma humana para o benefício dos deuses e Seus devotos; para destruir a crueldade, e estabelecer a justiça.

1. Introdução
Presto reverências para o Para Brahman, o Ser Supremo, do qual este misterioso universo surgiu; o qual É o seu único suporte; e pelo qual é dissolvido; quem é o Senhor Krishna em si mesmo.

O Senhor Krishna foi a mais elevada encarnação do grande Vishnu. Ele foi o ápice da encarnação de todos. Ele foi o Purna Avatara; a encarnação perfeita. Ele tinha dezesseis Kalas ou raios. Ele foi um nobre descendente da dinastia Yadava. Ele foi o mestre do mundo. Ele foi o Senhor do Amor. Ele foi o Senhor dos homens. Sua forma divina carrega o coração da Índia cativa em correntes, mesmo nos dias de hoje.

O Bhagavatam, o Mahabharata, e o Vishnu Purana, todos proclamam com voz em uníssono que não houve outro como Sri Krishna na forma de beleza e elegância em todos os três mundos.

Sua forma encantadora com a flauta nas mãos é adorada em miríades de lares da Índia. Esta é a forma a qual derrama devoção e amor Supremo nos corações dos incontáveis devotos, não apenas na Índia, mas também no Ocidente.

Ele foi uma nobre personificação das grandes qualidades da cabeça e do coração. Ele foi o maior gênio. Ele foi uma figura histórica sem precedentes. Seus passatempos – Lilas – da infância, contêm incontáveis lições para todos os seres pensantes. Ele foi uma gloriosa e extraordinária personalidade.

Cada palavra do Senhor Krishna ensina, e cada ato Seu é pleno de sublime e práticas lições de grande importância para a humanidade, numa grande variedade de meios.

A adoração do Senhor Krishna é praticada na Índia desde o começo da cultura do mundo. Ela é parte do Veda em si mesmo. Não se trata de um culto novo. Sri Krishna tornou-se objeto de adoração em toda a Índia, desde tempos imemoriais. Mesmo na Latvia (Europa), milhares de senhoras adoram Sri Krishna, e repetem o Seu Mantra: Om Namo Bhagavate Vasudevaya!

O Senhor Krishna foi o maior em conhecimento; Ele foi grande nas emoções, nas ações, em tudo. As Escrituras não registram nenhuma outra vida tão intensa, grande e sublime como a d´Ele.

Apesar de o Senhor Krishna ter aparecido na forma humana, Ele tinha um corpo Aprakritiya, ou corpo divino. Ele não nasceu. Ele não morreu. Ele apareceu e desapareceu por meio do Seu Yogamaya. Este é o segredo, conhecido apenas pelos Seus devotos, pelos Yogis e sábios.

O Senhor Krishna tomou parte de vários passatempos durante a sua estada no mundo. Ele conduziu a quadriga de Arjuna. Ele foi um inigualável estadista. Ele foi um mestre em música. Ele deu lições a Narada na arte de tocar Vina. A música de sua flauta fazia tremer o coração das Gopis e de todos. Ele foi um vaqueirinho em Nandagaon e Gokul. Ele realizou milagres, mesmo ainda quando era uma criança. Ele eliminou muitos Rakshasas. Ele mostrou a Sua Visvarupa para Sua mãe. Ele fez a Rasalila, um segredo que apenas pode ser entendido por Seus devotos como Narada, Radha, as Gopis, e Sri Gouranga. Ele ensinou as verdades do Yoga Supremo, Bahkti, e Vedanta, para Arjuna e Uddhava. Ele tinha a maestria sobre a 64 artes védicas. Eis porque Ele é considerado o Avatar de 16 Kalas ou poderes.

2. Avatara
Os Avataras aparecem de tempos em tempos por razões especiais e em circunstâncias especiais. Toda vez que há muita injustiça; toda vez que há confusão e desordem, estabelecidas pela falta de justiça, e a ordem e o progresso das pessoas está comprometida; sempre que a sociedade humana está mergulhada do egoísmo, sendo cruel e brutal com os seres vivos; uma vez que a irreligião ou Adharma é prevalecente; uma vez que os fundamentos sociais e as organizações se indeterminam, então os Avataras aparecem para estabelecer o Dharma, e restaurar a paz.

O Avatara é uma  “descida” de Deus para erguer as pessoas. Um raio de Hiranyagarbha desce por sobre a Terra com o poder magnífico de manter a harmonia no universo. O trabalho feito pelos Avataras e Seus ensinamentos produzem uma influência espiritual benigna sobre os seres humanos, e os ajuda a erguê-los ao divino desdobramento e auto-realização.

O Avatara vem para desvelar a natureza divina nas pessoas, e fazê-las despertar sobre a insignificante vida material de paixão e egoísmo.

Grandes manifestações são chamadas apropriadamente de Avataras. Avesha, Amsa (parcial), e Kala Avataras, Rishis, Munis, Profetas, Mesias, Filhos de Deus, mensageiros de Deus, são manifestações menores.

Os Avataras, usualmente, vêm com Seus acompanhantes particulares e favoritos. O Senhor Rama veio com Lakshmana, Bharata e Satrughna. O Senhor Krishna veio com Balarama, Devas e Rishis. Sanaka, veio com Sanandana, Sanat Kumara e Sanatana.
Alguns como Sri Sankara, Ramajuna, vêm como professores e líderes espirituais. Alguns como Cheitanya, nascem para instalar a devoção no coração das pessoas, e virar as mentes em direção a Deus. Os Avataras, como Krishna, vêm quando uma imensa catástrofe está por sobre a Terra.

Muitos Avataras encarregam-se de uma função, mas as atividades transcendentais de Sri Krishna são em grande número, por isso Ele é Purnavatara ou uma encarnação completa.

3. Krishna e os Puranas
Agni, Brahma, Padma, Brahma-Vaivarta, Vishnu e Bhagavata Puranas tratam da vida de Krishna. O Brahma e o Padma Puranas dedicam-se muitos capítulos a Krishna. O Brahma-Vaivarta, Vishnue Bhagavata Puranas, têm toda uma seção dedicada ao Senhor Krishna, ou Krishna Charita.

Radha exerce uma importante parte no crescimento do Vaishnavismo posterior. Nenhuma menção a Radha é feita no Vishnu e no Bhagavata-Puranas. Mas é no Padma Purana bem como no Brahma-Vaivarta que o culto a Radha é detalhado, Sua verdadeira natureza, e Suas companheiras, seus nomes, o significado místico, e a Sua relação com Krishna no Rasa Lila é dado. No Brahma-Vaivarta Purana, é dada grande importância a Radha na adoração a Krishna. No Vishnu e no Bhagavata Puranas, os aspectos filosóficos de Sri Krishna e a Sua adoração são exaltados.


4. Sua vida
O Senhor Krishna foi um Lila-Purushothama, uma forma alegre de Deus. Ele foi um Yogishvara. Ele foi um Prema-Murti. O Senhor Rama foi um Maryada Purushthama. Ele foi um filho ideal e um irmão ideal, bem como um marido ideal, um amigo ideal, e um rei ideal. Ele pode ser tomado como a incorporação dos mais elevados ideais humanos. Ele conduziu uma vida ideal como chefe-de-família, tendo em vista ensinar a humanidade.

Sri Krishna foi um homem de ação. Ele fez a história tornando as coisas erradas, corretas. Ele sustentou a justiça e a retidão. Suas regras foram para defender os oprimidos dos opressores. Ele foi um mestre com poderes superfísicos. Ele foi um homem de conhecimento e mestre do mundo. Ele foi um músico divino. Ele foi o Senhor dos Yogis. Ele foi o amigo de Arjuna e Uddhava. Seus ensinamentos imortais, dados para Arjuna e Uddhava, sobre Yoga, Bhakti, e Jñana, são únicos. Mesmo hoje, eles emocionam os corações dos leitores, incitando-os ao caminho espiritual, instilando paz dentro dos seus corações.

O Senhor Krishna foi um grande Karmi-yogi em todos os tempos. Ele carregou a tocha da sabedoria. Ele foi a incorporação da sabedoria e da ação abnegada. Ele combinou a Sua vida com tudo que é melhor, elevado, puro e maravilhoso, sublime, e grande, tanto nos céus como na Terra. Ele foi todo amor para os vaqueirinhos, vacas, e Gopis. Ele foi o amigo e bem-feitor dos pobres e desamparados. Ele tinha um gênio versátil.

Krishna foi um rio na luta da arena com Kamsa; mesmo assim, tinha um coração gentil. Ele foi Yama, a morte que chega, para Kamsa; o cupido para as Gopis, e o objeto de constante meditação para os Yogis e devotos; a forma de bem-aventurança para os sábios, e um filho para Seus pais. Ele foi o Cupido para o cupido (Sakshat Manmatha-Manmatha).

O Senhor Krishna foi a incorporação da humildade, apesar de Ele ser o Senhor do Universo. Ele tornou-se o cocheiro de Arjuna. Ele tomou para Si mesmo a obrigação de lavar os pés dos visitantes, voluntariamente, na ocasião da realização do Rjasuya Yajña, realizado por Yudhishthira.

No Bhagavata Purana está dito que Sri Krishna viveu por 125 anos por sobre a Terra, no canto XI-V.25.

Avatara

:: AVATARA ::

SRI SWAMI SIVANANDA

©Tradução de
Sri SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI
SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL


1. Introdução
Quando o Senhor Jesus nasceu, os anjos cantaram uma linda música em oração ao Senhor, e, assim fazendo, revelaram o propósito da Sua descida: “Glória a Deus nas Alturas, e paz na Terra aos homens de boa vontade.”

O Senhor Jesus tinha chegado neste mundo dos homens com a ordem de estabelecer a verdade, e a mais alta glória de Deus: Paz na Terra, e boa vontade no coração dos homens, dirigida a todos os seres amistosos.

2. A lei que governa a descida do Senhor
A lei que governa a descida do Senhor por sobre a Terra é a mesma em todos os tempos, em toda parte. Existe a descida de Deus para a ascensão do homem. A meta de todo o Avatara é salvar o mundo dos grandes perigos, destruir os malvados e proteger os virtuosos. Disse o Senhor Krishna: “Sempre que há a decadência da retidão, então Eu mesmo em pessoa saio e venho a Terra; para proteção do bem, destruição dos pecadores, pela segurança de firmemente estabelecer a justiça, Eu nasço de era em era”.

Quando a injustiça cresce e a retidão diminui; quando as forças do que não é divino parecem mais fortes que as forças divinas; quando o mundo de Deus ou os preceitos de suas mensagens são esquecidos ou desobedecidos; quando o fanatismo religioso segue a letra das escrituras, mata seu espírito, então o Senhor encarna-Se na Terra, para salvar o homem, salvar a retidão. Ele torna-se humano quando Ele desce ao plano físico. Ele é chamado de Avatara.

3. Diferença entre um Jivanmukta e um Avatara
Um simples Jivanmukta (alma liberada) é como uma estrela brilhando a noite. Ela apenas arremessa uma pequena luz. De um modo ou de outro, ele tem cruzado a outra margem através de algum Tapa (austeridade) e Sadhana (prática de yoga). Ele não pode erguer um largo número de pessoas. Justo como a água de uma pequena fonte pode apagar a sede de apenas uns poucos peregrinos, assim também, este Kevala-jñani (sábio) pode trazer paz para apenas algumas poucas pessoas, enquanto que um Avatara é uma pessoa muito poderosa. Ele é como um grande lago Manasarovar. Ele remove o véu da ignorância de milhares de homens e mulheres, e os conduz para a terra do descanso eterno, exaltação e bem-aventurança.

4. Tipos de Avataras
Os Avataras são de diferentes tipos. Existem os Purna-Avataras, com plenos Kalas ou raios. Há os Amsa-Avataras, ou encarnações parciais. Há os Lila-Avataras.

O Senhor Krishna é um Purna-avatara; Sri Sankaracharya foi um Amsa-Avatara. Matsya, Kurma, Varaha, Narasimha, Vamana, Rama e outros foram Lila-Avataras.

Krishna e Rama foram Avataras do Senhor Vishnu. Dakshinamurthy foi um encarnação do Senhor Siva. Dattatreya foi o Avatara das Trimurtis – Brahma, Vishnu e Siva, os três aspectos de Deus. Brahma é o aspecto criativo; Vishnu é o aspecto de preservação, e Siva o aspecto da destruição. Não há politeísmo na religião Hindu. Siva, Vishnu, Brahma e Sakti são os diferentes aspectos do Senhor.

5. Os Dez Avataras de Vishnu
O Bhagavata Purana é uma narrativa dos diversos Avataras do Senhor Vishnu. Existem dez Avataras do Senhor Vishnu. Eles são: Matsya (o Peixe), Kurma (Tartaruga); Varaha (o Javali); Narasimha (O Homem-leão); Vamana (o Anão); Parasurama (Rama com o machado); Ramachandra (o herói do Ramayana); Sri Krishna, Buddha (o príncipe asceta, fundador do Budismo), e Kalki (o Herói montado num cavalo branco, que virá no fim da Kali-yuga).

O objetivo de Matsya Avatara foi o de salvar Vaivasvata Manu da destruição por um dilúvio. A finalidade de Kurma Avatara foi o de resgatar o mundo para recuperar algumas coisas preciosas, as quais estavam perdidas por causa do dilúvio. A tartaruga entregou as suas costas para resguardar o vara da manteiga, quando os semideuses e os Asuras batiam o Oceano de leite. O propósito de Varaha Avatara foi o de salvar, das águas, a Terra que havia sido arrastada para baixo por um demônio chamado Hiranyaksha. O propósito de Narasimha Avatara, meio leão meio homem, foi o de libertar o mundo da opressão de Hiranyakasipu, um demônio, o pai do Bhakta Prahlada. O objetivo de Vamana Avatara foi o de restaurar o poder dos deuses os quais tinham sido obscurecidos pela penitência do rei Bli. O objetivo de Parasurama Avatara foi o de livrar o mundo da opressão das regras do rei Kshatriya. Parasurama destruiu a raça Kshatriya vinte e uma vezes. O objetivo de Rama Avatara foi o de destruir o malvado Ravana. O objetivo de Sri Krishna Avatara foi o de destruir Kamsa e outros demônios; para entregar Sua maravilhosa mensagem da Bhagavad-Gita, e para tornar-Se o centro da Escola de Bhakti da Índia. O objetivo de Buddha Avatara foi de proibir os sacrifícios animais. O objetivo de Kalki Avatara, que irá aparecer antes do fim da Kali-yuga, será a destruição dos malvados e restabelecer a virtude.

6. Classes de Manifestação do Senhor em diferentes Avataras
Os Rishis (sábios) de outrora expuseram a doutrina de que o Senhor do universo existe em dezesseis expansões de Kalas, ou número de manifestações; uma manifestação vital Sua no reino vegetal, duas no reino animal, e de cinco a oito na forma humana, de acordo como nós passamos de selvagens, no fim da escala do estado de alto desenvolvimento, em outro. As manifestações do Senhor em Seus Avataras alcançam de nove a dezesseis números de raios. Um Avatara pleno, ou Purna Avatara, é quem possui todos os dezesseis raios presentes. O Senhor Krishna foi um Purna-Avatara, com dezesseis raios; O Senhor Rama foi um Avatara de quatorze raios. Os Teosofistas também fazem menção de sete raios, e assim por diante, quando eles descrevem o estágio de desenvolvimento espiritual de seus Mestres e Adeptos.

7. A forma Divina de um Avatara
Algumas pessoas dizem: “Como nós podemos aceitar Krishna como o Senhor, ou Bhagavan? Ele teve nascimento e morte. Ele é apenas um homem!”. Isto é um enunciado falso. Este é um discurso de uma criança ignorante. O Senhor Krishna apenas manifestou-Se em Si mesmo, para o tempo de ser, para realizar o trabalho de Loka-sangraha, para realizar a solidariedade ou bem-estar da humanidade, e então desapareceu. O Senhor Krishna é o Senhor Hari em Si mesmo. Não há nenhuma dúvida sobre isto.

O Senhor Rama é a Alma Suprema, o Antaryamin, o protetor de todos os seres. Ele é onisciente, onipotente e onipresente. Ele é o Senhor Hari. Ele é não-nascido. Ele nunca morre. O Senhor Hari simplesmente manifestou-Se na forma de Rama, para realizar Loka-sangraha e então desapareceu.

O Senhor Rama e o Senhor Krishna não possuem corpo físico. Seus corpos não são feitos dos cinco elementos. Eles têm formas divinas. Eles possuem corpos Chinmaya, apesar de todas as aparências, dão a impressão de ser de carne. Eles não possuem nascimento real, e morte como os seres humanos. Eles aparecem e desaparecem, assim como faz um Yogi. Seus corpos não deixam este mundo. Não há destruição para seus corpos.

Assim como um alfaiate que produz roupas para outros pode fazer roupas para si mesmo, também, Deus que há criado todos os corpos para os outros, pode criar um corpo para Si mesmo, também. Não há dificuldade. Ele é onipotente e onisciente. Como Ele possui controle sobre Maya (Sua energia externa), Ele é plenamente consciente da Sua natureza divina, apesar d’Ele assumir uma forma. Ainda mais, Ele é infinito e incondicionado.

Algumas vezes, o rei visita a prisão e entra na cela de um prisioneiro para ver de que modo é a prisão. Ele faz isto para o bem dos prisioneiros. Ele é totalmente independente, e mesmo assim, por sua livre e espontânea vontade, ele entra na cela. Mesmo que um Avatara entre num corpo externo, por livre arbítrio, Ele o faz para a ascensão do homem. Ele é completamente independente e possui absoluto controle sobre Maya, como um rei; quando a Jiva é escrava de Avidya (ignorância), então não há auto-realização.

8. Contato com os Avataras
Algumas pessoas querem ter contato com Avataras sem estarem favorecidas com qualificações apropriadas. Mesmo se um Avatara aparece diante de você, você não terá possibilidade de percebê-lO externamente. Você não possui olhos para Vê-lO como tal. Você irá percebê-lO apenas como um homem comum. Quantos foram capazes de descobrir a divindade do Senhor Krishna? Fizeram Jarasandha, Sisupala e Duryodhana reconhecimento de Krishna como um Avatara do Senhor Hari? Muito poucas pessoas, como Bhishma, reconheceram o Senhor Krishna como um Avatara. Esta é a razão porque o Senhor disse: “O tolo é indiferente a Mim, quando Tenho a aparência humana, ignorando a Minha suprema natureza, o grande Senhor dos seres”.

Somente um santo pode entender um santo. Apenas um Jesus pode entender um Jesus. Como pode um paciente conhecer o valor de um médico?

Um neófito, ou iniciante no caminho espiritual, deverá preparar-se gradualmente. Ele necessita receber instruções espirituais de vários Upagurus, e segui-los estritamente. Ele deverá fazer a si mesmo merecedor para ficar parecido a um Brahma-nistha Guru. Praticar meditação e ver o Senhor em meditação.

Se você está favorecido com os quatro meios da Salvação, se você tem queimado Vairagya, como o Senhor Buddha, ou Raja Bharthrihari; se você possui o perdão, e a paciência como o Avanti Brahmin de Ujjain; se você possui devoção para educador como Trotaka ou Padmapada, você pode contatar os Avataras, e sábios agora, neste exato segundo.

9. Realização em Deus através da adoração dos Avataras
Você pode alcançar a realização em Deus através da adoração de Avataras como o Senhor Krishna e o Senhor Rama. Muito, neste momento, alcançam a realização em Deus dessa forma. Tukaram, Ramdas, Surda, Mira Bai e Tulsidas viram Deus face a face. Seus poderosos escritos evidenciam Suas elevadas realizações espirituais.

Adore o Senhor Rama ou o Senhor Krishna, todo o tempo, com todo o seu coração e com toda a sua mente. Glorifique-O no seu coração. Ele em breve revelará a Si mesmo para você e você irá sentir Sua presença. Você obterá a imortalidade e eterna bem-aventurança.

Deus revela-Se a Si mesmo para Seus devotos numa variedade de estilos. Ele assume muitas formas das quais o devoto possui escolha para sua adoração. Se você adorá-lO como Hari com quatro mãos, Ele chegará a você como Hari. Se você adorá-lO como a mãe Durga, ou Kali, Ele virá a você como Durga ou Kali. Se você adorá-lO como o Senhor Rama, o Senhor Krishna, ou Senhor Dattatreya, Ele virá a você como Rama, Krishna ou Dattatreya. Se você adora-lO como Cristo, ou Allah, Ele virá a você como Cristo ou Allah.

Todos são aspectos do uno Ishvara, ou Senhor. Sob qualquer nome ou forma, é Ishvara que é adorado. Adorar é motivação para a forma do Senhor. É ignorância pensar que uma forma é superior a outra. Todas as formas são unas e as mesmas. Todos adoram ao mesmo Senhor. A diferença está apenas nos diferentes nomes, devido às diferenças dos adoradores, mas não no objeto da adoração.

O verdadeiro Jesus ou Krishna está em seu próprio coração. Ele vive para sempre. Ele é o seu habitante interno. Ele é sempre seu parceiro. Não há amigo como teu habitante interno. Refugie-se e abrigue-se n’Ele; realize-O e seja livre.

Hari Om Tat Sat!


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