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Por que temos que comer os animais?

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Consumo de Carne versus Vegetarianismo – Yogananda

A questão do consumo da carne e do vegetarianismo é assunto muito complicado e controverso, por isto vou apresentar os vários argumentos oferecidos pelos seguidores dos “cultos” dos açougueiros e dos vegetarianos, e acrescentar no fim, se possível, minhas próprias opiniões a respeito de ambos. O que direi será governado pelas necessidades atuais do mundo, e acredito que nunca poderá ser dada uma visão absoluta, que seja boa para todos os tempos e para todas as pessoas:

A origem do consumo de carne
Ao ver o peixe grande comer o peixe pequeno, a lagartixa recém-nascida pular sobre o pequeno inseto e engoli-lo, e o tigre e o leão, mais fortes, caçarem animais menores, o homem viu nisto o dedo indicador da Natureza, e começou a comer a carne de animais que satisfaziam o seu paladar.

O elefante e o rinoceronte são tão fortes quanto o leão e o tigre, e apesar disto são vegetarianos. O homem aprendeu a comer vegetais e desenvolveu o instinto de alimentar-se de vegetais ao ver as criaturas da Natureza que também consomem vegetais.

Como encontramos, no seio da Natureza, mais animais carnívoros do que vegetarianos, também vemos pessoas sobrevivendo mais de carne do que apenas de vegetais. Muitas pessoas dizem que comer carne produz câncer e diminui o tempo de vida. Eu acredito que o consumo excessivo de carne tende a produzir mais doenças do que o consumo excessivo de vegetais.

O elefante e a tartaruga, que consomem vegetais, vivem por muito tempo. As vacas comem vegetais, porém morrem cedo; cães comem vegetais, mas também comem uma quantidade maior de carne, e vivem pouco tempo também. Os crocodilos comem frugalmente carne e jejuam por longos períodos de tempo, e vivem até 600 anos ou mais. Sabe-se que alguns iogues que comiam vegetais e que conheciam a super-arte de viver, viveram mais de 600 anos.

Longevidade não depende somente de alimentar-se corretamente, mas também de se respirar menos, de não sobrecarregar o coração, da eliminação apropriada, do controle da força sexual e do correto recarregamento do corpo a partir da Fonte Divina.

A interdependência da vida
No seio da Natureza, vemos que os vegetais consomem os elementos químicos do solo, e as aves, os animais e os seres humanos comem vegetais e animais. Os vegetais gostam de fertilizantes de origem animal, como o sangue seco e os ossos de corpos animais em estado de putrefação, enquanto os animais comem a carne humana. Seres humanos comem animais, vegetais e elementos químicos do solo através da comida e dos remédios; a grande e velha Terra está sempre faminta e é canibal, uma vez que de seu útero vêm todos os elementos químicos que compõem os seres vivos, e em seu grande estômago devorador todos vegetais, animais e humanos devem retornar. Isto mostra que a Terra voraz, os vegetais, os animais e os seres humanos são ao mesmo tempo vegetarianos e carnívoros.


As diferenças entre vegetais e a carne

Vegetais e animais são diferentes apenas no grau de manifestação da vida. O Prof. J. C. Bose, da Índia, provou que os vegetais têm um sistema nervoso que responde a um estimulo favorável através do prazer, e a uma influência desfavorável através da dor. Eles têm batimento cardíaco, sistema circulatório, pressão da seiva e uma vida central, em certas células das raízes – o cérebro dos vegetais. Ampute um dedo seu e você não morrerá, corte um galho e a planta não morrerá, mas remova o cérebro humano e o corpo que o continha morrerá, exatamente como ocorre quando se corta a raiz de uma planta: ela morre.

Assim como os animais respondem a certos tratadores, os vegetais crescem em abundância sob certas vibrações humanas benignas, e definham ou crescem pouco quando cultivados por pessoas com vibrações erradas. Pode-se anestesiar uma planta, fazer com que sinta prazer ou dor, ou até envenená-la e matá-la. Cortar a cabeça de uma couve-flor é o mesmo que cortar a cabeça de um carneiro. Instrumentos de precisão desenvolvidos pelo Prof. Bose nos mostram a dor e a agonia da morte em plantas torturadas ou moribundas. Um pedaço de estanho pode sentir prazer ou dor, e pode expressar suas emoções através de instrumentos sensíveis feitos pelo homem. A couve-flor abatida só pode expressar sua agonia pré-morte através dos instrumentos do Prof. Bose. Os metais e as plantas torturados não podem falar. Alguns peixes expressam sua agonia através de um grito agudo e curto. Aves e animais manifestam seus problemas através de diferentes sons específicos. O homem se aproveita do fato de que ele não entende a linguagem dos animais e os mata contra a vontade deles.

O homem civilizado não tem direito de matar os animais ou os silvícolas, somente porque não entende a linguagem deles. Mas, do ponto de vista de resposta a dor, o homem é a manifestação mais sensível da vida. Depois do homem, segundo a sensibilidade, vêm os diferentes graus de animais, peixes, plantas e minerais. O carneiro e o frango, quando estão sendo mortos, sofrem menos do que os animais que resistem e se ressentem, como o boi e o porco. A maior parte dos peixes desistem rapidamente quando estão sendo mortos.
Não há dúvida de que o ser humano possui o sistema nervoso mais sensível, através do qual ele recebe e responde a estímulos na forma de prazer ou dor.

Os animais são bem menos sensíveis e sentem menos dor e prazer. O animal, sendo menos sensível do que o homem, sente menos dor do que os seres humanos durante a morte. O sistema nervoso das plantas é bem menos desenvolvido do que o sistema nervoso dos animais. Os minerais são menos sensíveis a estímulos do que as plantas. Uma martelada pode matar uma planta, um animal ou um homem, mas não consegue facilmente extrair a Força Vital de um tenaz e menos sensível metal. No entanto, por meio de repetidas batidas, até mesmo os metais perdem sua tenacidade ou atributos da vida. Portanto, do ponto de vista da expressão através de sons e da sensibilidade do sistema nervoso, pode-se dizer racionalmente que o homem sofre mais quando é morto; que o boi sob o machado sofre mais do que o carneiro ou o frango, que o peixe sob a faca sofre menos do que o carneiro, e que os vegetais, quando comparados, sofrem muito menos do que o peixe, os animais e o homem.

O canibalismo não existe apenas entre os homens, mas também entre as plantas, as aves e os animais. Lobos comem lobos. Os indígenas Jivaro comem seus prisioneiros de guerra e poupam o custo de manutenção e de despesas com a compra de carne. Eles encolhem as cabeças de seus inimigos prisioneiros até o tamanho de uma bola de tênis e as guardam como troféus de guerra, assim como caçadores penduram a cabeça dos animais que eles mataram.

O consumo de carne obviamente não pode ser condenado sob o ponto de vista de ser um ato de matar, porque o consumo de vegetais e frutas também envolve a retirada da vida; o que é palpável é que a matança de animais desperta muito mais a nossa consciência e sensibilidade humanas do que a matança de vegetais e o descascamento e a mastigação das frutas. A maior parte dos consumidores de carne bovina desistiriam de comer carne se tivessem que matar os animais para obtê-la; mas nenhum vegetariano se importaria em descascar os vegetais e cortar as cabeças das cenouras ou de qualquer outro vegetal. O fato de que a matança de animais implica derramar sangue e produzir dor demonstra claramente que os animais são parentes próximos do homem e estão se aproximando dele na escala evolutiva.

Os vegetais não gritam de dor nem derramam sangue quando são mortos. Do ponto de vista da sensibilidade humana, podemos dizer que é menos dolorido matar um vegetal do que um animal. As almas adiantadas hesitam até em remover as cabeças das rosas de seus corpos vegetais que florescem em jardins domésticos, da mesma maneira como as outras almas odeiam matar seus animais de estimação para obtenção da carne.

Carne é alimento concentrado e é fortalecedora, mas é também altamente constipante e age como retentora dos venenos corporais, sendo assim precursora de doenças. Os vegetais têm de ser ingeridos com mais paciência e não são tão concentrados quanto a carne; por isto a ingestão inapropriada de vegetais não é boa fonte de energia. Frutas e vegetais, tendo um efeito laxativo natural, favorecem a saúde e a eliminação das doenças.

Os iogues da Índia opõem-se à ingestão de carne, enquanto os seguidores do Tantra advogam seu uso. As nações que comem carne são, em geral, politicamente livres. A Índia é vegetariana e não tem sido forte o suficiente para dispersar invasões estrangeiras. Os americanos estão sofrendo de obesidade devido ao consumo exagerado de todos os tipos de proteínas, como por exemplo carne, leite e nozes. Os americanos deveriam se tornar vegetarianos. Hindus quase não têm proteína para comer e, por causa do fanatismo, abusam das dietas em que predomina o amido e, assim, morrem cedo e magros. Na Índia, os animais vivem mais do que os seres humanos.

Apenas como um meio para um fim, ou como medida temporária, a Índia atual precisa comer carneiro, bodes e aves até que possa conseguir leite e substitutos da carne em quantidades suficientes. A vida espiritual hindu, mesmo que sustentada pelo consumo de carne, faria mais benefício ao mundo do que a dos animais mudos, aos quais se permitem viver sem fazer nada. A vida humana é mais valiosa e útil a todas as criaturas do que a vida de qualquer animal. Se uma escolha tem de ser feita entre um ser humano comer carne para sobreviver ou morrer sem comer carne, e os animais sobreviverem e não serem comidos pelos homens, eu diria que os homens deveriam sobreviver às custas dos animais.

Ninguém pode escapar. Os animais são sacrificados contra suas vontades para alimentar o homem; este, então, contra sua vontade, tem de morrer para que sua carne recomponha os elementos químicos da Mãe Terra. Um bilhão e meio de pessoas multiplicado por 44,6 quilos de elementos químicos, que são retirados da terra em forma de vegetais a cada sessenta anos para alimentar as pessoas, devem, a um intervalo de cerca de sessenta anos, ser devolvidos ao solo para sustentar a saúde da Mãe Terra. Se os corpos de um bilhão e meio de pessoas, ao invés de se misturarem com o solo, evaporassem no éter a cada sessenta anos, então ao final de alguns milhares de anos, a Terra ficaria fraca e infértil, seria apenas um torrão desértico, habitado por seres humanos sempre-crescentes e devoradores como formigas.

Testes químicos que introduziram sangue de certos animais em seres humanos, mostram que algumas pessoas podem comer apenas a carne de certos animais. Esse é um meio científico moderno para demonstrar quais carnes específicas se harmonizam com cada indivíduo. Igualmente, nem todas as frutas e vegetais são apropriados para todas as pessoas. Algumas frutas causam alergias em certos indivíduos. Algumas pessoas ficam doentes quando comem cebola. Batata às vezes causa constipação. Algumas pessoas ficam muito doentes quando comem carne bovina, e outras sofrem de azia ao comerem frango. A maioria responde favoravelmente à ingestão da carne de carneiro. Descobriu-se que carne de carneiro é mais compatível com os elementos químicos dos seres humanos, do que qualquer outra forma de carne.

Em locais frios, como o Alasca, as pessoas bebem óleo e sangue de foca para se manterem aquecidas. Elas vivem de carne de peixe, foca, caribu e morsa. Assim como algumas pessoas comem vegetais e frutas secas, os esquimós comem carne seca quando um suprimento de fresca é difícil de se encontrar. Dizem que muitos esquimós morrem de tuberculose devido ao frio intenso.

Algumas pessoas dizem que eles morrem devido à sua dieta de carne, enquanto outras acham que suas mortes prematuras devem-se ao fato de quererem viver a vida não-natural do homem branco.

Descobrimos através de estudos que ambos, vegetarianos e consumidores de carne, podem viver vidas saudáveis e longas. Jesus, Buda e São Francisco comiam carne, enquanto Shankara, Chaitanya e muitos santos crísticos da Índia não comiam carne. Em uma visão, São Pedro viu alguns animais e uma voz pediu que ele os matasse e comesse. O mandamento “Não matarás” destinava-se aos homens, não aos animais. Moisés e Jesus, ambos comiam carne, e foi Moisés quem transmitiu os dez mandamentos.

A vida se desenvolve de maneiras diferentes, nos seus diferentes estágios. Manifesta-se nos minerais, mas seus tecidos são duros e têm de ser reduzidos a pó e condicionados antes que possam ser absorvidos pelo organismo humano. Os minerais são emulsificados e transformados em forma orgânica na vida de vegetais para que possam ser consumidos pelos organismos menos duros de outros vegetais, animais e seres humanos. Os tecidos vegetais são macios, mas raramente mostram a presença de um forte sistema central, e quando os vegetais são abatidos com facas, eles nunca gritam de dor ou derramam sangue. Seu sangue é um fluido branco viscoso chamado seiva.

A vida desenvolve os tecidos de um peixe em tecidos mais complexos do que dos vegetais. A carne de peixe é em geral branca. Peixes têm sangue e um sistema nervoso, mas poucos peixes fazem qualquer som ou protestos quando são mortos. A vida evolui ainda para formas mais complexas de animais, portanto seus tecidos são diferentes do peixe. Animais protestam em voz alta durante o processo de matança. O boi e o porco, tendo sistema nervoso bem desenvolvido, sentem muita dor durante o processo a que são submetidos e protestam em alto e bom tom a qualquer tentativa que se faça de matá-los. Eles protestam mais violentamente do que o carneiro. Isto mostra que embora os animais não possam conversar inteligentemente como os humanos; ainda assim são evoluídos o suficiente para protestarem através de sons, que estão sentindo dor e não querem ser mortos.

O homem não é morto e consumido por outros homens, com exceção em tribos primitivas de canibais, porque ele pode protestar contra seu assassinato através de sons inteligíveis. Os homens não pensariam em matar animais se estes pudessem protestar contra a matança através da linguagem inteligível ou escrita perante um tribunal. Embora cães sejam consumidos em algumas partes do mundo, ainda assim ninguém pensa em matar um cão de estimação inteligente, quase humano, para servi-lo como repasto na mesa dos homens glutões. Assim, fica evidente, do ponto de vista do protesto sonoro, que o homem é a primeira criatura a recusar a matança e, portanto, não deve ser morto.

Em seguida vêm os touros, bois, vacas, porcos, entre outros, que protestam alto o bastante que não querem ser mortos – que têm a mente e a consciência evoluídas o suficiente para perceberem o amor pela autopreservação e a injustiça no ato de se infringir dor, e portanto não devem ser mortos. Parece que os mudos vegetais, peixes e animais mansos foram intencionalmente dotados pela Natureza de um sistema nervoso menos desenvolvido, que não registra tanto a dor nem provoca protestos na forma de sons durante a dor.

Essa talvez possa ser uma das razões pelas quais essas formas menos desenvolvidas foram criadas para serem sacrificadas em prol da manutenção das formas de vida mais evoluídas.

(Título original: “Meat Eating versus Vegetarianism, by Swami Yogananda”, publicado na revista East-West, abril-maio de 1935.)

Vegetarianismo – perguntas frequentes

Vegetarianismo – Perguntas frequentes

Publicado Quarta-feira, 16 de abril de 2008 às 11:09 pm na categoria Artigos do site vista-se.com.br

P – Se animais matam outros animais para se alimentar, porque deveríamos agir de forma diferente?
R – Os animais que matam para se alimentar não poderiam sobreviver se agissem de outra forma. Este não é o nosso caso. Nós, humanos, na verdade nos tornamos mais saudáveis quando adotamos uma dieta vegetariana. Além disso, se nós não costumamos nos comportar como animais, por que deveríamos abrir uma exceção para este caso?

P – Os seres humanos não têm que comer carne para permanecer saudáveis?
R – O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e a Associação Dietética Americana, dois órgãos que são referência mundial em questões alimentares, endossaram dietas vegetarianas. Pesquisas demonstraram também que vegetarianos possuem sistemas imunológicos mais fortes, e que os consumidores de carne têm duas vezes mais chances de morrer de doenças cardíacas e probabilidades 60% maiores de morrer de câncer. O consumo de carne, leite e seus derivados tem sido ainda relacionado a diversas outras doenças, como diabetes, artrite e osteoporose.

P – Os vegetarianos ingerem proteína suficiente?
Em boa parte dos casos, o problema é ingerir proteína em demasia, não em quantidade insuficiente. Muitos dos que consomem produtos de origem animal ingerem três ou quatro vezes mais proteínas do que necessitam. Há uma enorme variedade de alimentos vegetarianos ricos em proteínas, como massas, pães, feijões, ervilhas, milho e até mesmo cogumelos. Quase todos os alimentos contêm proteína. É quase impossível não obter proteína suficiente em uma dieta que possua a quantidade de calorias adequada, mesmo que não se faça uma escolha mais cuidadosa dos alimentos. Por outro lado, proteína em demasia é uma das principais causas conhecidas de osteoporose e doenças renais.

P – Comer carne é natural. Tem sido assim por milhares de anos. Nós evoluímos desta maneira.
R – Na verdade, nós não evoluímos para comer carne. Animais carnívoros possuem dentes caninos pontiagudos, garras e um trato digestivo curto. Os seres humanos, em seu atual estágio de evolução, não apresentam garras nem caninos desenvolvidos. Temos molares lisos e um trato digestivo longo, muito mais adequado a uma dieta de vegetais, grãos e frutas. Comer carne é perigoso para nossa saúde; contribui para o aparecimento de doenças cardíacas, câncer e uma infinidade de outras doenças.

P – Se todos passassem a comer apenas alimentos de origem vegetal, haveria bastante comida para todos?
R – Boa parte da safra mundial de grãos é na verdade destinada a alimentar o gado. Desta forma, se todos se tornassem vegetarianos, haveria muito maior abundância de alimentos. Nos Estados Unidos, por exemplo, 80% do milho produzido são usados na alimentação dos animais criados para consumo. Em todo o mundo, o gado consome uma quantidade de alimento equivalente às necessidades calóricas de 8,7 bilhões de pessoas – mais do que toda a população humana do planeta.

P – Os fazendeiros tratam seus animais muito bem, ou eles não produziriam tanto leite e ovos.
R – Os animais nas fazendas não ganham peso, produzem leite e colocam ovos porque se sentem confortáveis, contentes, ou são bem tratados, mas, na verdade, porque foram manipulados especialmente para fazer estas coisas, com drogas, hormônios e técnicas de criação e seleção genética. Além disso, os animais criados para produção de alimentos, mesmo vacas leiteiras e galinhas poedeiras, hoje são abatidos em idade extremamente jovem, antes que as doenças e a miséria os dizimem. É mais lucrativo para os fazendeiros absorver as perdas ocasionadas por mortes e doenças do que manter os animais em condições humanitárias.

P – Vegetarianismo é uma questão de escolha pessoal. Não tente forçar os outros a fazer esta escolha.
R – De um ponto de vista moral, as ações que prejudicam outros não são questões de escolha pessoal. O assassinato, o estupro, o abuso de crianças e a crueldade para com os animais são atitudes imorais. Nossa sociedade incentiva hoje o hábito de comer carne e a crueldade nas unidades de criação de animais, mas a história nos ensina que esta mesma sociedade um dia encorajou a escravidão, o trabalho infantil e muitas outras práticas agora universalmente reconhecidas como imorais.

P – Eu conheço um vegetariano que não é saudável.
R – Há, claro, vegetarianos que não são saudáveis. Assim como há comedores de carne na mesma situação. Mas o fato é que as pesquisam comprovam que dietas vegetarianas bem variadas e de baixo teor de gordura criam melhores condições para uma vida mais longa e saudável.

P – Eu não matei o animal.
R – Não, mas financiou sua morte, tornando-se responsável direto por ela. Sempre que você compra carne, assina um atestado de culpa: a morte daquele animal foi para seu usufruto e você pagou por ela.

Entenda melhor o vegetarianismo

Entenda melhor o Vegetarianismo

Dr. Eduardo Fraccarolli Buriola

O que é o vegetarianismo?
De acordo com a American Dietetic Association (2003), vegetariana é a pessoa que não consome carne de qualquer espécie (bovina, suína, peixes, mariscos, etc.) ou qualquer produto que a contenha (embutidos, gelatina, caldos de carne, etc.).

Quais são os tipos de vegetarianismos?
A dieta vegetariana pode ser dividida em três principais grupos, que são:

• Ovolactovegetariana: esta é a opção da maior parte dos vegetarianos, a qual restringe apenas o consumo de carnes, aceitando, na sua dieta, todos os alimentos de origem vegetal, laticínios e ovos.

• Lactovegetariana: como o próprio nome já diz, este grupo consome, além de alimentos vegetais, os laticínios, excluindo, portanto, as carnes e os ovos.

• Vegana: dieta baseada exclusivamente em produtos de origem vegetal.

É possível alguém ser muito bem nutrido não consumindo carne?
Segundo a American Dietetic Association and Dietitians of Canadá (2003), dietas vegetarianas apropriadamente planejadas são saudáveis, nutricionalmente adequadas e promovem benefícios à saúde na prevenção e tratamento de certas doenças.

Dietas vegetarianas oferecem vantagens, incluindo menores níveis de gordura saturada, colesterol e proteína animal e maiores níveis de carboidratos, fibra, magnésio, boro, folato, antioxidantes como vitamina C e E, carotenoides e fitoquímicos. Em alguns casos veganos podem ter ligeira deficiência em vitamina B-12, vitamina D (em países onde há pouca incidência de raios solares), cálcio e zinco.

E quanto aos vegans, que não consomem nada de produto animal? Eles conseguem uma alimentação saudável ou ela é deficiente em nutrientes?
A alimentação baseada 100% em alimentos de origem vegetal, ou vegana, pode sem dúvida ser saudável e balanceada, precisando apenas de um maior controle com relação à vitamina B12.

O vegetariano precisa ingerir vitaminas sintetizadas para repor as fornecidas apenas pela carne, como a vitamina B12?
A vitamina B12, ou cobalamina, como também é conhecida, exerce importante papel na manutenção da estrutura do sistema nervoso e na maturação das células sanguíneas. Sendo que a deficiência leva a duas grandes complicações: anemia megaloblástica e neuropatia. Estudos demonstram que os vegetarianos (principalmente veganos) não ingerem B12 suficiente e consequentemente apresentam estado nutricional relativo à vitamina abaixo do recomendado.

Qual a necessidade diária de B12?
Faixa etária Recomendação (mcg)
0 a 6 meses 0,4 mcg
7 a 12 meses 0,5 mcg
1 a 3 anos 0,9 mcg
4 a 8 anos 1,2 mcg
9 a 13 anos 1,8 mcg
14 anos ou mais 2,4 mcg
Gestação 2,6 mcg
Lactação 2,8 mcg

Quem deve suplementar?
• Todas as pessoas acima de 50 anos¹.
• Crianças vegetarianas.
• Gestantes vegetarianas.
• Mulheres vegetarianas que estão amamentando².
• Vegetarianos que consumam pouco ou nada de laticínios e/ou ovos.

¹Devido ao fato de 10 a 30% de toda a população (vegetariana ou não) acima dos 50 anos apresentar alguma deficiência na absorção.
²Apenas a B12 consumida pela mãe é transferida pelo leite materno, ou seja, mães com estoques adequados de B12, mas que não consomem a vitamina durante o período de amamentação, não irão fornecer doses adequadas ao seus filhos.

Como suplementar de forma segura? (converse com seu nutricionista ou médico antes)
• Consumir alimentos fortificados ao longo do dia, que no final forneçam 3 mcg da vitamina.
• Suplemento oral com 5 mcg ao dia.
• Suplemento oral com 2000 mcg por semana.
• Suplementação injetável de 5.000 UI por ano (converse com seu médico).

Como avaliar o estado nutricional relativo à B12?
Converse com seu nutricionista e/ou médico para que solicite os seguintes exames:
• Hemograma.
• B12 sérica.
• Homocisteína.

Por que as pessoas se tornam vegetarianas?

Os motivos que conduzem as pessoas a aderirem ao vegetarianismo são basicamente:

• Ética - não consideram justo matar ou usar outro animal para se alimentar.
• Saúde - julgam que uma alimentação vegetariana ou vegana seja mais saudável.
• Ambiental - acreditam que o consumo de carne e de outros produtos de origem animal seja um dos grandes responsáveis pela destruição de florestas e consumo de bens naturais.
• Religiosa/filosófica - algumas religiões e filosofias pregam que a alimentação ideal seja aquela isenta de carnes.

Os vegetarianos são necessariamente pessoas saudáveis e magras?
Os estudos realizados indicam que, de modo geral, os vegetarianos possuem um índice de massa corporal (IMC) menor, mas não de baixo peso. Além de apresentarem menores taxas de mortalidade para doenças cardiovasculares e também cânceres.

Qual o papel da soja na alimentação do vegetariano?
A soja é vista na dieta vegetariana como um alimento essencial, principalmente pelo seu alto teor proteico, mas não é verdade. Pode-se ter uma dieta vegetariana adequada em todos os nutrientes, incluindo proteínas (aminoácidos), sem o uso desta leguminosa. O seu frequente uso na culinária vegetariana se deve à versatilidade deste alimento, pois temos com ela “carne de soja”, “leite de soja”, requeijão (feito com tofu), etc.

O vegetariano pode ter anemia por sua escolha alimentar?
A anemia é considerada a doença com maior prevalência no mundo, principalmente a ferropriva, que chega a ser responsável por 95% dos casos. Ocorre com mais frequência na população infantil de países em desenvolvimento, mas também em menores proporções em países desenvolvidos, e é inquestionavelmente um problema de saúde pública no Brasil.

A alimentação vegetariana só contém ferro não-heme, o qual sofre maior interação com os demais nutrientes presentes na dieta, tanto para estimular ou diminuir a absorção. Alguns inibidores seriam: os fitatos, fosfatos, polifenólicos, tanitos, ácido oxálico, cálcio, chás. Em contrapartida, substâncias como ácido ascórbico, álcool, cisteína e peptídeos contendo cisteína, produtos fermentados de soja e carne aumentam a absorção do ferro não heme.

Entretanto os estudos demonstram que a incidência de anemia na população vegetariana é similar à incidência nas populações não vegetarianas.

Que doenças o vegetarianismo pode trazer?
O vegetariano, principalmente o vegano, pode desenvolver doenças relacionadas com a falta da vitamina B12 (neuropatias e anemias), mas que são facilmente corrigidas com uma suplementação adequada.

Que doenças o vegetarianismo pode evitar?
Estudo realizado na Inglaterra com 4 mil homens e mulheres, comparando o consumo de carne e a obesidade entre onívoros, onívoros que consumiam apenas peixe, ovolactovegetarianos e veganos, concluiu que o IMC foi maior nos onívoros e menor nos veganos. Sendo que os menores valores foram encontrados nos ovolactovegetarianos e veganos que adotaram a dieta por um período maior do que 5 anos.

Uma análise de 5 estudos prospectivos envolvendo mais de 76 mil pessoas mostrou que a morte por doenças isquêmicas do coração foi 31% menor entre homens vegetarianos e 20% menor entre mulheres vegetarianas, quando comparados com não vegetarianos.

As mortes por doenças cardiovasculares também foram menores entre os vegetarianos quando comparado com aqueles que consomem apenas carne de peixe e aqueles que comem carne menos de uma vez por semana.

Uma revisão de 9 estudos achou que, em comparação com não vegetarianos, o colesterol de ovolactovegetarianos e veganos tinha níveis sanguíneos 14% e 35% menores.

Diversos estudos indicam que vegetarianos têm menor pressão arterial (sistólica e diastólica), que costuma ser de 5 a 10 mm Hg (mercúrio) inferior à de não vegetarianos. Além disso, vegetarianos sofrem menos de hipertensão do que não vegetarianos.

Dietas vegetarianas podem ser seguidas por diabéticos, e algumas pesquisas sugerem que dietas baseadas em alimentos de origem vegetal reduzem o risco de diabetes do tipo 2.
O risco de vegetarianos apresentarem diabetes é 50% menor do que os não vegetarianos.

De um modo geral, vegetarianos apresentam menores taxas de todos os tipos de câncer do que a população como um todo.

Um estudo com a população adventista que controlou a idade, sexo e tabagismo achou diferenças significativas entre vegetarianos e não vegetarianos para câncer de próstata e cólon, com redução de 54% e 88% respectivamente para aqueles que seguiam uma dieta vegetariana.

Dr. Eduardo Fraccarolli Buriola é nutricionista, vegetariano (vegano) há mais de 5 anos, atua como conselheiro nacional da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), é membro da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN) e filiado ao movimento Slow Food. É proprietário da Emporium Alimente e atende em consultório clínico. Durante sua vida acadêmica foi monitor de disciplinas, desenvolveu projeto no laboratório da ESALQ-USP e representou o centro acadêmico. Além desses, frequentou inúmeros congressos, participou de cursos específicos às áreas de interesse, ministrou palestras e apresentou trabalhos em mostras acadêmicas. O vegetarianismo entrou em sua vida em 2003, quando se interessou por uma alimentação mais saudável, ética e sustentável. E desde então desenvolveu e participou de cursos de culinária, ministrou palestras, apresentou vídeo em diversos locais, realizou festas vegetarianas, representou grupos e se envolveu com diversas atividades vinculadas com o vegetarianismo.

Dez boas razões para adotar uma dieta vegetariana!

Extraído do Zine Profecia.

# 1: O Corpo Humano Não foi feito para Tal

Garras: As garras afiadas dos carnívoros ajudam-lhes a rasgar a carne. Os seres humanos não têm garras, logo não devem ser considerados carnívoros.

Dentes: Nossos dentes são projetados para moer o alimento , não para rasgar a carne. Os Carnívoros têm os dentes longos, pontiagudos. Os seres humanos do adulto têm 20 pré-molares, ideais para moer grãos, contra somente quatro dentes caninos. Nós podemos somente moer parcialmente a carne que já foi moída ou cozinhada. Uma teoria sugere que os caninos dos vegetarianos são para o consumo do alimento em tudo, mas principalmente para uma mostra da defesa.

Metabolismo: Os Carnívoros são projetados para comerem alimentos com alta concentração de colesterol, gordura, dietas com poucas fibras, sem sofrer nenhum dano. Este tipo de dieta é prejudicial aos seres humanos.

# 2: Doenças Degenerativas

Os vegetarianos, particularmente vegans (pessoas que não comem nenhum derivado de leite ou ovos), mostraram os índices mais baixos das seguintes doenças, em vários estudos:

câncer uterino
câncer de pulmão
câncer de mama
câncer de ovário
úlceras
diabetes
osteoporose
doença de coração
pedras de rim
anemia

# 3: Envenenamento Químico

Hormônios: Os animais são inundados com os hormônios artificiais, projetados para aumentar a produção de leite ou ovos. Estes hormônios são passados completamente aos organismos dos consumidores através dos animais.

# 4: Envenenamento De Alimento

De acordo com os inspetores do USDA, as galinhas que passam pela inspeção para o consumo humano incluem aquelas infectadas com fezes, aquelas com pus visivelmente gotejando, e aquelas que contêm tumores cancerigenos.

# 5: Economia

Produzir carne é muito mais caro do que produzir grãos. “People for the Ethical Treatment of Animals” (PETA) relata que o mesmo lote de terra que produz bastantes vegetais para alimentar 12 pessoas, somente alimenta uma pessoa se as plantas forem usadas como ração para alimentar primeiramente a um animal.

# 6: Ecologia

Água:
- Produzir um único gado usa-se 2.607 galões da água.
- Produzir uma galinha usa-se 408 galões da água.
- Para se produzir somente um pote de manteiga usa-se 100 galões da água.

Destruição De Florestas:
A rede da ação de Rainforest relata que os seres humanos estão destruindo deliberadamente 100 acres de Florestas tropicais por minuto. Aproximadamente um terço dessa destruição é em decorrência da necessidade de pastos para o gado. A carne mais barata é fornecida para hambúrgeres dos fastfoods dos EUA. Quanto mais barato? O custo é de apenas menos cinco centavos pelo hambúrguer! São dignas estas “economias” que levam a extinção de inúmeros espécimes de plantas ou animais a cada dia?

Erosão Do Solo:
“Overgrazing” e outros métodos modernos da alimentação animal contribuíram para a perda de um terço de minerais e outras propriedades do solo destinado a agricultura nos EUA.

# 7: Deslocamento e morte dos animais selvagens

Mais e mais terras estão sendo transformadas em pasto para gado. Isto significa que há menos e menos terra para animais selvagens deslocados. Os chacais, os leões de montanha, os lobos, os cavalos selvagens e os ursos são todas as vítimas destes cercamentos. Cercar de arame farpado a terra transformou-se na causa principal da morte para cervos e antílopes.

# 8: Fome Do Mundo

Consumir os grãos dos animais, por tabela, é um uso ineficiente de alimento. Os animais consomem uma quantidade de grãos que poderia alimentar cinco vezes a população dos EUA. Reduzir o consumo de carne por apenas 10% faria 12 milhões a mais de toneladas de grãos disponíveis a cada ano. Seria o suficiente para alimentar todos os povos no mundo que estão morrendo de fome.

# 9: Compaixão

Se todos nos EUA. fossem vegetarianos, impediriam o sofrimento de aproximadamente 6 BILHÕES de animais a cada ano.
Alguns de nós justificam comer carne tranquilizando-se que ” ao menos os animais tiveram vidas felizes antes que fossem mortos “. Nada pode ser mais irracional. Os abatedouros usam um método chamado confinamento intensivo ou “criação intensiva” para conseguir produzir o maior número de animais no espaço menor possível. Os animais conduzem às vidas miseráveis, confinadas, incapazes de mover-se. Alguns gastam suas vidas inteiras dentro do confinamento, nunca sentindo o ar fresco ou a luz do sol. Alguns são mantidos na escuridão quase total. A nenhum é permitido exercitar-se ou até mesmo ter comportamentos naturais. Todos são alimentados por produtos químicos. Alguns animais nascem deficientes, doentes e acabam morrendo literalmente loucos.

# 10: Sem Violência (”nonviolence”)

Toda a maneira que você a olhar, carne é um assassinato. Muitos povos pregam o “nonviolence” (sem violência) e o vegetarianismo em suas terras. Se você pensa egoistamente, sobre tudo isto e não liga para o dito acima enquanto você come calmamente um pedaço de carne, é hora de repensar sobre seus hábitos alimentares, ou até mesmo sobre os princípios de vida.

http://www.osarmenios.com.br/

5 Mitos sobre o Vegetarianismo

Vegetarianos!

Bela mensagem!
Om Namah Shivaya!

Beba mais leite! Abandone o refrigerante!

Comerciais vegetarianos da PETA – (Legendado)

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