Arquivo da Categoria ‘Yoga’
O que é recomendável para a Prática de Yoga
1. Antes de começar a prática, observe se a bexiga e intestinos estão vazios; para isso, abstenha-se de alimentos sólidos (duas horas) e líquidos (uma hora) antes da prática;
2. Evite o uso de adereços como brincos, anéis e correntes. Eles podem provocar desconforto ou mesmo acidentes em algumas posturas. Hatha Yoga é liberdade de movimentos: então, permita-se experimentá-la.
3. Entre outras coisas, a prática de asanas difere das outras atividades físicas por sua ênfase na respiração; uma respiração profunda cheia de perfume pode por abaixo tanto sua prática quanto a de seus colegas. Se possível, tome um banho antes da aula e não use produtos aromáticos. Um cheiro suave de limpeza, sem perfume, é sempre muito bem vindo.
4. Gemer alto enquanto se afunda numa deliciosa postura do pombo pode distrair seus companheiros de aula. Seus sons podem ser ouvidos a longas distâncias, assim como as conversas sobre sua conquista mais recente na prática; pratique o silêncio durante as aulas, o que o porá ainda mais em contato consigo mesmo.
5. A respiração nasal filtra tanto impurezas quanto microorganismos, além de manter de aquecer e umidificar o ar para entrar nos pulmões; nenhuma dessas funções é exercida na respiração bucal. Portanto, procure manter sempre a respiração pelas narinas.
6. Yoga é não-violência (ahimsa) em atos, gestos, palavras ou pensamentos: não agrida aos outros e principalmente não se agrida. O respeito pelo próprio limite ajuda a entender os limites das outras pessoas e cultiva a tolerância em nós. Então, não se esqueça: nas práticas de Hatha, respeite os limites temporários de seu corpo!
7. As posturas invertidas são contra-inidicadas a mulheres em período menstrual, pois podem acarretar patologias no útero ou intestinos; igualmente, devido a alteração da pressão e do fluxo de sangue, essas posturas são desaconselhadas a pessoas com glaucomas ou problemas oculares. Além disso, áreas que tenham sido traumatizadas devem ser respeitadas, e portanto é preciso observar se o asana não agrava o estado de alguma condição física prévia. Por favor, informe seu professor sobre qualquer um desses estados.
Gabaritos Prof. Gaúcho (Positivo)
Gabarito comentado:
Iniciação ao Mantra
Esta é uma palestra proferida por Swami Vishnu Devanandaji, fundador do “International Sivananda Yoga Vedanta Centers” e um dos principais pioneiros na divulgação do Yoga no Ocidente, desde 1957, quando foi enviado com esse propósito pelo seu mestre, Swami Sivananda Saraswati. Nesta ocasião, Swamiji expõe o significado da iniciação (mantra diksha) dentro de uma linhagem espiritual (Guru Shishya Parampara) a um grupo de alunos ocidentais que se preparavam para recebê-la. Assim como Swami Sivananda, Swamiji concedia iniciação a todos que o pedissem, independente de pré-requisitos ou condições especiais. Iniciação significa literalmente “ignição”. Quando você deseja acender uma fogueira, como começa? Você começa com pequenos gravetos e pedaços de papel, aos pouquinhos acrescentando pedaços de lenha cada vez maiores, até conseguir uma grande fogueira! Porém, quanto fogo você utilizou no início? Somente um palito de fósforo, não é mesmo? Um palitinho de fósforo é capaz de acender toda a energia de fogo contida na lenha. O fogo provém daquilo, e nós não somos nada mais do que energia dormente. Assim como a lenha, o fogo está presente em estado latente. Toda a lenha que é adicionada ao fogo se torna parte dele, aumentando a sua energia. Esse é todo o segredo da iniciação, que consiste em utilizar o mantra como um meio para iluminar ou acender seu coração…
Mesmo antes que o planeta Terra surgisse, a energia do mantra já existia em um determinado estado. Newton nunca inventou a gravidade. Ele simplesmente descobriu a existência de uma energia chamada gravidade. Edison também não criou a eletricidade. A eletricidade já estava lá. O que ele descobriu foi a existência de uma certa energia chamada eletricidade. Da mesma forma, essa energia mântrica sempre existiu, mesmo antes da Criação.
Tudo está em um estado vibratório. Todas as coisas são como ondas de energia. O seu próprio corpo vibra a uma freqüência de onda específica. Você aprende a afinar-se com essas freqüências de onda a fim de obter uma energia, poder ou força específicas. O mantra é um tipo de freqüência carregada de simbolismos místicos e espirituais. A sua mente poderá eventualmente entrar em ressonância com o mantra. E nesse instante você obtém um estado de consciência cósmica ou meditação. Eis a fórmula secreta.
Cada indivíduo deve possuir um mantra que sirva ao seu temperamento em particular. Mas nós não podemos ter quatro milhões de mantras… Assim como para quatro milhões de pessoas não poderíamos cozinhar um número equivalente de receitas!
Qual é o tipo de comida que você prefere? Você prefere algumas preparações mais do que outras, não é mesmo?
O que foi servido hoje durante o desjejum? Granola, iogurte, frutas, pão e manteiga. Alguns de vocês tomaram mais iogurte, outros mais pão com manteiga e outros granola, não é mesmo? Embora a mesma comida tenha sido servida a todos, você ainda preferiu uma variedade dessa comida mais do que a outra. Mas qual é o propósito? Para nutrir o seu corpo você come granola, mais e mais. Pois acontece a mesma coisa com os mantras. Não existe tal coisa como um mantra superior ou inferior. Todos os mantras são iguais, com igual poder de eficácia. Assim como o fogo, todo o fogo queima. Claro, alguns tipos de madeira queimam mais, se não estiverem úmidos. Mas mesmo a madeira úmida termina por queimar.
Na Índia nós sabemos qual mantra é mais apropriado para cada tipo de mente, porque nós conhecemos as deidades. Cada nome possui uma forma e cada forma possui um nome. Nós não podemos utilizar qualquer tipo de palavra como mantra; a forma da palavra utilizada será automaticamente refletida no seu estado mental. Segundo a psicologia do Yoga, a sua mente assume a forma dos objetos nos quais você pensa ou medita. Se você pensa em uma laranja, a sua mente toma a forma dessa laranja para que você possa ter uma percepção mais clara da laranja. Essa é a lei. Disso você deve lembrar-se muito claramente. Então, se eu fico pensando “laranja, laranja, laranja, laranja” a minha mente acaba tomando a forma de uma laranja. Só então a visibilidade e percepção se tornam possíveis. Se não existisse a forma da laranja, mesmo com a sua repetição de “laranja, laranja, laranja”, não haveria impacto na mente. A mente não saberia do que se trata, seria apenas uma palavra.
Da mesma maneira, a forma sozinha não é suficiente. Se você visualiza a forma sem o nome laranja, essa forma também não causará nenhum efeito na mente. Você necessita de nome e forma. Se você quer ver “fogo”, sem a forma do fogo na sua mente, pode repetir “fogo, fogo…”. Ainda assim, não poderá pensar em fogo. Nome e forma vêm juntos.
Se não fosse desse jeito, você poderia usar qualquer palavra para a meditação. Usaria “flor, flor, flor, flor…”, mas o seu corpo e mente não podem ser elevados por uma flor, da energia proveniente da flor, da radiação vinda da flor. A freqüência de onda da flor e o objeto flor não obteriam um impacto permanente na sua mente. Somente palavras espirituais podem elevá-lo. Essas palavras espirituais são chamadas mantras. O Ser Supremo é Um, e se chama OM. O mais elevado mantra é OM: A-U-M. Todos os outros mantras emanam de OM. Todos os mantras os quais nós possamos pensar, de fato todas as línguas, se encontram ocultas nessa única sílaba cósmica: OM.
O significado desse OM é na verdade muito difícil para uma mente ordinária compreender. Por essa razão, nós raramente iniciamos alguém em OM, embora seja o mais alto mantra. Isso porque as pessoas ainda não possuem um intelecto elevado e sutil para meditar em uma forma abstrata como OM… Mesmo assim, você pode experimentar meditar em Om se você quiser… Não há nenhuma contra- indicação, pois ele é abstrato. Todos os outros mantras são mais concretos, por terem um nome e uma forma especificas.
Seria você um tipo mais Krishna, Ráma, Shiva ou Devi? Esses são os tipos básicos de personalidade.
É você um chefe de família ou uma dona de casa, interessado em esposa ou marido, filhos, em uma boa família saudável, em união familiar? Você deseja paz no lar e uma verdadeira relação espiritual com seus familiares, você pensa que as crianças devem respeitar os seus pais… Se esse é o estilo de vida com o qual você é mais identificado, então você possui um tipo de personalidade Ráma.
Ráma é o marido e filho ideal, o Deus que destrói os demônios restabelecendo a lei e a ordem.
Ele é ideal em tudo, perfeito. Ele tem apenas uma única esposa para toda a sua vida, não tendo nunca olhado para nenhuma outra mulher durante esse tempo. Essa atitude atrai responsabilidades familiares.
Se você tem este temperamento, medite em Ráma. Receba iniciação no Ráma Mantra.
Outras pessoas são mais introspectas. Elas devem ir ao monte Kailasa, como o Senhor Shiva, que vive perpetuamente nas altas geleiras dos Himalaias, longe de toda confusão. É nos picos nevados que o Senhor Shiva vive e medita. Qualquer devoto interessado deve se deslocar até ele, pois ele próprio não se interessa em correr atrás de nenhum devoto. Ele é um outro introspecto… Se você possui essa atitude, mesmo sendo chefe de familia ou pessoa de negócios, se o seu temperamento é mais circunspeto e a vida social não faz muito sentido para você, querendo apenas estar só e em paz, deve então ser iniciado no Mantra de Shiva.
Uma grande maioria das pessoas corresponde ao tipo de Krishna. Krishna tem todas as características para cada ser humano, desde a infância até uma idade avançada. Em uma só vida, ele desempenhou praticamente todos os papéis que se possa imaginar…
Ele foi um Rei, estadista, músico e professor. Qualquer coisa em que você pense, ele tinha a habilidade de mostrá-la em si próprio, em uma vida. Muitas pessoas com esse tipo de temperamento se identificam com os vários papéis desempenhados por Krishna. Assim, nós concedemos o mantra de Krishna se você se encaixa nesse perfil.
Outras pessoas são mais identificadas pela Mãe. Elas sentem mais afinidade com o poder criativo da energia divina. Elas tem mais amor e compaixão, como uma mãe universal, estão mais próximos do coração materno. Deus também se manifesta como mãe, não somente como pai. Deus engloba todos aspectos, inclusive o feminino. Dessa forma, podemos meditar nesse aspecto através do mantra de Durga ou Devi.
Uma vez escolhida a deidade, o mantra e o Guru, não os mude mais durante a sua vida. Você não troca de professor, e não troca de deidade. Isso é para toda a sua vida. Se você vai receber iniciação, não tente mudar ou tomar um outro mantra. Isso não é bom para você. Se você não acredita em seu Guru (professor ou mestre espiritual), então não tome mantra daquele Guru. Procure encontrar um professor no qual você tenha fé e confiança. Você necessita ter certos sentimentos em relação ao seu Guru para receber os benefícios da iniciação. Somente assim o Guru poderá acendê-lo.
Não é nenhum tipo de mantra comercial que nós estamos dando a você. Não estamos interessados em tomar dinheiro ou o que seja de você. É um antigo costume de oferecer dakshina ao professor. E esse costume ainda prevalece, pois os professores não possuem nenhum tipo de ganho ou capital. Aquilo que lhe oferecem com os seus corações, os professores o utilizam para o bem da Humanidade.
Os estudantes podem oferecer qualquer coisa: frutas, flores, dinheiro, aquilo que eles possuírem ou puderem para contribuir ao bem estar do professor ou da sua organização. Isso é permitido.
Mas você não pode vender um mantra sob encomenda e pedir “Eu quero tal e tal coisa pelo mantra…”. Essa demanda não pode ser feita pelo professor. É contra todo crescimento espiritual. Nenhum mantra pode ser vendido nem ser fabricado, assim como não existe nenhum novo mantra. Nós não podemos criar nem dar diferentes mantras a cada indivíduo. Isso não é possível. Ninguém pode fazê-lo e se auto-denominar um Guru espiritual.
É freqüentemente perguntado: “Devemos manter os mantras secretos?”. Você deve mantê-lo secreto no sentido de não expô-lo a todo o mundo de uma forma banal. Porém, se alguém quer saber mais e existe um real propósito por trás da curiosidade, você pode dizer, não há nenhum mal… Esse é o único segredo.
Então, o que você faz depois da iniciação ao mantra? A iniciação sozinha não é suficiente. Ela apenas acende o fogo. E nós estamos utilizando apenas um pequeno palito de fósforo para acender o fogo, não é mesmo? Bem, suponhamos que acabamos de acender o fogo com um fósforo, mas não temos os gravetos, papel e outros materiais para mantê-lo. O que acontece? Ele se apaga… O fósforo e a ignição não possuem mais nenhum valor então. Imediatamente após acender o fogo, você deve adicionar mais e mais lenha para torná-lo cada vez maior e maior… Você faz uma bela fogueira que lhe dará força e energia, não apagando tão facilmente.
Quanto mais vezes você repetir, mais o fogo cresce. Chegará, então, um nível, um nível muito elevado onde você está quase meditando a um nível transcendental. Naquele nível, a sua mente automaticamente entra em meditação. No momento em que você começa Om Namah Shivaya, a sua mente vai direto a um estado elevado de meditação. Não existe mais som em nenhuma forma, vocal ou telepática. Somente o som transcendental vibra. A vibração de Om Namah Shivaya, Om Namah Shivaya continua intensamente. O poder daquela energia está agora vibrando a um nível muito alto; aquilo é chamado de meditação.
Como principiante, você inicia o mantra verbalmente. Então, parte para a repetição mental. Essa é mais forte que a verbal. Eventualmente, você entra lá onde o som e o nome se fundem num estado telepático. Então você transcende mesmo esse penetrando em estado de energia invisível no qual você se torna um com a forma na qual você medita. Você e Shiva, você e Krishna, se tornam um e o mesmo. Você se torna o objeto da meditação, assim como a sua mente toma a forma da laranja ao ver a laranja. Você se torna Krishna ao ver Krishna, ou se torna Shiva.
Mas eles não são diferentes deidades. Shiva não é diferente de Krishna, nem Krishna diferente de Ráma ou Ráma diferente da Devi, ou Deusa. Eles são todos uno.
De acordo com a sua relação e temperamento, você escolhe aquele em que é mais fácil meditar.
Repita o mantra após receber a iniciação. Não o deixe cair. Medite regularmente.
Compreenderam?
OM TAT SAT!
Extraído do livro Swami Vishnu Devananda – Portraits of a Yogi e traduzido por Gopala (Julio Falavigna).
Todos os direitos reservados ao International Sivananda Yoga Vedanta Centers.
Unidade e Diversidade
Unidade e diversidade
Swami Sivananda
Apesar de você ver uma grande variedade de formas, com diferentes sombras de cores, mesmo assim há uma unidade definida atrás delas. Um filósofo, ou pensador sério, agarra-se ao desejo de saber. Ele possuiu um especial par de olhos para contemplar os mistérios do universo, dos sons e das cores. Ele sente e vê a unidade em todo o lugar. Para um cientista, o mundo é uma massa de elétrons, força ou energia. Para um estudante da escola Kanada de pensamento, o mundo é um pacote de átomos, Anu e Paramanu. Para um psicólogo, o mundo é somente a mente; para um Vijnanavadin, ele é uma mera idéia. Para um Vedantino, este mundo não é nada mais do que Brahman ou Atman.
Todos os objetos materiais são produtos dos cinco elementos. Os cinco elementos reduzem-se a um elemento, Akasa. O elemento terra é uma forma grosseira de água. A terra dissolve-se ou é envolvida na água. A água é uma forma grosseira de fogo. A água envolve-se no fogo. A água revela-se no fogo. Quando você sente calor intenso, você perspira em abundância. O Fogo é a forma grosseira de Vayu. Há calor quando há movimento de Vayu. O fogo envolve-se no Ar. Vayu é a grosseira forma de Akasa. Este mundo todo é planejado como resultado de um elemento, apenas o Akasa.
Por outro lado, todas as energias tais como a eletricidade, o magnetismo, etc., podem ser reduzidas a uma só energia: Prana. Elas envolvem-se no Prana cósmico (Hiranyagarbha). Todas as mentes podem ser reduzidas em uma só mente cósmica. Apesar da expressão em diferentes linguagens, a imagem pensamento é uma só. A imagem pensamento para a água é Apas ou Pani, ou Jal, é una.
As vacas possuem diferentes cores, mas a cor do leite é uma só. Há diferentes tipos de rosas, mas o odor é uno. Os olhos, ouvidos e línguas são diferentes, mas o poder de ver, cheirar e sentir o gosto é uno.
O sentimento de honestidade é um, apesar das nações serem diferentes. Quando a misericórdia, o amor, a amizade e o sentimento de irmandade entram em funcionamento, tudo une-se no coração; há uma unidade por toda a parte.
Há somente uma linguagem, a linguagem do coração. Há somente um Dharma, a saber: Sanathana Dharma. Há somente uma lei, a Lei de Causa e Efeito. Há somente uma religião, a religião do amor, ou a religião do Vedanta. Há somente um sol, uma lua, um Akasa, um Brahman, um Atman, um Purushottama, um Chaitanya. Sinta a unidade em todo o lugar. Realize o Satchidananda Atman, a corda comum da consciência que liga todos estes nomes e formas. Toda a diversidade, todas as qualidades, a qual são Mayaic, ou criações mentais, irão agora desaparecer totalmente. Você irá agora conhecer, sentir e realizar a Upanishádica Verdade expressadas pelos sábios, “Aham Brahma Asmi. Eu sou Brahman. Sarvam Khalvidam Brahman. Todos somos Brahman. Atmaiva idam – tudo é Atman. Tudo é apenas OM”.
Unidade é eterna vida. Diversidade é morte. Unidade traz concórdia, harmonia, suprema paz. Diversidade traz a discórdia, a desarmonia e a inquietação. Unidade é a divina vida em espírito. Diversidade é a Asúrica (vida na matéria.
Que a unidade seja seu centro, ideal é meta! Que vocês todos se esforcem na séria retidão segura e na vida imortal da suprema felicidade da unidade Advaitica (não dualista) da consciência! Que o Brahman das Upanishads guie-nos, ilumine o caminho da unidade e remova os obstáculos no caminho de nossa realização na unidade! Que as bênçãos de Brahman se ergam por sobre todos nós! Que todos nós nos empenhemos em levar a unidade por entre os seres humanos!
Hare Om Tat Sat!
O Poder da Prece
O PODER DA PRECE
Swami Sivananda
A ciência do universo físico tem-se desenvolvido enormemente na era moderna. Entretanto, o mais elevado pensamento científico está longe de desvendar os mistérios íntimos do homem e do universo. Por essa razão, os maiores cientistas, tais como Sir James Jeans e Albert Einstein, esforçaram-se por ultrapassar as fronteiras do plano físico a fim de explorar o ser metafísico do homem e do universo, na hipótese de que, em última análise, a “gnose” supra-mental é a realidade imutável, e que o restante é eternamente mutável e irreal, no sentido absoluto, embora a “realidade” deste último, no plano relativo, seja indiscutível.
A ciência do homem tornou-se a mais importante de todas as ciências. As últimas análises e sínteses dos filósofos e cientistas do mundo indicam e confirmam a união do homem com a Suprema Inteligência.
A luz das experiências psicológicas modernas, o dualismo de Descartes desmoronou e a integração da mente e da matéria foi reconhecida.
A mente é aceita pelos videntes Hindus como sendo apenas matéria sutil. A ciência moderna diz que o pensamento é gerado pelas glândulas endócrinas e o córtex cerebral. A integração do organismo humano foi reconhecida; e as boas condições de saúde são a base para o poder do pensamento e da oração.
Devoção a Deus
A prece é a expressão de devoção a Deus. O homem é composto de células e de consciência. Em decorrência desta última, ele tem tendências e aspirações. Ele descobriu a existência de uma “substância” homogênea, inteligente, perfeita, comumente denominada Deus, que é idêntica ao seu próprio espírito. Mas, para encontrar essa “semelhança”, requer uma técnica. Esta técnica consiste em devoção, que não é nada mais do que a relação entre o homem e Deus. E desde que as preces são as expressões verbais de devoção, elas representam o caminho direto através do qual o homem descobre a sua união com Deus.
Sendo a salvação o objetivo mais elevado da oração, o método muitas vezes requer grande força mental. Muito poucas pessoas aspiram-na. Menor número ainda a atinge. De um modo geral, entretanto, as orações são oferecidas como a idéia de um propósito ulterior, como a obtenção de riquezas, saúde, fama e descendência. Deus concede até mesmo estes desejos menores. O famoso Dhruvas era um devoto desse tipo. Ele rezou pedindo devolução de seu reino. Mas quando ele finalmente teve a visão de Deus, dissolveram-se todos os seus desejos de bens materiais.
Formas de Oração
O homem comum não se preocupa com a realização final de Deus, mas sente, ardentemente, que seus desejos mais íntimos devem ser satisfeitos e que ele deve conseguir a paz e a libertação de todo o mal. Por ter fé em Deus, recorre ele à oração.
Para conveniência do homem comum que encontra dificuldade em oferecer preces a um Ser tão abstrato, como uma entidade impessoal, deve ele escolher uma forma, para ser usada como símbolo, e nela aplicar a sua mente. Entre os Hindus uma imagem de Vishnu, Shiva ou qualquer outra forma serve de símbolo para a meditação. Entre os Cristãos, Jesus é invocado como Salvador e o Filho de Deus. Algumas pessoas inspiram-se em alguns pensamentos divinos expressos por poetas inspirados como Tennyson, Wordsworth ou Kalidasa. Todas essas são orações informais.
Outros, entretanto, depositam sua confiança nas operações com base nas escrituras como as Upanishads, Gita, na Bíblia e nos Salmos, etc. Essas preces com base nas escrituras podem ser denominadas de convencionais.
Mantras
Há outra classe de preces que podem ser denominadas de orações ultra-formais. Entre os Hindus, elas têm o nome específico de mantras (palavras ou sílabas sagradas). São compostas de certas letras do alfabeto Sânscrito e são denominadas Bijaksharas. São empregadas para satisfazer determinada finalidade, quer seja mundana ou transcendental. Cada mantra possui determinada energia psíquica que o praticante também possui em potencial. Quando ele repete o mantra que lhe é mais adequado, as duas energias fundem-se e transformam-se no meio para ele alcançar o seu objetivo.
Uma palavra a respeito de OM, que é a forma fundamental ou básica da oração formal. Consiste de três letras A-U-M. Toda espécie de Trindade é expressa no OM. Diz-se ter sido o primeiro som produzido no momento da criação. Os Hindus terminam seus ofícios religiosos com OM, os Cristãos com Amém e os Muçulmanos com Amin. Portanto, OM é reconhecidamente uma invocação universal.
Assim, verificamos que os canais através dos quais as preces podem ser oferecidas, são inumeráveis, indo desde uma citação de Wordsworth ou Kalidasa aos mantras sânscritos de alta técnica.
Potência Divina
O devoto seleciona a prece que mais lhe agrada ou a que é mais adequada ao seu temperamento. É essencial haver algum meio de comunicação para unir a alma individual ao Espírito Supremo. A repetição do mantra, ou japa, ajuda a meditação. Através da meditação encontramos consolo e paz. Prece e meditação, quando sinceras e concentradas, purificam o coração e atraem a graça de Deus.
Tem-se conhecimento de ocasiões em que feridas sararam mediante o oferecimento de preces. Não há necessidade da presença do próprio enfermo. O poder psíquico gerado pelo homem em oração faz com que sare a ferida. Tais fatos têm sido constatados e comprovados. Eles mostram claramente que há uma forte interação do poder psicológico, no plano físico. “Nenhum retiro é mais sossegado ou menos perturbado do que aquele encontrado pelo homem em sua própria alma”, diz Marco Aurélio. A prece nos leva a esse retiro.
A Oração Nos Torna Divinos
Os místicos cristãos testemunharam o fato de que, através do poder da oração, a graça de Deus entranha-se em todo o ser do homem, assim como os elementos nutritivos dos alimentos penetram em nosso sistema físico.
Assim como pensares, assim serás. Esta é a base científica da oração. Assim como o carvão, sob pressão geológica, transforma-se em diamante, assim também o homem, sob pressão psicológica, torna-se divino.
A oração é sempre um estado – um estado intenso, carregado de fervor divino. A descrição de Wordsworth do “Santo Estado” no seu poema “Tintern Abbey” é uma prova patente do estado de Smadhi ou de supra-consciência.
A oração origina-se da fé. A fé origina-se da nossa noção de afinidade com o Divino. É uma das formas mais sutis de energia procedente das profundezas psicológicas do homem, incompatível com qualquer energia sutil no plano físico.
(Perfeição pelo Yoga – Swami Sivananda)
As Oito Etapas do Raja Yoga
As Oito Etapas do Raja Yoga
O Raja Yoga é o caminho da análise sistemática e do controle da mente. Compilado por Patanjali Maharish em seu Yoga Sutras, o Raja Yoga também é conhecido como Ashtanga Yoga, já que suas práticas podem ser divididas em oito etapas:
1) YAMAS – RESTRIÇÕES
a) Ahimsa: a não-violencia, não causar o mal por meio de ações, palavras ou pensamentos.
b) Satya: sinceridade, não dizer mentiras.
c) Brahmacharya: castidade, não banalizar o sexo, sublimação da energia sexual.
d) Asteya: não roubar, não cobiçar.
e) Aparigraha: não aceitar subornos, não aceitar presentes em troca de favores.
2) NYAMAS – DISCIPLINA
a) Saucha: pureza (interna e externa).
b) Santocha: contentamento.
c) Tapas: austeridade.
d) Swadhyaya: o estudo das escrituras.
e) Ishwara-pranidhana: rendição do ego.
Os yamas e nyamas juntos compõem um alto caráter moral e uma conduta ética. A mente se eleva e se purifica para a meditação profunda.
3) ASANA – POSTURA ESTAVEL
Para a prática espiritual, assim como para qualquer outro propósito na vida, é essencial ter um sistema físico forte e saudável. Uma mente calma predispõe de um corpo imóvel. Mantenha um ponto fixo na mente e se esqueça do corpo físico.
4) PRANAYAMA – CONTROLE DA ENERGIA VITAL
Os nervos físicos, assim como os canais da energia vital (chamados nadis), devem estar puros e suficientemente fortes para suportar vários fenômenos mentais e desorientações que podem aparecer durante a prática. No processo em que se conduz a mente para o interior, velhas negatividades podem aparecer. Em raras ocasiões, podem chegar a aparecer em forma de visões. Uma pessoa frágil descontinuaria a sadhana em vez de confrontar-se com estes aspectos do subconsciente.
5) PRATYAHARA – ABSTRAÇÃO DOS SENTIDOS E DOS OBJETOS
6) DHARANA – CONCENTRAÇÃO
Concentração da mente tanto em um objeto externo como em uma idéia interna, excluindo todos os outros pensamentos.
7) DHYANA – MEDITAÇÃO
A meditação é definida como uma corrente inquebrável de pensamentos até Deus, excluindo qualquer outra percepção sensorial.
8) SAMADHI – ESTADO DE SUPERCONSCIENCIA
É um estado sublime que transcende qualquer descrição. Está mais além das capacidades da mente posto que transcende os três elementos presentes em toda existência sensorial comum: o tempo, o espaço e a causalidade. O samadhi constitui a meta de toda existência. É aquilo para o que caminham todos os seres.
As Sete Bhumikas – As Sete Etapas do Conhecimento
As Sete Bhumikas – As Sete Etapas do Conhecimento
A descrição a seguir foi extraída do Yoga Vasistha, o famoso diálogo sobre Jñana Yoga entre o Mestre Vasistha e seu discípulo Rama. Oferece-nos uma medida que indica o progresso espiritual do aspirante.
1) SUBECHA – O ANSEIO DA VERDADE
a) Viveka: discernimento adequado entre o permanente e o impermanente.
b) Vairagya: desapego ou desgosto cultivado em relação aos prazeres mundanos.
c) Shatsampat: seis virtudes. Domínio adquirido sobre os órgãos físicos e mentais.
d) Mumukshutva: profundo anseio pela liberdade de Samsara.
Nesta etapa o Yogi é chamado Sadhaka ou Praticante.
2) VICHARANA – ANÁLISE LÚCIDA
O yogi ou sadhaka refletiu sobre tudo que leu e ouviu, aplicando a sua vida.
3) TANUMANASA – DIMINUIÇÃO DAS ATIVIDADES MENTAIS
A mente do sadhaka, abandonando a multiplicidade, permanece fixa no Uno.
4) SATTVAPATI – GANHO DA PUREZA
Nesta etapa é chamado Yogi Brahmavid ou conhecedor de Brahman.
O yogi permanece sujeito durante estes quatro estados aos três karmas: Sanchit, Prarabdha e Agami. Praticou o Samprajñata Samadhi ou a contemplação na qual ainda se tem a consciência da dualidade. É quando se manifestam os Siddhis ou poderes. Se não deseja afetar-se por isso, o yogi penetra no 5º estado.
5) ASAMSHAKTI – NADA AFETA
O yogi realiza os desejos necessários a sua vontade. Chama-se Yogi Brahmavidvara. Nesta etapa, os karmas Sanchit e Agami estão destruídos. O Prarabdha Karma tem que ser trabalhado.
6) PADARTHABHAVANA – CONTEMPLA BRAHMAN NO TODO
Neste estado, o yogi Brahmavidvariya. Só uma pequena quantidade de Prarabdha Karma permanece. As coisas externas parecem não existir e somente as ações estimuladas pelos demais é que são realizadas.
7) TURIYA
O yogi neste estado de Turiya é chamado Brahmavidvarishtha. Experimenta samadhi constantemente, já não realiza ações nem por vontade própria nem estimuladas pelos outros e o corpo é abandonado normalmente em até 3 dias depois de haver penetrado neste estado.
O Ser como Existencia, Conhecimento e Bem Aventurança Absolutas
O Ser como Existencia, Conhecimento e Bem Aventurança Absolutas
O poder velador de Maya se torna cada vez mais e mais denso à medida que descemos através dos planos iinferiores da existencia (animal, vegetal, mineral). No reino mineral, o véu de Maya encontra-se em seu estado mais espesso, o estado da consciência mais baixo. A luz (Ser ou Deus) brilha igualmente em todos os seres, mas se encontra escondido em maior ou menor medida dependendo de cada reino em particular.
“O conhecimento do ser é o único meio direto da libertação.”
Atma Bodha, por Shankaracharya
Todos buscam felicidades. Nenhuma experiência ou objeto trará a completa satisfação e finalizará a busca daquilo que desejamos.
Uma historia
Dez pessoas foram a uma peregrinação. Chegaram a um rio que estava cheio, sem um barco disponível para atravessá-lo. Então decidiram atravessá-lo nadando. O líder chegou primeiro a margem oposta e começou a contar o seu grupo à medida que iam saindo do rio. Ele contou e voltou a contar, mas encontrou somente nove pessoas. Desencorajado, pediu a cada um dos peregrinos que contassem também. O resultado era sempre o mesmo, só nove haviam chegado. Todos se sentaram e começaram a chorar pelo amigo perdido. Então, veio outro peregrino e perguntou a razão de tal lamento. Contaram-lhe sua triste historia. O peregrino rapidamente percebeu qual era o problema e lhes informou sobre ele: “cada um de vocês contou aos outros membros do grupo, esquecendo de incluir-se também.”
Assim como os tolos peregrinos, nós buscamos a felicidade por toda parte (riqueza, fama, poder, etc.) e lamentamos que “algo nos falta”. Esse algo é o “conhecimento do Ser”.
Outra historia
O cervo almíscar tem uma glândula em seu umbigo que segrega um poderoso aroma. O aroma é tão intenso que o cervo corre para todos os lados para encontrar a fonte desse aroma sem se dar conta de que ele próprio é a fonte. Ele gasta todo o seu tempo e energia na tentativa de encontrar o tal aroma.
A realidade é o “Eu”, o ser, o Um, que é pura consciência, a testemunha dos três estados: vigília, sono e sono profundo.
Assim como não vemos o barro separado da panela de barro, sabendo que está com a forma de argila, também não vemos nossa condição de ser individual quando conhecemos o Absoluto. “Panela” é um nome do barro assim como o “individuo” é um nome do Supremo.
“Eu sou bem aventurança” não é uma condição temporária ou emprestada. É, na verdade, a natureza do Ser e não pode ser dissociada dele. A panela só existe pelo barro assim como a vida só existe por Brahman.
Qualquer limitação do Ser é uma ilusão. O Ser, ou Deus, é real, é onipresente. Onde está então a possibilidade de que exista algo que poderia limitá-lo?
“Só Brahman é real
O Universo é irreal
A alma individual é Brahman.”
Shankaracharya
A Filosofia e o Propósito do Yoga
A Filosofia e o Propósito do Yoga
Mesmo com a informação acerca do universo crescendo constantemente, a mente humana nunca estará satisfeita e sempre buscará mais conhecimento. Porém, como Kant – o grande filósofo prussiano do século XVII – notou, “o intelecto, no fim das contas, chega a um ponto que não pode ser ultrapassado.”. O intelecto não pode contestar certas perguntas, tais como “Qual o propósito da vida?”, “Quem sou eu?”, “Para onde vou?”, “A morte física é o fim de tudo?”. Pode parecer tolo buscar a verdade com um instrumento tão limitado como é o intelecto ou tentar medir as profundezas desconhecidas das eternas perguntas com um instrumento tão finito.
Existem pessoas conhecidas como santos ou videntes que podem “ver” o passado, o presente e o futuro. Possuem habilidade de juntar os dissipados raios da mente. As respostas para as perguntas transcedentais chegam a essas pessoas desde a ilimitada fonte de sabedoria conquistada durante as horas de meditação silenciosa.
Os videntes e santos que descobriram a verdade declaram que ela remove toda a miséria e dor da vida. Eles realizaram sua “essência natural” que é eternamente pura e perfeita.
Os fundadores de todas as religiões experimentaram Deus através das suas próprias almas, e aquilo que viram, relataram e ensinaram aos seus discípulos como técnicas para alcançar esse estado de experiência. Transcender o intelecto presenteia o yogi, santo ou vidente com a mais elevada e mística experiência – o samadhi.
Por outro lado, muitos mestres religiosos de hoje em dia parecem mais ocupados pregando do que praticando. Muitas pessoas seguem cegamente líderes religiosos sem conhecer o propósito da vida, e sentem-se satisfeitos com simples rituais e tradições.
Cada pessoa necessita experimentar a verdade dentro de si mesma; só assim as dúvidas desaparecerão. O Yoga oferece técnicas práticas e científicas para encontrar e experimentar a verdade na religião. Como toda ciência que tem seu próprio método de investigação, a ciência do Yoga também seu próprio método. O Yoga diz que a verdade pode ser experimentada somente quando se transcende os sentidos e quando a mente e o intelecto param de funcionar.
Um professor de Yoga não deixa de provar teorias nem discute com a classe. Um verdadeiro professor ensina com a autoridade da experiência pessoal. Essa autoridade, em parte, se baseia na orientação recebida de seu próprio mestre e das escrituras. O professor sabe que muitos dos ensinamentos não são mais que sementes que se acabam de plantar. Para cada idéia que o estudante entende, centenas chegaram até a mente consciente, mas só quando este está preparado com a suficiente pureza, fortaleza e claridade mental.
O propósito de toda prática yóguica é alcançar a Verdade que a alma individual identifica com a alma suprema de Deus.
Por trás das formas mutáveis da consciência, existe um espírito imutável e sem forma que não altera nem modifica sua expressão ou sensibilidade, ainda que pareça obscurecido em diversas etapas de seu desenvolvimento.
Hare Om Tat Sat!
Brahman, Brahma e os Três Gunas
Brahman, Brahma e os Três Gunas
Brahman, Atman
Brahman é o infinito. Sem causa, Eterno, a Realidade Suprema da Filosofia Vedanta. Transcende as qualidades ou atributos. Está acima do sujeito e do objeto; é a fonte da Existência, Conhecimento e Bem Aventurança (Sat Chit Ananda). Brahman é a tela sobre a qual se projeta o drama cósmico (Maya). Mantém a criação (drama), mas esta não lhe afeta.
Não se pode definir Brahman, nem se pode conhecê-lo através do intelecto, já que “definir é limitar”. O mesmo acontece com o Absoluto; então, como pode limitar-se? O grande filósofo não-dualista Shankaracharya afirma categoricamente: “Brahman é real. O universo é irreal. Brahman e Atman são um. Só o que é real não muda ou deixa de existir.” Atman é a Consciencia Absoluta dentro do individuo. É “um” com Brahman, sem mudanças e sem limitações. É idêntico com Brahman. Ainda que Brahman e Atman sejam termos idênticos, Brahman se refere ao Absoluto dentro do individuo.
Upadhi, Maya, Avidya
Os Upadhis são fatores limitativos, são fatores que velam a consciência. Os Upadhis são o corpo e a mente. Maya se manifesta no individuo em forma de Avidya (ignorância). Avidya nos faz esquecer que somos o Ser (Atman) e faz com que nos identifiquemos com o corpo físico, com a mente (os Upadhis). O ser que se identifica com os Upadhis é chamado Jiva. Jiva acredita estar limitado e atado pelos Upadhis e, por cnonsequência, sofre. Por isso terá que voltar a nascer várias vezes até que realize sua verdadeira natureza (Atman).
Ishwara, Jiva
Brahmans, quando associado com Maya, é denominada Ishwara ou Saguna Brahman. Corresponde ao Deus personificado das distintas religiões. De acordo com a Filosofia Vedanta não-dualista, Ishwara está em escalão abaixo de compreensão em relação a Brahman. É o símbolo mais elevado ou a manifestação de Brahman no mundo relativo.
Segundo Swami Vivekananda, “Ishwara representa o conceito mais elevado que uma mente humana pode compreender e que o coração humano pode amar.” As qualidades de Iswara são onisciência, onipresença, soberania universal, domínio universal e poder ilimtado.
Brahman não pode ser descrito por nenhum atributo específico; em seus diferentes aspectos é chamado Criador (Brahma), Preservador (Vishnu) e Destruidor (Shiva) do Universo. Sob esse ponto de vista do puro Brahman, não há criação, já que nenhum dos atributos de Iswara pode ser aplicado a Brahman.
Os ensinamentos do Cristianismo fazem referencia a Brahman e Ishwara: Existe Deus (Ishwara) e por cima dele está a Divindade (Brahman). Deus atua. A divindade não.
A Bhagavad Gita descreve Ishwara como “permanecendo igual em todos os seres”. Iswara é, portanto, o Deus personificado, a quem rezamos. Brahman está fora, acima de qualquer conceito mental. Não pode ser objetivado.
Jiva é a alma individual. É o Atman que se identifica com os Upadhis (fatores limitativos).
Brahma
Brahma é o aspecto criador da trimurti (trindade hindu); os outros doias, já mencionados, são Vishnu (preservador) e Shiva (destruidor). A esses 3 aspectos em conjunto chamamos Iswara. Outros nomes utilizados para Brahma são Hiranyagarbha, Prajapati, Mente Cósmica, Sutratma.
Os três gunas
Maya ou Prakriti é composta por três gunas (qualidades): Sattva, Rajas e Tamas. Os três gunas são comparados aos três da corda de Maya, a corda por meio da qual Maya ata o homem a este mundo ilusório.
Maya não pode existir sem os três gunas; é intrínseca a eles. Estão presentes em distintos graus em todo tipo de objetos – materiais ou sutis – incluindo a mente, o intelecto, o ego. Os gunas operam no nível físico, mental e emocional. Todas as coisas neste universo de Maya contêm os três gunas.
Ao final do ciclo, quando o universo regressa a um estado de não manifestação (Noite de Brahma), os gunas estão em um estado de equilíbrio. Durante esse tempo, Maya – associada com Brahman – existe como mera causa, sem nenhuma de suas manifestações. Logo, os fatores kármicos alteram o equilíbrio dos três gunas, e estes começam a adquirir suas características individuais.
Distintos objetos, sutis e grosseiros, começam a existir. O universo tangível começa a manifestar-se. Essa projeção do universo tangível é conhecida como “O Dia de Brahma”.
Os gunas se manifestam no homem da seguinte maneira:
- Sattva como pureza e sabedoria;
- Rajas como atividade e movimento;
- Tamas como preguiça e inercia.
Como dissemos anteriormente, essas três “qualidades da natureza” existem juntas. Não pode haver Sattva puro sem Tamas nem Rajas; ou Rajas puro, sem Sattva e Tamas; ou Tamas puro, sem Sattva e Rajas. A diferença entre dois seres se dá pela preponderância dos gunas. Enquanto o homem estiver apegado a algum dos gunas, estará atado. Inclusive os deuses estão sob suas influencias. Nos deuses predomina Sattva, no homem Rajas e nos seres subhumanos Tamas.
Sattva ata o homem mediante ao apego a felicidade, Raja com o apego à atividade e Tamas com o apego à ilusão. Somente Brahman está acima dos três gunas e não pode ser afetado por Maya.
Os três ladrões
O Yoga representa a compreensão científica para alcançar a verdade transcendendo a natureza e os gunas. A seguinte história é contada frequentemente no mundo Yogi para ilustrar os três gunas:
Os gunas podem ser comparados a três ladrões que assaltam um homem num bosque. Tamas, um dos ladrões, quer destruí-lo, mas Rajas, o segundo ladrão, consegue convencer Tamas a somente amarrar o homem a uma árvore. Passado um tempo, Sattva, o terceiro ladrão, volta e desata o homem, leva-o para fora do bosque e lhe mostra o caminho que o conduzirá a sua casa.
Mas Sattva também o abandona, porque – por ser também um ladrão – não se atreve a acompanhá-lo para fora do bosque por medo da polícia.
Tamas quer destruir o homem, Rajas lhe ata ao mundo, rouba-lhe os tesouros espirituais e Sattva lhe indica o caminho para a liberdade. Tamas deve ser superado por Rajas e Rajas por Sattva.
Mas finalmente Sattva também de ser abandonado se o aspirante quer conseguir a liberdade total. A verdade está acima dos três gunas.
Om Prem!
