Arquivo da Categoria ‘Filosofia’

A mente do Aspirante

A MENTE DO ASPIRANTE

Estudo psicológico por Swami Sivananda

Extraído de seu livro Sadhana

Idéias Preconcebidas

Muitos sadhakas (aspirantes espirituais) iniciam sua vida espiritual com certas idéias preconcebidas sobre sadhana (prática espiritual), realização, guru, etc. Mas na realidade a vida espiritual é diferente do que se imagina.

Alguns descobrem que existem muitas coisas que são completamente diferentes da idéia que se havia formado. As idéias lhes parecem reais agora, mas adiante são contraditórias. Todas as noções preconcebidas são subitamente sacudidas. Que ocorre? Frequentemente os neófitos são incapazes de aceitar estes inesperados pontos de vista e geralmente regressam a sua vida sensorial anterior.

Este é o maior erro que pode ser cometido. Uma incomparável jóia há sido recebida e totalmente desprezada. Uma oportunidade única é desperdiçada. A mente continuará com os mesmos hábitos sensoriais de antes. O que ocorre é que o aspirante está enraizado em suas antigas concepções. Seu ego se aferra a elas. Tem, por exemplo, uma ideia fixa do que é a sadhana. Pensa que a pessoa que elegeu como Guru lhe imporá uma sadhana que combine com suas idéias. Se isso não ocorrer, surge a insatisfação.

Ele pensa que o Guru deve comportar-se de uma maneira determinada, mas se assim não ocorre, diminui sua lealdade perante ele. Entregar-se aos pés do Guru para logo começar a julgar sua conduta ou a duvidar dele é o maior erro que um aspirante pode cometer, ataca a essência sadhana e da vida espiritual.

Assim mesmo, o sadhaka começa a senda com uma idéia particular de seu próprio progresso espiritual e do nível que tem alcançado. Mas, realmente, só Deus sabe em que nível cada um se encontra. Ainda assim, continuará com suas idéias preconcebidas. Quando os feitos demonstram que estava equivocado, perderá seu entusiasmo e se decepcionará. Isto é perigoso. Decepcionar-se e desanimar-se no começo da vida espiritual é um obstáculo grave. A capacidade e o desejo de fazer sadhana diminuirão. Perderá a coragem e sentirá um desgosto com a vida espiritual.

O sadhana deve ser feito com sincero entusiasmo e alegria, aceitando a vida de sadhaka com uma mente aberta, libertando-se das idéias preconcebidas, fruto de seu próprio egoísmo, cercando-se das coisas espirituais com uma atitude receptiva e com vontade de aprender. Prepare-se para adaptar-se a elas em vez de esperar inutilmente que elas se adaptem as suas idéias. Sem esta atitude, a desarmonia marcará o começo da sua sadhana e cairá em profundas decepções, difíceis de superar. Isso frustrará todo o curso da sua sadhana e haverá desperdiçado o seu precioso tempo. Tyaga (renúncia) da anterior forma de pensar é necessária se desejar entrar e continuar sem problemas no caminho espiritual. Ao avançar, compreenderá as coisas gradualmente e as verá com maior claridade, uma por uma.

Diversos pensamentos e idéias do dever

O segundo obstáculo que invariavelmente persegue o aspirante são os diversos pensamentos e idéias do dever. Certamente, antes de começar a fazer sadhana ou pensar em levar uma vida espiritual, tinha-se um menor sentido do dever. Geralmente a pessoa estava indiferente ou era negligente para com seus deveres ou com sua família. Talvez seus pais lhe pedissem diariamente que buscasse um trabalho para ajudar a manter a família, e você se fazia de surdo e se divertia em cinemas e restaurantes. Inclusive, se conseguisse um trabalho, começaria a vestir roupas elegantes, mas deixaria que sua mãe ou sua irmã vestissem roupas velhas todos os dias. Porém, ao fazer sadhana e levar uma vida espiritual, a mente começará a preocupar-se com os problemas familiares e pensará que está faltando com as obrigações com sua mãe, irmã, irmão, etc. Todas essas idéias surgem agora, quando decidiu pelo caminho da sadhana. Começa a duvidar e a fraquejar. A tudo isso, acrescenta-se a oposição dos amigos e da família diante da vida espiritual. Eles dirão a você: “Que siginifica isso de japa, dhyana e usar um mala? Essas coisas devem ser feitas quando tiver um tempo livre; antes, trate de cumprir com seu dever.” Isso fará que o pequeno interesse com que começou se quebre. A mente se decepciona dessa forma. A mente é Maya. Seu trabalho consiste em evitar que o homem, de uma forma ou de outra, experimente a Realidade. É aquilo que sempre tenta ocultar a Verdade. Há de estar, portanto, sempre alerta e vigilante. No preciso momento em que decide começar o Caminho, a mente criará todas essas idéias de dever, responsabilidade, coisas mais importantes para fazer, etc., que até agora não lhe haviam preocupado. Mantenha-se alerta!

Tenha determinados deveres em determinadas ocasiões. Mas fazer sadhana para alcançar a Realização do Ser é o dever mais importante e urgente que deve estar presente em sua vida até o último momento. Não pode se dar ao luxo de renegá-lo durante um só minuto. Deixe que esta idéia penetre firmemente em sua mente. Não duvide, comece a fazer sadhana regular e sistematicamente desde o momento em que ler esta frase. Agora feche a página, sente-se em silencio, relaxado, com os olhos fechados e a coluna ereta. Pense no sublime (elevado) objetivo da vida e como ela está organizada para fazer sadhana espiritual. Repita o nome do Senhor dez minutos. Comece a andar com decisão. Siga adiante com determinação e energia. Fixe a sua mente de uma vez para sempre no ideal que quer alcançar. Alcançará a meta nesta mesma vida.

A mente resiste à disciplina

Quando você toma a decisão e começa a fazer sadhana com regularidade, talvez tenha que enfrentar uma serie de problemas e dificuldades que não tinha antes. Em principio, encontrará obstáculos a todo o momento. Pensará que isso tudo ocorre porque começou a fazer sadhana e que estava muito melhor antes. Não desanime, há uma razão para isso. Sadhana implica impor-se certas restrições. Até o momento, não havia se oposto ao que os sentidos queriam e agora começa uma senda de disciplina tanto externa quanto interna. Isso significa entrar em conflito com suas obstinadas e revoltosas impressões sensoriais. Quando tem que lutar contra elas, começa a sentir sua força – que antes parecia estar relativamente controlada. Quando se está pedalando ladeira abaixo, tudo parece maravilhoso e agradável. Quando se dá a volta e tenta subi-la, percebe-se o cansaço e a dificuldade. Isso é o que ocorre quando se começa a fazer sadhana com sinceridade. A sadhana é um caminho ladeira acima. É uma luta contínua contra a corrente com as tendências samsáricas de inumeráveis vidas. Significa voltar a subir o que havia descido no abismo da vida mundana.

Em principio, o neófito não está acostumado com esse esforço. Tal acúmulo de dificuldades e problemas o acovardam durante um tempo. Isso é normal. Não se preocupe! Suporte com fortaleza. Essas dificuldades surgem no principio. Logo desaparecerão e conseguirá fortaleza dia a dia. Supere quantos problemas, provas e riscos tiver que suportar ao tratar dos assuntos mundanos, como ganhar dinheiro, algum negócio, um exame ou um assunto legal. Então estará disposto a suportar todas as dificuldades que surgirem no começo do caminho espiritual já que tem mente o tesouro Átmico infinito e imensurável que alcançará no final.

No caminho espiritual, um pouco de dor produz inumeráveis ganhos. Aquele que faz um pequeno sacrifício, tem assegurado o êxito. Até agora o sadhaka se movia em um círculo pequeno, sacrificando algo finito para conseguir algo também finito. Agora, ao começar o caminho reto e glorioso, o sadhaka sacrifica coisas finitas e transitórias para obter AQUILO que é eterno e infinito.

Comece agora o sadhna marga (caminho espiritual) com uma mente aberta e livre de todo preconceito, seja plenamente consciente do dever de fazer sadhana espiritual e suporte tranquila e alegremente todas as provas iniciais.

Alcançará vida eterna, esplendor permanente, paz e bem-aventurança!

Hare Om Tat Sat

A Origem da True World Order

Logo TWO

A origem da True World Order

Um dia, Swami Vishnu-Devananda teve uma visão enquanto meditava no ashram de Nassau, nas Bahamas. Nela, viu muita gente fugindo apavorada de uma bola de fogo, correndo e rompendo barreiras. Ainda não podendo compreender imediatamente o significado de sua visão, sabia – por experiência – que o que aparecia como revelação eventualmente se materializaria. Esta foi a razão pela qual fundou a T.W.O (True World Order – Ordem do Mundo Verdadeiro) para promover a paz e a compreensão no mundo. Sentiu que tinha que treinar os futuros líderes e cidadãos responsáveis do mundo na disciplina do Yoga. A verdadeira paz e fraternidade só podem existir quando existem líderes fortes e disciplinados que possuem uma consciência interior de paz. Se os indivíduos da sociedade não têm paz interior, não podem ter paz exterior. Por esta razão, Swamiji começou o TTC (Teachers Training Course – Curso para Formação de Professores) em 1969, com a esperança de que cada pessoa que faça o curso transmita o conhecimento do Yoga às outras pessoas. A T.W.O. também inclui missões de paz que Swamiji fez aos lugares mais problemáticos do mundo: Irlanda, os países do Leste, etc. Este trabalho continua na atualidade. A cada ano são realizadas conferencias e simpósios nos ashrams que o Centro Sivananda tem espalhados por todo o mundo, para fazer com que as pessoas tomem consciência da necessidade de paz, facilitando-lhes técnicas e práticas filosóficas para que alcancem esta paz.

Retirado do Manual para Formação de Professores – Centro Internacional Sivananda de Yoga Vedanta

Sankirtan Yoga

Sankirtan Yoga

Swami Sivananda

Sankirtan é a Swarupa ou natureza essencial de Deus. Dhvani é Sankirtan. Os quatro Vedas têm a sua origem no som. Existem quatro tipos de som: Vaikhari (vocal), Madhyama (da garganta), Pasyanti (do coração) e Para (do umbigo). O som parte do umbigo. Os Vedas também se originam do umbigo. O Sankirtan e os Vedas provêm da mesma fonte.As pessoas se sentam juntas e cantam os nomes do Senhor com harmonia e acordo, com Shuddha ou Bhava (sentimento divino). Isso é Sankirtan. Sankirtan é acompanhado pelo toque de sons musicais da mesma maneira em que a palavra San precede Kirtan. Sankirtan é uma ciência exata. Ela eleva a mente rapidamente além de intensificar o Bhava ou sentimento divino a um grau máximo.

Nama e Nami são inseparáveis. Nama quer dizer o nome de Deus. Nami significa aquilo que é denotado pelo nome ou Nama. Nama é ainda mais grandioso que Nami. Mesmo na experiência ordinária o Homem pode morrer, porém seu nome é lembrado durante muito tempo. Kalidasa, Valmiki, Tulsidas, Gauranga e outros são personagens lembrados até hoje na história da Índia. Nama não é nada mais do que Chaitanya. Sankirtan é cantar os nomes divinos com Bhava e Prema (amor puro).

Sankirtan Yoga é o caminho mais rápido, fácil, seguro e barato para atingir a realização de Deus nesta era. As pessoas não conseguem mais praticar duras austeridades hoje em dia. Elas não tem mais a força de vontade necessária para a prática do Hatha Yoga. São incapazes de permanecer toda uma vida em Bramacharya (celibato). Elas não tem os pré-requisitos psicológicos para o Rája Yoga. Não possuem tampouco o intelecto afiado para a prática do Jñána Yoga ou Sádhana Vedântico. Porém, esse Sankirtan Yoga ou Yoga do canto dos nomes divinos está ao alcance de todos. Existe um poder (Shakti) infinito nos nomes de Deus. Ele removerá todas as impurezas da sua mente. Os vedantins dizem que existem três tipos de obstáculos para a auto-realização: Mala, Vikshepa e Avarana. Para removê-los eles prescrevem Nishkamya Karma (serviço desinteressado), Upasana (adoração) e Nididhyasana vedântica (busca intelectual).

O Sankirtan sozinho pode obter todos os três juntos numa só tacada. Assim, ele tira as impurezas da mente (Mala), acalmando-a e controlando sua tendência de vacilar (Vikshepa). Finalmente, ele rasga o véu da ignorância (Avarana), levando o aspirante (Sádhaka) face a face com Deus.

Maya (ilusão) é tão potente que o ilude a cada instante. A cada momento ela lhe dá a sensação que o prazer existe somente nos objetos dos sentidos e em nenhum outro lugar. Você troca a dor pelo prazer. Esse é o trabalho de Máyá. Fique atento! Lembre-se: Janma mrityu jara vyadhi duhkha dosha (este mundo é cheio de dores consequüentes do nascimento, morte, velhice, doença e miséria). Não existe prazer nesses objetos finitos. Yo vai bhuma tat sukham (você obterá felicidade somente no infinito). Sankirtan o capacitará a realizar esse infinito aqui e agora. Ele o libertará da ilusão. Dessa maneira, cante então os nomes do Senhor. Cante o Maha Mantra:
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama Hare Hare
Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna Hare Hare

Esse é o grande mantra para as pessoas do Kali Yuga (época moderna de destruição). O Rishi Narada foi visitar o senhor Brahmá e disse ?Ó Senhor, as pessoas neste Kali Yuga não serão capazes das austeridades, nem de conduzir os Yajnas (sacrifícios e oferendas), nem de percorrer a via do Vedanta. Por favor tenha compaixão por eles e indique um modo fácil com o qual eles possam atingir Deus?. O Senhor Brahmá, na sua infinita compaixão e piedade, concedeu esse Maha Mantra com o qual as pessoas do Kali Yuga pudessem atingir a auto-realização. Cante então os nomes de Deus. Sirva, ame, dê, medite, realize, seja bom e piedoso. Pergunte: “quem sou eu?”. Conheça o Ser e seja livre. Que Deus abençoe vocês todos com saúde, vida longa, paz, prosperidade e felicidade.

Trecho do livro Japa Yoga, de Swami Sivananda (1887 – 1963), grande santo e yogi contemporâneo, fundador do Sivananda Ashram Divine Life Society, em Rishikesh, Índia, autor de mais de 250 livros sobre Yoga, espiritualidade e temas afins. Texto traduzido por Júlio (Gopala) Falavigna, membro e instrutor do Sivananda Yoga Vedanta Centers no mundo, fundados por Swami Vishnu Devananda (1927 – 1993), discípulo direto de Swami Sivananda, autoridade mundial em Hatha e Rája Yoga, autor dos best sellers The Complete Ilustrated Book of Yoga e Meditation and Mantras, além de um comentário do Hatha Yoga Pradípika. Para maiores informações sobre o seu trabalho, visite o site de Gopala em www.oyoga.com.br/sivananda (Centro Sivananda de Yoga Vedanta, em Porto Alegre, RS), ou visite o site internacional da Organização Internacional Sivananda de Yoga Vedanta: www.sivananda.org Gopala também desenvolve um trabalho com música espiritual e kirtans, acabando de gravar o CD “Shabda Rasa – Mantras e Ragas Místicos da Índia”. Gopala está disponível para workshops, shows e palestras sobre Yoga e música indiana.

Ética como caminho para o Yoga

Ética Como Meio Para o YOGA

SWAMI SIVANANDA

© Tradução para o Português de
Swami Krishnapriyananda Saraswati
1997 – 2005

‘Faça de tal modo o que você gostaria que os outros fizessem para você’.
Este é o todo do Dharma”.
Swami Sivananda

1. Hoje, todos os aspirantes cometem equívocos em querer saltar para o Samadhi, e Dhyana, assim de repente, como deixam as suas casas, sem ter o mínimo cuidado com a perfeição ética. A mente permanece na mesma condição apesar de eles terem praticado meditação por quize anos. Eles são os mesmos invejosos, cheios de ira e ódio, com idéia de superioridade com relação aos demais, são orgulhosos, egoístas, etc. A meditação e o Samadhi vêm por si mesmos quando alguém tem a perfeição ética.

2. Sadhachara ou reta conduta é o fundamento do Yoga. O Yoga está enraizado na virtude. A disciplina ética é muito necessária para o sucesso no Yoga. A disciplina ética está na prática da vida numa reta conduta. Alguém deverá estar bem estabelecido em Sadhachara para iniciar. Sadhachara é a prática de Yama e Niyama. Yama e Niyama são os dois pólos morais do Yoga, os quais o aspirante deverá praticar na sua vida diária. Estes correspondem aproximadamente aos dez mandamentos de Jesus ou a óctupla dobra do caminho do Senhor Buddha. A prática do Yama e Niyama irá erradicar todas as impurezas da mente.

3. Yama é o verdadeiro fundamento do Yoga, sem o qual a superestrutura do Yoga não pode ser construída. Yama é a prática de Ahimsa (abstinência de agredir e matar); Satyam, (veracidade); Asteya (abstinência de roubar ou enganar); Brahmacharya (continência; celibato), e Aparigraha (abstinência de avareza e orgulho). Patañjali Maharishi menciona os cinco itens chefe acima para praticar o Yama. Em cada religião você irá encontrá-los entre os mais importantes. Grande ênfase é dada em cada capitulo à prática deYama.

4. Niyama é a observância dos cinco cânones, a saber: Saucha, Santosha, Tapas, Savadyaya, e Isvara Pranidhana. De acordo com Sandilya Rishi, a prática de Saucha, Daya, Arjava, Dhriti e Mitahara estão incluídas no Yama. Saucha é pureza interna e externa. Lavar as mãos, tomar banho, etc., são da pureza externa. Preencher a mente com coisas puras e pensamentos divinos é pureza interna.

5. “A mente se torna pura através do cultivo de bons hábitos e cordialidade, compaixão, complacência, e indiferença em relação à felicidade, miséria, virtude e vício”. Quem quer que mostre cordialidade para com todos aqueles que se encontram nos desfrutes dos prazeres, a impureza da inveja o abandona. Quando a mente mostra compaixão para com aqueles que estão sofrendo de dor, e que deseja remover as misérias dos outros, como se fossem as suas próprias, a sujeira da inveja é removida da sua mente. Quem quer que mostra indiferença em relação aos vícios e contágios no meio do caminho, e não se apóiam nas inclinações viciosas, a sujeira da impaciência é removida da sua mente.

6. Pela remoção das características das qualidades de energia perturbadora (Rajas), e da inércia (Tamas), as características da pureza essencial (Sattva), manifestam-se por si. A pessoa então se torna possuidora de uma verdadeira e elevada manifestação da pureza essencial. Sua mente se torna inclinada para o lado do controle das modificações da mente, porque esta iluminação é natural nesse estado. Quando a mente se torna pura, ela alcança o estado de estabilidade, e fica fixa num ponto. Se aquelas qualidades morais não forem cultivadas, os meios não poderão conduzir à estabilidade. Portanto, se deve estabelecer em Sadhachara, se se almeja alcançar a perfeição no Yoga. Quando alguém está estabelecido nelas perfeitamente, então o Samadhi ou o Nishtha virão sobre ele.

Sirva, Ame, Doe!

“A felicidade advém para quem dá felicidade para os outros”.
Swami Sivananda

Sirva, Ame, Doe
Torne-se um Karmi-yogi, e trabalhe para o bem do mundo. Você deverá fazer serviço universal tendo em vista alcançar o estado do ser uno com a consciência universal.

É apenas através das atividades abnegadas, trabalho sem apego, e gosto em servir que alguém pode adquirir a preciosa gema da pureza, paciência e humildade.

Em qualquer lugar que haja sofrimento, distribua o que você tem, e alivie o sofrimento humano, em todo o lugar possível. Deste modo, você irá habilitar-se para alcançar a meta para a qual Deus lhe deu este corpo humano.

Quando alguém faz um serviço abnegado, um sentimento traiçoeiro de auto-aprovação talvez se rasteje despercebido. Isso irá mais tarde manifestar-se na forma de um tipo de atitude indulgente e desprezo por aqueles que não seguem o mesmo modo de vida. Uma constante humildade, mantida viva pelo incansável exercício de um serviço abnegado, é uma armadura certa contra este inimigo.

Espiritualize todas as atividades. Sinta-se como um instrumento nas mãos do Senhor e que todos os Indriyas (sentidos) pertencem a Ele. Repita a fórmula “Eu sou Teu; tudo é Teu; Seja feita a Tua vontade”.

Sinta que todo o mundo é uma manifestação do Senhor e que você o está servindo em todos os nomes e formas. Qualquer ação que você faça, e qualquer que seja o seu resultado, consagre-os todos para o Senhor no final de cada dia. Não se identifique a si mesmo com as ações. Então seu coração ficará purificado, e você estará pronto para receber a graça e luz divinas.

Não descanse estando bem. Faça também o bem. Seja generoso. Seja misericordioso.

Não deixe a virtude secar por falta de exercício.

Deus é amor. O amor é Deus. Egoísmo, orgulho, interesse pessoal, vaidade, avareza, ódio, contraem o coração e colocam-se como obstáculos no caminho do desenvolvimento do amor universal. Sinta o mundo todo como seu corpo; como sua própria casa. Derreta e destrua todas as barreiras que separam uma pessoa da outra. A idéia de superioridade é ignorância. Desenvolva Visvaprema ou amor todo envolvente. Una-se com todos. A separação é morte. A unidade é vida eterna.

Deus é amor. A única religião verdadeira é a religião do amor ou a religião do coração. Sinta pelos outros o que você sente por você.

O amor não espera por retorno. O amor não conhece medo. O amor divino não exige. Ame e não tenha maus pensamentos; não motive acusações. Amar é compartilhar e servir.

Dê como caridade um décimo do que você ganha ou uma sexta parte de uma Rúpia.

A felicidade advém para quem dá felicidade para os outros.

Doe, doe. Doe com plenitude, com humildade e alegria. Num verdadeiro processo de doação você se enriquece também.

Se uma pessoa, que não removeu a inveja, o ato de caluniar, o ódio, o orgulho, a avareza e o egoísmo disser: “Eu estou meditando seis horas por dia”, isso não faz sentido. Distinga. Não há esperança para alguém que queira instalar-se no modo meditativo, mesmo depois de anos, a menos que ela remova todos os Vrittis impurezas), e purifique a mente primeiro, através do serviço ou Seva, pelo menos por seis meses.

Exceda em servir;
Expanda-se em amor;
Avance em conhecimento.

Serviço é Amor em expressão;
O Amor é Conhecimento concentrado;
O Conhecimento está difundido no Amor.

Om Tat Sat

Os 108 nomes

Os 108 nomes de Lord Hanuman

Pensamento Positivo e Meditação

PENSAMENTO POSITIVO E MEDITAÇÃO

TOCANDO O SILÊNCIO INTERIOR

Swami Vishnu-Devananda

Quando a superficie de um lago é estável, podemos claramente enxergar o seu fundo. Isso seria impossível se a superfície se encontrasse agitada por ondas. Da mesma forma, quando a mente é estável, sem nenhum pensamento ou desejo, podemos contemplar o “Ser”. Isso se chama Yoga.

Nós podemos controlar a agitação mental de duas maneiras: concentrando a mente em um foco externo ou interno. Quando o fazemos internamente, concentramo-nos no “Ser” ou na consciência do “Eu sou”. Já externamente o foco será em qualquer coisa fora de “Ser” ou do “Eu sou”.

Quando nos engajamos em algum tipo de recreação, como, por exemplo, colocar uma bolinha dentro de um buraco (golfe), todos os outros pensamentos são ralentados ou mesmo parados. Nós sentimos que jogamos uma boa partida quando atingimos um bom nível de concentração. Na verdade, essa felicidade que experimentamos não vem do ato de colocar a bolinha dezoito vezes no buraco, mas sim do fato de atingirmos um perfeito estado de concentração dezoito vezes. Naquele instante, todos os problemas e preocupações do mundo desapareceram.

A habilidade mental de concentração já é inerente a todos; não é nada de extarordinario ou misterioso.  Meditação não é algo que um Yogi precise ensiná-lo; você já possui a habilidade de parar os seus pensamentos.

A única diferença entre este tipo de concentração e a meditação (num sentido positivo) é que geralmente só aprendemos a concentrar a mente em um objeto externo. Quando a mente está completamente concentrada, o tempo passa despercebido, como se não existisse. Quando a mente está focada, não há tempo! O tempo não é nada, senão uma modificação da mente. O tempo e o espaço, assim como todas as experiências externas, são criações da mente.

Todo tipo de felicidade alcançada através da mente é temporária e flutuante; limitada pela natureza. Para alcançar aquele estado de felicidade e paz absoluta, nós precisamos saber primeiramente como acalmar a mente para, em seguida, poder concentrar e transcender a ela própria. Revertendo a concentração mental para dentro de si, no SER, podemos, então, aprofundar aquela experiência de perfeita concentração. Este é o estado de meditação.

INTRODUZINDO AS TÉCNICAS DE MEDITAÇÃO

Meditação é uma experiência que não pode ser descrita, da mesma forma que não podemos descrever cores para um deficiente visual. Toda experiência ordinária é limitada pelo tempo, espaço e causa.

Assim sendo, nossa capacidade de compreensão e percepção não consegue ultrapassar esses limites. A experiência finita, que é medida em termos de passado, presente e futuro não pode ser transcendental. Os conceitos do tempo são ilusórios por serem impermanentes. O presente, ao mesmo tempo pequeno e flutuante, não pode ser captado. O passado e o futuro são ambos não existentes no presente. Vivemos em ilusão.

O estado meditativo transcende todas essas limitações. Dentro dele não há nem passado nem futuro, apenas a consciência do “Eu sou” no eterno agora. Isso só é possível quando todas as flutuações mentais são acalmadas.

O mais próximo que podemos experimentar desse estado é o de sono profundo, onde não há nem tempo, nem espaço, nem causa. A meditação, porém, difere do sono profundo, por trabalhar profundamente nas modificações da psyche. Curvando e acalmando as varias oscilações mentais, a meditação nos traz paz.

No nível físico, a meditação ajuda a prolongar o processo anabólico do corpo de reparação e crescimento, reduzindo o processo de queda – ou catabólico. De uma forma geral, o processo anabólico predomina até a idade de 18 anos. Entre os 18 e os 35 há um equilíbrio entre os dois. Após os 35, há uma predominância do processo catabólico. A meditação pode reduzir de uma forma significativa o declínio catabólico. Isso acontece devido à receptividade natural de nossas células.

Cada uma das células de nosso corpo é governada pelo instintivo subconsciente. Elas possuem uma consciência individual e ao mesmo tempo coletiva. Quando pensamentos ou desejos são derramados no corpo, as células são ativadas; o corpo sempre obedece à demanda do grupo. Já foi comprovado cientificamente que pensamentos positivos trazem bons resultados para as células.

Assim como a meditação traz um estado mental positivo prolongado, ela também ajuda no retardamento do declínio catabólico, rejuvenescendo as células do corpo.

Uma pessoa não aprende a meditar, assim como ela não aprende a dormir; ela “cai” em ambos os estados.

Os Cinco Pontos do Yoga

OS CINCO PONTOS DO YOGA

O Yoga é uma filosofia de vida com uma disciplina baseada na máxima: Vida simples e pensamento elevado.

O corpo humano é um templo – ou um veículo – para a alma e tem necessidades que devem ser satisfeitas para que funcione adequadamente e possa percorrer o maior número de quilômetros possível. Metaforicamente, essas necessidades podem ser comparadas com as de um automóvel. Ele necessita também de cinco elementos para estar “em forma”, ou seja, para estar em boas condições de uso, quais sejam:

1 – um sistema de lubrificação;

2 – uma bateria;

3 – um sistema de refrigeração;

4 – combustível;

5 – um condutor responsável ao volante.

Agora observemos nossas necessidades como seres humanos. O sistema de Yoga se baseia em cinco pontos fundamentais a partir dos quais o praticante experimenta uma evidente melhora na qualidade de vida.

1 - Exercício adequado (asanas): funciona como uma rotina de lubrificação para as articulções, músculos, ligamentos, tendões e outras partes do corpo, pois ativa a circulação do sangue e incrementa a sua flexibilidade. Uma prática regular nos previne contra várias doenças, principalmente as psicossomáticas. Diferentemente de outros métodos, os exercícios são feitos respeitando o alinhamento das cadeias musculares e com total consciência corporal. Assim, não há risco de distensões ou lesões. Além disso, os asanas desbloqueiam áreas tensas que impedem o fluxo da energia vital. Em última análise, as doenças surgem quando esse fluxo não é adequado.

2 – Respiração adequada (pranayama): ajuda o corpo a conectar-se com sua “bateria”; em nosso caso, o plexo solar, onde se armazena um potencial enorme de energia. Por meio de exercícios específicos de respiração yóquica (pranayama), essa energia é liberada para o rejuvenescimento físico e mental. Num primeiro momento, portanto, reeducam os músculos envolvidos na respiração, expandindo-a e melhorando a absorção do oxigênio. Além disso, atuam em nossas emoções, auxiliando-nos a lidar melhor com elas e produzindo um estado de equilíbrio interior.

3 – Relaxamento adequado (savasana): esfria o sistema corporal, como faz o radiador de um veículo. Quando a mente e o corpo trabalham demais, seu desempenho diminui. Em outros termos, aqui aprendemos a descontrair conscientemente cada músculo e cada parte do nosso corpo, acompanhado de auto-sugestão. A serenidade advinda desses momentos é agradabilíssima e se mantém por vários dias.

4 – Alimentação adequada: fornece o combustível mais adequado para o corpo. É determinante para um máximo aproveitamento da comida, do ar, da água, da luz e da energia do sol.

5 – Meditação e pensamento positivo: coloque-se no controle de suas ações. O intelecto é purificado. Devemos controlar de modo consciente nossos instintos mais baixos por meio da concentração firme e constante de nossa mente. Meditar é sentar-se quieto e observar a si mesmo. Estamos sempre preocupados em conhecer tudo aquilo que está ao nosso redor, mas nos empenhamos muito pouco em descobrir o que acontece dentro de nós: como lidamos com os fatos da vida? Como pensamos? Como sentimos? Quais nossas verdadeiras aspirações? A meditação nos oferece a possibilidade de nos conhecermos mais profundamente.

Os yogis afirmam categoricamente que não nascemos somente para estarmos sujeitos ao sofrimento, à dor, ao declínio e à morte. Existe um motivo muito mais importante para vivermos. Para descobri-lo, são necessários um corpo e uma mente saudáveis. Então, para que esperar mais tempo? Inicie já sua prática!

Paz e bem em seu caminho.

Om Tat Sat!

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