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A Filosofia e o Propósito do Yoga
A Filosofia e o Propósito do Yoga
Mesmo com a informação acerca do universo crescendo constantemente, a mente humana nunca estará satisfeita e sempre buscará mais conhecimento. Porém, como Kant – o grande filósofo prussiano do século XVII – notou, “o intelecto, no fim das contas, chega a um ponto que não pode ser ultrapassado.”. O intelecto não pode contestar certas perguntas, tais como “Qual o propósito da vida?”, “Quem sou eu?”, “Para onde vou?”, “A morte física é o fim de tudo?”. Pode parecer tolo buscar a verdade com um instrumento tão limitado como é o intelecto ou tentar medir as profundezas desconhecidas das eternas perguntas com um instrumento tão finito.
Existem pessoas conhecidas como santos ou videntes que podem “ver” o passado, o presente e o futuro. Possuem habilidade de juntar os dissipados raios da mente. As respostas para as perguntas transcedentais chegam a essas pessoas desde a ilimitada fonte de sabedoria conquistada durante as horas de meditação silenciosa.
Os videntes e santos que descobriram a verdade declaram que ela remove toda a miséria e dor da vida. Eles realizaram sua “essência natural” que é eternamente pura e perfeita.
Os fundadores de todas as religiões experimentaram Deus através das suas próprias almas, e aquilo que viram, relataram e ensinaram aos seus discípulos como técnicas para alcançar esse estado de experiência. Transcender o intelecto presenteia o yogi, santo ou vidente com a mais elevada e mística experiência – o samadhi.
Por outro lado, muitos mestres religiosos de hoje em dia parecem mais ocupados pregando do que praticando. Muitas pessoas seguem cegamente líderes religiosos sem conhecer o propósito da vida, e sentem-se satisfeitos com simples rituais e tradições.
Cada pessoa necessita experimentar a verdade dentro de si mesma; só assim as dúvidas desaparecerão. O Yoga oferece técnicas práticas e científicas para encontrar e experimentar a verdade na religião. Como toda ciência que tem seu próprio método de investigação, a ciência do Yoga também seu próprio método. O Yoga diz que a verdade pode ser experimentada somente quando se transcende os sentidos e quando a mente e o intelecto param de funcionar.
Um professor de Yoga não deixa de provar teorias nem discute com a classe. Um verdadeiro professor ensina com a autoridade da experiência pessoal. Essa autoridade, em parte, se baseia na orientação recebida de seu próprio mestre e das escrituras. O professor sabe que muitos dos ensinamentos não são mais que sementes que se acabam de plantar. Para cada idéia que o estudante entende, centenas chegaram até a mente consciente, mas só quando este está preparado com a suficiente pureza, fortaleza e claridade mental.
O propósito de toda prática yóguica é alcançar a Verdade que a alma individual identifica com a alma suprema de Deus.
Por trás das formas mutáveis da consciência, existe um espírito imutável e sem forma que não altera nem modifica sua expressão ou sensibilidade, ainda que pareça obscurecido em diversas etapas de seu desenvolvimento.
Hare Om Tat Sat!
Brahman, Brahma e os Três Gunas
Brahman, Brahma e os Três Gunas
Brahman, Atman
Brahman é o infinito. Sem causa, Eterno, a Realidade Suprema da Filosofia Vedanta. Transcende as qualidades ou atributos. Está acima do sujeito e do objeto; é a fonte da Existência, Conhecimento e Bem Aventurança (Sat Chit Ananda). Brahman é a tela sobre a qual se projeta o drama cósmico (Maya). Mantém a criação (drama), mas esta não lhe afeta.
Não se pode definir Brahman, nem se pode conhecê-lo através do intelecto, já que “definir é limitar”. O mesmo acontece com o Absoluto; então, como pode limitar-se? O grande filósofo não-dualista Shankaracharya afirma categoricamente: “Brahman é real. O universo é irreal. Brahman e Atman são um. Só o que é real não muda ou deixa de existir.” Atman é a Consciencia Absoluta dentro do individuo. É “um” com Brahman, sem mudanças e sem limitações. É idêntico com Brahman. Ainda que Brahman e Atman sejam termos idênticos, Brahman se refere ao Absoluto dentro do individuo.
Upadhi, Maya, Avidya
Os Upadhis são fatores limitativos, são fatores que velam a consciência. Os Upadhis são o corpo e a mente. Maya se manifesta no individuo em forma de Avidya (ignorância). Avidya nos faz esquecer que somos o Ser (Atman) e faz com que nos identifiquemos com o corpo físico, com a mente (os Upadhis). O ser que se identifica com os Upadhis é chamado Jiva. Jiva acredita estar limitado e atado pelos Upadhis e, por cnonsequência, sofre. Por isso terá que voltar a nascer várias vezes até que realize sua verdadeira natureza (Atman).
Ishwara, Jiva
Brahmans, quando associado com Maya, é denominada Ishwara ou Saguna Brahman. Corresponde ao Deus personificado das distintas religiões. De acordo com a Filosofia Vedanta não-dualista, Ishwara está em escalão abaixo de compreensão em relação a Brahman. É o símbolo mais elevado ou a manifestação de Brahman no mundo relativo.
Segundo Swami Vivekananda, “Ishwara representa o conceito mais elevado que uma mente humana pode compreender e que o coração humano pode amar.” As qualidades de Iswara são onisciência, onipresença, soberania universal, domínio universal e poder ilimtado.
Brahman não pode ser descrito por nenhum atributo específico; em seus diferentes aspectos é chamado Criador (Brahma), Preservador (Vishnu) e Destruidor (Shiva) do Universo. Sob esse ponto de vista do puro Brahman, não há criação, já que nenhum dos atributos de Iswara pode ser aplicado a Brahman.
Os ensinamentos do Cristianismo fazem referencia a Brahman e Ishwara: Existe Deus (Ishwara) e por cima dele está a Divindade (Brahman). Deus atua. A divindade não.
A Bhagavad Gita descreve Ishwara como “permanecendo igual em todos os seres”. Iswara é, portanto, o Deus personificado, a quem rezamos. Brahman está fora, acima de qualquer conceito mental. Não pode ser objetivado.
Jiva é a alma individual. É o Atman que se identifica com os Upadhis (fatores limitativos).
Brahma
Brahma é o aspecto criador da trimurti (trindade hindu); os outros doias, já mencionados, são Vishnu (preservador) e Shiva (destruidor). A esses 3 aspectos em conjunto chamamos Iswara. Outros nomes utilizados para Brahma são Hiranyagarbha, Prajapati, Mente Cósmica, Sutratma.
Os três gunas
Maya ou Prakriti é composta por três gunas (qualidades): Sattva, Rajas e Tamas. Os três gunas são comparados aos três da corda de Maya, a corda por meio da qual Maya ata o homem a este mundo ilusório.
Maya não pode existir sem os três gunas; é intrínseca a eles. Estão presentes em distintos graus em todo tipo de objetos – materiais ou sutis – incluindo a mente, o intelecto, o ego. Os gunas operam no nível físico, mental e emocional. Todas as coisas neste universo de Maya contêm os três gunas.
Ao final do ciclo, quando o universo regressa a um estado de não manifestação (Noite de Brahma), os gunas estão em um estado de equilíbrio. Durante esse tempo, Maya – associada com Brahman – existe como mera causa, sem nenhuma de suas manifestações. Logo, os fatores kármicos alteram o equilíbrio dos três gunas, e estes começam a adquirir suas características individuais.
Distintos objetos, sutis e grosseiros, começam a existir. O universo tangível começa a manifestar-se. Essa projeção do universo tangível é conhecida como “O Dia de Brahma”.
Os gunas se manifestam no homem da seguinte maneira:
- Sattva como pureza e sabedoria;
- Rajas como atividade e movimento;
- Tamas como preguiça e inercia.
Como dissemos anteriormente, essas três “qualidades da natureza” existem juntas. Não pode haver Sattva puro sem Tamas nem Rajas; ou Rajas puro, sem Sattva e Tamas; ou Tamas puro, sem Sattva e Rajas. A diferença entre dois seres se dá pela preponderância dos gunas. Enquanto o homem estiver apegado a algum dos gunas, estará atado. Inclusive os deuses estão sob suas influencias. Nos deuses predomina Sattva, no homem Rajas e nos seres subhumanos Tamas.
Sattva ata o homem mediante ao apego a felicidade, Raja com o apego à atividade e Tamas com o apego à ilusão. Somente Brahman está acima dos três gunas e não pode ser afetado por Maya.
Os três ladrões
O Yoga representa a compreensão científica para alcançar a verdade transcendendo a natureza e os gunas. A seguinte história é contada frequentemente no mundo Yogi para ilustrar os três gunas:
Os gunas podem ser comparados a três ladrões que assaltam um homem num bosque. Tamas, um dos ladrões, quer destruí-lo, mas Rajas, o segundo ladrão, consegue convencer Tamas a somente amarrar o homem a uma árvore. Passado um tempo, Sattva, o terceiro ladrão, volta e desata o homem, leva-o para fora do bosque e lhe mostra o caminho que o conduzirá a sua casa.
Mas Sattva também o abandona, porque – por ser também um ladrão – não se atreve a acompanhá-lo para fora do bosque por medo da polícia.
Tamas quer destruir o homem, Rajas lhe ata ao mundo, rouba-lhe os tesouros espirituais e Sattva lhe indica o caminho para a liberdade. Tamas deve ser superado por Rajas e Rajas por Sattva.
Mas finalmente Sattva também de ser abandonado se o aspirante quer conseguir a liberdade total. A verdade está acima dos três gunas.
Om Prem!
A mente do Aspirante
A MENTE DO ASPIRANTE
Estudo psicológico por Swami Sivananda
Extraído de seu livro Sadhana
Idéias Preconcebidas
Muitos sadhakas (aspirantes espirituais) iniciam sua vida espiritual com certas idéias preconcebidas sobre sadhana (prática espiritual), realização, guru, etc. Mas na realidade a vida espiritual é diferente do que se imagina.
Alguns descobrem que existem muitas coisas que são completamente diferentes da idéia que se havia formado. As idéias lhes parecem reais agora, mas adiante são contraditórias. Todas as noções preconcebidas são subitamente sacudidas. Que ocorre? Frequentemente os neófitos são incapazes de aceitar estes inesperados pontos de vista e geralmente regressam a sua vida sensorial anterior.
Este é o maior erro que pode ser cometido. Uma incomparável jóia há sido recebida e totalmente desprezada. Uma oportunidade única é desperdiçada. A mente continuará com os mesmos hábitos sensoriais de antes. O que ocorre é que o aspirante está enraizado em suas antigas concepções. Seu ego se aferra a elas. Tem, por exemplo, uma ideia fixa do que é a sadhana. Pensa que a pessoa que elegeu como Guru lhe imporá uma sadhana que combine com suas idéias. Se isso não ocorrer, surge a insatisfação.
Ele pensa que o Guru deve comportar-se de uma maneira determinada, mas se assim não ocorre, diminui sua lealdade perante ele. Entregar-se aos pés do Guru para logo começar a julgar sua conduta ou a duvidar dele é o maior erro que um aspirante pode cometer, ataca a essência sadhana e da vida espiritual.
Assim mesmo, o sadhaka começa a senda com uma idéia particular de seu próprio progresso espiritual e do nível que tem alcançado. Mas, realmente, só Deus sabe em que nível cada um se encontra. Ainda assim, continuará com suas idéias preconcebidas. Quando os feitos demonstram que estava equivocado, perderá seu entusiasmo e se decepcionará. Isto é perigoso. Decepcionar-se e desanimar-se no começo da vida espiritual é um obstáculo grave. A capacidade e o desejo de fazer sadhana diminuirão. Perderá a coragem e sentirá um desgosto com a vida espiritual.
O sadhana deve ser feito com sincero entusiasmo e alegria, aceitando a vida de sadhaka com uma mente aberta, libertando-se das idéias preconcebidas, fruto de seu próprio egoísmo, cercando-se das coisas espirituais com uma atitude receptiva e com vontade de aprender. Prepare-se para adaptar-se a elas em vez de esperar inutilmente que elas se adaptem as suas idéias. Sem esta atitude, a desarmonia marcará o começo da sua sadhana e cairá em profundas decepções, difíceis de superar. Isso frustrará todo o curso da sua sadhana e haverá desperdiçado o seu precioso tempo. Tyaga (renúncia) da anterior forma de pensar é necessária se desejar entrar e continuar sem problemas no caminho espiritual. Ao avançar, compreenderá as coisas gradualmente e as verá com maior claridade, uma por uma.
Diversos pensamentos e idéias do dever
O segundo obstáculo que invariavelmente persegue o aspirante são os diversos pensamentos e idéias do dever. Certamente, antes de começar a fazer sadhana ou pensar em levar uma vida espiritual, tinha-se um menor sentido do dever. Geralmente a pessoa estava indiferente ou era negligente para com seus deveres ou com sua família. Talvez seus pais lhe pedissem diariamente que buscasse um trabalho para ajudar a manter a família, e você se fazia de surdo e se divertia em cinemas e restaurantes. Inclusive, se conseguisse um trabalho, começaria a vestir roupas elegantes, mas deixaria que sua mãe ou sua irmã vestissem roupas velhas todos os dias. Porém, ao fazer sadhana e levar uma vida espiritual, a mente começará a preocupar-se com os problemas familiares e pensará que está faltando com as obrigações com sua mãe, irmã, irmão, etc. Todas essas idéias surgem agora, quando decidiu pelo caminho da sadhana. Começa a duvidar e a fraquejar. A tudo isso, acrescenta-se a oposição dos amigos e da família diante da vida espiritual. Eles dirão a você: “Que siginifica isso de japa, dhyana e usar um mala? Essas coisas devem ser feitas quando tiver um tempo livre; antes, trate de cumprir com seu dever.” Isso fará que o pequeno interesse com que começou se quebre. A mente se decepciona dessa forma. A mente é Maya. Seu trabalho consiste em evitar que o homem, de uma forma ou de outra, experimente a Realidade. É aquilo que sempre tenta ocultar a Verdade. Há de estar, portanto, sempre alerta e vigilante. No preciso momento em que decide começar o Caminho, a mente criará todas essas idéias de dever, responsabilidade, coisas mais importantes para fazer, etc., que até agora não lhe haviam preocupado. Mantenha-se alerta!
Tenha determinados deveres em determinadas ocasiões. Mas fazer sadhana para alcançar a Realização do Ser é o dever mais importante e urgente que deve estar presente em sua vida até o último momento. Não pode se dar ao luxo de renegá-lo durante um só minuto. Deixe que esta idéia penetre firmemente em sua mente. Não duvide, comece a fazer sadhana regular e sistematicamente desde o momento em que ler esta frase. Agora feche a página, sente-se em silencio, relaxado, com os olhos fechados e a coluna ereta. Pense no sublime (elevado) objetivo da vida e como ela está organizada para fazer sadhana espiritual. Repita o nome do Senhor dez minutos. Comece a andar com decisão. Siga adiante com determinação e energia. Fixe a sua mente de uma vez para sempre no ideal que quer alcançar. Alcançará a meta nesta mesma vida.
A mente resiste à disciplina
Quando você toma a decisão e começa a fazer sadhana com regularidade, talvez tenha que enfrentar uma serie de problemas e dificuldades que não tinha antes. Em principio, encontrará obstáculos a todo o momento. Pensará que isso tudo ocorre porque começou a fazer sadhana e que estava muito melhor antes. Não desanime, há uma razão para isso. Sadhana implica impor-se certas restrições. Até o momento, não havia se oposto ao que os sentidos queriam e agora começa uma senda de disciplina tanto externa quanto interna. Isso significa entrar em conflito com suas obstinadas e revoltosas impressões sensoriais. Quando tem que lutar contra elas, começa a sentir sua força – que antes parecia estar relativamente controlada. Quando se está pedalando ladeira abaixo, tudo parece maravilhoso e agradável. Quando se dá a volta e tenta subi-la, percebe-se o cansaço e a dificuldade. Isso é o que ocorre quando se começa a fazer sadhana com sinceridade. A sadhana é um caminho ladeira acima. É uma luta contínua contra a corrente com as tendências samsáricas de inumeráveis vidas. Significa voltar a subir o que havia descido no abismo da vida mundana.
Em principio, o neófito não está acostumado com esse esforço. Tal acúmulo de dificuldades e problemas o acovardam durante um tempo. Isso é normal. Não se preocupe! Suporte com fortaleza. Essas dificuldades surgem no principio. Logo desaparecerão e conseguirá fortaleza dia a dia. Supere quantos problemas, provas e riscos tiver que suportar ao tratar dos assuntos mundanos, como ganhar dinheiro, algum negócio, um exame ou um assunto legal. Então estará disposto a suportar todas as dificuldades que surgirem no começo do caminho espiritual já que tem mente o tesouro Átmico infinito e imensurável que alcançará no final.
No caminho espiritual, um pouco de dor produz inumeráveis ganhos. Aquele que faz um pequeno sacrifício, tem assegurado o êxito. Até agora o sadhaka se movia em um círculo pequeno, sacrificando algo finito para conseguir algo também finito. Agora, ao começar o caminho reto e glorioso, o sadhaka sacrifica coisas finitas e transitórias para obter AQUILO que é eterno e infinito.
Comece agora o sadhna marga (caminho espiritual) com uma mente aberta e livre de todo preconceito, seja plenamente consciente do dever de fazer sadhana espiritual e suporte tranquila e alegremente todas as provas iniciais.
Alcançará vida eterna, esplendor permanente, paz e bem-aventurança!
Hare Om Tat Sat
O Significado dos Uniformes
O significado dos uniformes
O propósito de usar uniformes é levar a mente a um estado apropriado para aprender. As cores têm uma influencia na mente. O amarelo é a cor do aprendizado. O branco é a cor da pureza. A cor amarela significa a senda do dharma. Representa também o tejas: o brilho espiritual para cobrir a obscuridade da ignorância. Os estudantes formam, desse modo, um conjunto em busca do conhecimento da Verdade Universal. A identificação com o ego, normalmente representada pelo estilo de nossas roupas, é abandonada durante nossos dias de estudante, sendo trocada pela pureza universal e brilho espiritual.
Por favor, em nossas práticas na escola, esteja sempre com o uniforme, que deve ser mantido sempre limpo e pronto para o uso.
A Origem da True World Order

A origem da True World Order
Um dia, Swami Vishnu-Devananda teve uma visão enquanto meditava no ashram de Nassau, nas Bahamas. Nela, viu muita gente fugindo apavorada de uma bola de fogo, correndo e rompendo barreiras. Ainda não podendo compreender imediatamente o significado de sua visão, sabia – por experiência – que o que aparecia como revelação eventualmente se materializaria. Esta foi a razão pela qual fundou a T.W.O (True World Order – Ordem do Mundo Verdadeiro) para promover a paz e a compreensão no mundo. Sentiu que tinha que treinar os futuros líderes e cidadãos responsáveis do mundo na disciplina do Yoga. A verdadeira paz e fraternidade só podem existir quando existem líderes fortes e disciplinados que possuem uma consciência interior de paz. Se os indivíduos da sociedade não têm paz interior, não podem ter paz exterior. Por esta razão, Swamiji começou o TTC (Teachers Training Course – Curso para Formação de Professores) em 1969, com a esperança de que cada pessoa que faça o curso transmita o conhecimento do Yoga às outras pessoas. A T.W.O. também inclui missões de paz que Swamiji fez aos lugares mais problemáticos do mundo: Irlanda, os países do Leste, etc. Este trabalho continua na atualidade. A cada ano são realizadas conferencias e simpósios nos ashrams que o Centro Sivananda tem espalhados por todo o mundo, para fazer com que as pessoas tomem consciência da necessidade de paz, facilitando-lhes técnicas e práticas filosóficas para que alcancem esta paz.
Retirado do Manual para Formação de Professores – Centro Internacional Sivananda de Yoga Vedanta
Sankirtan Yoga
Sankirtan Yoga
Swami Sivananda
Sankirtan é a Swarupa ou natureza essencial de Deus. Dhvani é Sankirtan. Os quatro Vedas têm a sua origem no som. Existem quatro tipos de som: Vaikhari (vocal), Madhyama (da garganta), Pasyanti (do coração) e Para (do umbigo). O som parte do umbigo. Os Vedas também se originam do umbigo. O Sankirtan e os Vedas provêm da mesma fonte.As pessoas se sentam juntas e cantam os nomes do Senhor com harmonia e acordo, com Shuddha ou Bhava (sentimento divino). Isso é Sankirtan. Sankirtan é acompanhado pelo toque de sons musicais da mesma maneira em que a palavra San precede Kirtan. Sankirtan é uma ciência exata. Ela eleva a mente rapidamente além de intensificar o Bhava ou sentimento divino a um grau máximo.
Nama e Nami são inseparáveis. Nama quer dizer o nome de Deus. Nami significa aquilo que é denotado pelo nome ou Nama. Nama é ainda mais grandioso que Nami. Mesmo na experiência ordinária o Homem pode morrer, porém seu nome é lembrado durante muito tempo. Kalidasa, Valmiki, Tulsidas, Gauranga e outros são personagens lembrados até hoje na história da Índia. Nama não é nada mais do que Chaitanya. Sankirtan é cantar os nomes divinos com Bhava e Prema (amor puro).
Sankirtan Yoga é o caminho mais rápido, fácil, seguro e barato para atingir a realização de Deus nesta era. As pessoas não conseguem mais praticar duras austeridades hoje em dia. Elas não tem mais a força de vontade necessária para a prática do Hatha Yoga. São incapazes de permanecer toda uma vida em Bramacharya (celibato). Elas não tem os pré-requisitos psicológicos para o Rája Yoga. Não possuem tampouco o intelecto afiado para a prática do Jñána Yoga ou Sádhana Vedântico. Porém, esse Sankirtan Yoga ou Yoga do canto dos nomes divinos está ao alcance de todos. Existe um poder (Shakti) infinito nos nomes de Deus. Ele removerá todas as impurezas da sua mente. Os vedantins dizem que existem três tipos de obstáculos para a auto-realização: Mala, Vikshepa e Avarana. Para removê-los eles prescrevem Nishkamya Karma (serviço desinteressado), Upasana (adoração) e Nididhyasana vedântica (busca intelectual).
O Sankirtan sozinho pode obter todos os três juntos numa só tacada. Assim, ele tira as impurezas da mente (Mala), acalmando-a e controlando sua tendência de vacilar (Vikshepa). Finalmente, ele rasga o véu da ignorância (Avarana), levando o aspirante (Sádhaka) face a face com Deus.
Maya (ilusão) é tão potente que o ilude a cada instante. A cada momento ela lhe dá a sensação que o prazer existe somente nos objetos dos sentidos e em nenhum outro lugar. Você troca a dor pelo prazer. Esse é o trabalho de Máyá. Fique atento! Lembre-se: Janma mrityu jara vyadhi duhkha dosha (este mundo é cheio de dores consequüentes do nascimento, morte, velhice, doença e miséria). Não existe prazer nesses objetos finitos. Yo vai bhuma tat sukham (você obterá felicidade somente no infinito). Sankirtan o capacitará a realizar esse infinito aqui e agora. Ele o libertará da ilusão. Dessa maneira, cante então os nomes do Senhor. Cante o Maha Mantra:
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama Hare Hare
Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna Hare Hare
Esse é o grande mantra para as pessoas do Kali Yuga (época moderna de destruição). O Rishi Narada foi visitar o senhor Brahmá e disse ?Ó Senhor, as pessoas neste Kali Yuga não serão capazes das austeridades, nem de conduzir os Yajnas (sacrifícios e oferendas), nem de percorrer a via do Vedanta. Por favor tenha compaixão por eles e indique um modo fácil com o qual eles possam atingir Deus?. O Senhor Brahmá, na sua infinita compaixão e piedade, concedeu esse Maha Mantra com o qual as pessoas do Kali Yuga pudessem atingir a auto-realização. Cante então os nomes de Deus. Sirva, ame, dê, medite, realize, seja bom e piedoso. Pergunte: “quem sou eu?”. Conheça o Ser e seja livre. Que Deus abençoe vocês todos com saúde, vida longa, paz, prosperidade e felicidade.
Trecho do livro Japa Yoga, de Swami Sivananda (1887 – 1963), grande santo e yogi contemporâneo, fundador do Sivananda Ashram Divine Life Society, em Rishikesh, Índia, autor de mais de 250 livros sobre Yoga, espiritualidade e temas afins. Texto traduzido por Júlio (Gopala) Falavigna, membro e instrutor do Sivananda Yoga Vedanta Centers no mundo, fundados por Swami Vishnu Devananda (1927 – 1993), discípulo direto de Swami Sivananda, autoridade mundial em Hatha e Rája Yoga, autor dos best sellers The Complete Ilustrated Book of Yoga e Meditation and Mantras, além de um comentário do Hatha Yoga Pradípika. Para maiores informações sobre o seu trabalho, visite o site de Gopala em www.oyoga.com.br/sivananda (Centro Sivananda de Yoga Vedanta, em Porto Alegre, RS), ou visite o site internacional da Organização Internacional Sivananda de Yoga Vedanta: www.sivananda.org Gopala também desenvolve um trabalho com música espiritual e kirtans, acabando de gravar o CD “Shabda Rasa – Mantras e Ragas Místicos da Índia”. Gopala está disponível para workshops, shows e palestras sobre Yoga e música indiana.
Ética como caminho para o Yoga
Ética Como Meio Para o YOGA
SWAMI SIVANANDA
© Tradução para o Português de
Swami Krishnapriyananda Saraswati
1997 – 2005
“‘Faça de tal modo o que você gostaria que os outros fizessem para você’.
Este é o todo do Dharma”.
Swami Sivananda
1. Hoje, todos os aspirantes cometem equívocos em querer saltar para o Samadhi, e Dhyana, assim de repente, como deixam as suas casas, sem ter o mínimo cuidado com a perfeição ética. A mente permanece na mesma condição apesar de eles terem praticado meditação por quize anos. Eles são os mesmos invejosos, cheios de ira e ódio, com idéia de superioridade com relação aos demais, são orgulhosos, egoístas, etc. A meditação e o Samadhi vêm por si mesmos quando alguém tem a perfeição ética.
2. Sadhachara ou reta conduta é o fundamento do Yoga. O Yoga está enraizado na virtude. A disciplina ética é muito necessária para o sucesso no Yoga. A disciplina ética está na prática da vida numa reta conduta. Alguém deverá estar bem estabelecido em Sadhachara para iniciar. Sadhachara é a prática de Yama e Niyama. Yama e Niyama são os dois pólos morais do Yoga, os quais o aspirante deverá praticar na sua vida diária. Estes correspondem aproximadamente aos dez mandamentos de Jesus ou a óctupla dobra do caminho do Senhor Buddha. A prática do Yama e Niyama irá erradicar todas as impurezas da mente.
3. Yama é o verdadeiro fundamento do Yoga, sem o qual a superestrutura do Yoga não pode ser construída. Yama é a prática de Ahimsa (abstinência de agredir e matar); Satyam, (veracidade); Asteya (abstinência de roubar ou enganar); Brahmacharya (continência; celibato), e Aparigraha (abstinência de avareza e orgulho). Patañjali Maharishi menciona os cinco itens chefe acima para praticar o Yama. Em cada religião você irá encontrá-los entre os mais importantes. Grande ênfase é dada em cada capitulo à prática deYama.
4. Niyama é a observância dos cinco cânones, a saber: Saucha, Santosha, Tapas, Savadyaya, e Isvara Pranidhana. De acordo com Sandilya Rishi, a prática de Saucha, Daya, Arjava, Dhriti e Mitahara estão incluídas no Yama. Saucha é pureza interna e externa. Lavar as mãos, tomar banho, etc., são da pureza externa. Preencher a mente com coisas puras e pensamentos divinos é pureza interna.
5. “A mente se torna pura através do cultivo de bons hábitos e cordialidade, compaixão, complacência, e indiferença em relação à felicidade, miséria, virtude e vício”. Quem quer que mostre cordialidade para com todos aqueles que se encontram nos desfrutes dos prazeres, a impureza da inveja o abandona. Quando a mente mostra compaixão para com aqueles que estão sofrendo de dor, e que deseja remover as misérias dos outros, como se fossem as suas próprias, a sujeira da inveja é removida da sua mente. Quem quer que mostra indiferença em relação aos vícios e contágios no meio do caminho, e não se apóiam nas inclinações viciosas, a sujeira da impaciência é removida da sua mente.
6. Pela remoção das características das qualidades de energia perturbadora (Rajas), e da inércia (Tamas), as características da pureza essencial (Sattva), manifestam-se por si. A pessoa então se torna possuidora de uma verdadeira e elevada manifestação da pureza essencial. Sua mente se torna inclinada para o lado do controle das modificações da mente, porque esta iluminação é natural nesse estado. Quando a mente se torna pura, ela alcança o estado de estabilidade, e fica fixa num ponto. Se aquelas qualidades morais não forem cultivadas, os meios não poderão conduzir à estabilidade. Portanto, se deve estabelecer em Sadhachara, se se almeja alcançar a perfeição no Yoga. Quando alguém está estabelecido nelas perfeitamente, então o Samadhi ou o Nishtha virão sobre ele.
Aquecimento Global x Efeito Estufa
Uma simples mudança no ponto de vista e sua visão sobre essa questão pode mudar! Om Namah Shivaya!
Sirva, Ame, Doe!
“A felicidade advém para quem dá felicidade para os outros”.
Swami Sivananda
Sirva, Ame, Doe
Torne-se um Karmi-yogi, e trabalhe para o bem do mundo. Você deverá fazer serviço universal tendo em vista alcançar o estado do ser uno com a consciência universal.
É apenas através das atividades abnegadas, trabalho sem apego, e gosto em servir que alguém pode adquirir a preciosa gema da pureza, paciência e humildade.
Em qualquer lugar que haja sofrimento, distribua o que você tem, e alivie o sofrimento humano, em todo o lugar possível. Deste modo, você irá habilitar-se para alcançar a meta para a qual Deus lhe deu este corpo humano.
Quando alguém faz um serviço abnegado, um sentimento traiçoeiro de auto-aprovação talvez se rasteje despercebido. Isso irá mais tarde manifestar-se na forma de um tipo de atitude indulgente e desprezo por aqueles que não seguem o mesmo modo de vida. Uma constante humildade, mantida viva pelo incansável exercício de um serviço abnegado, é uma armadura certa contra este inimigo.
Espiritualize todas as atividades. Sinta-se como um instrumento nas mãos do Senhor e que todos os Indriyas (sentidos) pertencem a Ele. Repita a fórmula “Eu sou Teu; tudo é Teu; Seja feita a Tua vontade”.
Sinta que todo o mundo é uma manifestação do Senhor e que você o está servindo em todos os nomes e formas. Qualquer ação que você faça, e qualquer que seja o seu resultado, consagre-os todos para o Senhor no final de cada dia. Não se identifique a si mesmo com as ações. Então seu coração ficará purificado, e você estará pronto para receber a graça e luz divinas.
Não descanse estando bem. Faça também o bem. Seja generoso. Seja misericordioso.
Não deixe a virtude secar por falta de exercício.
Deus é amor. O amor é Deus. Egoísmo, orgulho, interesse pessoal, vaidade, avareza, ódio, contraem o coração e colocam-se como obstáculos no caminho do desenvolvimento do amor universal. Sinta o mundo todo como seu corpo; como sua própria casa. Derreta e destrua todas as barreiras que separam uma pessoa da outra. A idéia de superioridade é ignorância. Desenvolva Visvaprema ou amor todo envolvente. Una-se com todos. A separação é morte. A unidade é vida eterna.
Deus é amor. A única religião verdadeira é a religião do amor ou a religião do coração. Sinta pelos outros o que você sente por você.
O amor não espera por retorno. O amor não conhece medo. O amor divino não exige. Ame e não tenha maus pensamentos; não motive acusações. Amar é compartilhar e servir.
Dê como caridade um décimo do que você ganha ou uma sexta parte de uma Rúpia.
A felicidade advém para quem dá felicidade para os outros.
Doe, doe. Doe com plenitude, com humildade e alegria. Num verdadeiro processo de doação você se enriquece também.
Se uma pessoa, que não removeu a inveja, o ato de caluniar, o ódio, o orgulho, a avareza e o egoísmo disser: “Eu estou meditando seis horas por dia”, isso não faz sentido. Distinga. Não há esperança para alguém que queira instalar-se no modo meditativo, mesmo depois de anos, a menos que ela remova todos os Vrittis impurezas), e purifique a mente primeiro, através do serviço ou Seva, pelo menos por seis meses.
Exceda em servir;
Expanda-se em amor;
Avance em conhecimento.
Serviço é Amor em expressão;
O Amor é Conhecimento concentrado;
O Conhecimento está difundido no Amor.
Om Tat Sat

